Novidades na música: playlist do Aldo Braghetto

Uma relação do que merece a sua atenção e que está acontecendo de novo na música. Preparada com exclusividade pelo especialista Aldo Braghetto para os leitores da Circuito.

Mallu Magalhães: Maravilhosa. Indescritível. Não dá para falar nada dela. O que eu disser será muito pouco. Literalmente uma “Velha e Louca”, com 600 anos de alma e de experiência. Gente! De onde saiu essa mulher?

Tim Bernardes: O melhor de sua geração. Ouvi-lo é um tapa na cara. Talentosíssimo. Novo tesouro da música popular. Quase um novo Caetano. Oxalá que chegue lá.

Ava Rocha: A verdadeira Índia Iracema. Uma Xamã, filha de Glauber Rocha e neta de Jorge Gaitán Durán, o que você quer que dê? Uma bruxa, uma Bacante e que, além de tudo, canta.

Letrux: (Letícia Novaes) Cantora, compositora, poetisa e doidíssima. Tem a acidez trágica e cômica que há muito não se via por essas bandas aqui. Faz um dramalhão de humor, ousadia e loucura em seu trabalho. Uma orgia agonizante musicada. Dante Alighieri é um dos seus maiores fãs. Visionária que está à frente de seu tempo. Um museu de grandes novidades, como diria Cazuza.

Silva: Impecável. Um concertista da voz. Interpreta qualquer música lindamente. Sabe como colocar as palavras cada uma em seu lugar. Um chansonnier. Suas falas e tons são
símbolos que nos remetem a algo sempre muito misterioso. Um Duende que canta.

Ale de Maria: Compositor, cantor que canaliza música de rezo. Uma cura espiritual ouvir esse “pontífice”, que faz ligação entre o céu e a terra. Uma viagem para dentro da alma.
“Não precisamos de ‘pessoas de sucesso’, famosas e celebridades, e sim, de pacificadores,
restauradores, curadores para deixar o mundo mais habitável e humano”, como disse Dalai Lama. É isso o que ele é. Um presente Divino de nossa Mãe dos Céus.

Ana Cañas: Uma Diva, sabedora da arte de interpretar. Super compositora. Tudo de bom ouvi-la, ainda mais sendo produzida pelo “Liminha”.

Robertas Campos e Sá: Muito bom ter a magia delas sempre por perto. No carro, na academia, na praia, na prisão e em todo canto. Nos remetem às cantoras de jazz & blues dos anos 40 e 50. Uma viagem, sem volta, é claro.

Tulipa Ruiz: Uma Elemental da natureza. Não sei se é do fogo, do ar, da água ou de tudo mesmo. Uma fada cuja voz é imantada nos cantos das Sereias.

Céu: Une o passado, presente e futuro. Quando canta, transcende o Céu e a Terra.

Tiê: Um verdadeiro caldeirão musical. Mistura tudo e tudo fica bom. Um liquidificador da
música. Vai longe!

Monique Kessous: Demais, demais, demais. Grande compositora, além de ótima cantora. Todos os cantores e bandas deveriam gravá-la. Uma benção musical. Nesses tempos de secura artística, lítero-musical, aparece uma compositora que com certeza tem o dom dos musicistas antigos e que sabe bem o que faz. Joia rara.

Johnny Franco (nossa capa em janeiro de 2017): Sem dúvida nenhuma, hoje um dos maiores artistas brasileiros. Pena que poucas pessoas o conhecem. Filho do grande artista e ser humano Moacyr Franco. Hoje mora e trabalha nos Estados Unidos. Reencarnação oficial de John Lennon e Bob Dylan. Um
encanto de pessoa. Um artista encantado.

Versos que Compomos na Estrada: Formada por Markus Thomas e Lívia Humaire. Uma simplicidade grandiosa e uma grandiosa simplicidade.

Vitão (nossa capa em agosto de 2020): Um dândi. Muito talento tem esse menino, porém esse talento ainda não está totalmente latente. Uma grande parte disso tudo encontra-se escondida nesse joguinho de “sucesso”. Ele sabe disso. Poderá ter uma bela carreira pela frente se não se vender, é claro, para as “majors” e para esse mundo de ilusão que tanto fascina o ser humano, principalmente os artistas.

Xamã:
Um dos únicos que sabe o que fala, canta e, principalmente, o que escreve nessa geração
de rappers, hip-hops, traps, sei lá o que, que para mim é um bicho de sete cabeças. O problema todo é que já está sendo garoto propaganda das lojas Renner. Está entre a Cruz e a Espada. Parece que não tem ninguém para orientá-lo, nem empresário, nem manager, nem branding, como em outros lugares e em outros artistas do mundo, que trabalham em equipe. Esse é o maior problema dessa geração jovem: estão sozinhos nesses vários caminhos que levam ao inferno. As gravadoras e os escritórios só têm financeiros, extirparam os diretores artísticos, de marketing e todo ser humano, só deixando robôs, autômatos trabalhando, enfeitiçados pelo ego, dinheiro e poder do não sei bem o que.

Artigo anteriorArtista granjeira expõe suas obras em São Paulo
Próximo artigoReceita estimada de Cotia em 2022 é de R$ 1,19 bilhão