Adoro novidades! Tecnológicas ou não. Mas sinto falta do bom e velho calor humano que envolve as modernidades. O famoso olho no olho, o sorriso simpático, o bate-papo, jogar conversa fora parecem que caíram de moda. Uber? É ótimo. Mas os motoristas são mudos. Só falam com o Waze, que só fala sozinho. Airbnb funciona. Mas vc ñ vê nem fala com ninguém. WhatsApp? Não vivo sem, mas dá uma vontade de telefonar e falar ao vivo ! Compras pela internet? É super prático, mas dá uma sensação de que vai dar errado! No fim, acabo ligando para o televendas para fazer as perguntinhas básicas. Bank on-line ? Faço qualquer coisa para não pegar fila, mas dá um frio na barriga e uma agonia não ouvir nem ver ninguém para confirmar se o seu rico dinheirinho está protegido! Facebook, Instagram, Twitter, YouTube? Show, mas é um mundo de faz de conta. Ninguém é feliz o tempo todo, como todos querem aparentar e, cá entre nós, não me interessa saber o que o fulano, que eu mal conheço, está comendo nem o que ele vai fazer no minuto seguinte. Aposto que metade das pessoas que estão lá preferiria estar com alguém de carne e osso ao seu lado. Curto, mas prefiro falar ao vivo com as pessoas que me interessam e saber delas as novidades. E tem os malditos telefones das teles, cartões, bancos, TVs pagas e outros mais nos quais você só fala com um ser humano, quando fala, depois de 10 minutos de blá-blá-blá com uma voz robótica. Aí atende uma mocinha e páh! Sem se tocar que sua paciência já está no limite, pergunta: “Tudo bem, senhor?” – “Não, né! Estou há um tempão falando sozinho, repetindo CPF, RG, número de conta, endereço e o escambau, com pressa, e só quero saber que dia vence a minha fatura!”. Coitada, essa deve escutar o que quer e o que não quer. Notícias on-line? Não acredite em todas. O mundo está infestado de blogueiros e jornalistas que ganham para postar notícias falsas para beneficiar ou prejudicar alguém. Sem contar os incompetentes com iniciativa, que postam qualquer coisa para chamar a atenção. Filtre suas fontes. Somente veículos consagrados e confiáveis têm credibilidade. Busque os que investem em jornalismo. Aqueles com os quais você já tem uma relação de muitos anos e que sente como que contassem as notícias todo dia no seu ouvido. Academia? Bacana, frequento direto, mas vejo todo dia as mesmas pessoas, não sei o nome de ninguém e não ganho nunca um “Olá, como vai, tudo bem?” de ninguém. O vestiário parece um velório. Todos sérios e com cara de poucos amigos. Muito diferente dos vestiários das boas e velhas partidas de futebol, nas quais a alegria e a descontração tomavam conta do ambiente. Outro dia, almoçando com pessoas ligadas à área de web, ouvi elogios aos aplicativos que solucionam problemas sem que você precise falar com ninguém. Acho louvável, moderno, prático e cada vez mais importante atendermos nossas necessidades por meio de aplicativos inteligentes, mas não considero o mais importante falar com ninguém. Era uma conversa nonsense. Adoro não ter que falar com o motorista do Uber! – Aluguei um carro e não falei com ninguém! Bizarro.
A Amazon acaba de lançar o Amazon Go. Você entra na loja, vai até as prateleiras, pega as mercadorias, põe na sacola e vai embora. As câmeras com identificação facial, os sensores nas prateleiras e seu cartão de crédito pré-cadastrado se encarregam de fazer a cobrança. E você não fala com ninguém. É bom, mas é ruim. Esse é o dilema. Sabe quando você se reúne com uma galera e as pessoas ficam todas olhando no celular e ninguém conversa com ninguém? Teremos, no futuro, uma geração de mudos? Será que nascemos para servir à tecnologia ou a tecnologia nasceu para nos servir? Onde ficam o bom dia, o obrigado e o por favor? O sorriso de agradecimento pelo bom atendimento, a empatia e o calor humano? Enfim, as pessoas estão ensimesmadas ou é implicância minha?
Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas.














