PPE – Partido da Propaganda Enganosa

"Preparem-se! Em breve, teremos o maldito horário prolixo", escreve Marcos Sá neste artigo.

Vida de anunciante no Brasil não é fácil. Cada página de anúncio que você vê nesta e em outras revistas, nos jornais, TV, cinema, internet, enfim, em qualquer veículo de comunicação, passa por dezenas de processos operacionais. As agências de propaganda detentoras das contas e seus clientes são obrigados a respeitar as inúmeras normas do mercado publicitário, que organizam, dão credibilidade e valorizam os produtos anunciados. Temos regras muito claras entre os anunciantes, as agências de propaganda, os veículos de comunicação e os consumidores. Regras que foram construídas no decorrer de anos e são respeitadas, fazendo com que nossa propaganda seja uma das melhores do mundo, com diversas conquistas em festivais de publicidade pelo mundo afora. Vide nossos Leões de Cannes. Conar, Cenp, ABA, ABAP, ANJ, ANER, respeito ao consumidor, aos gêneros, raças, minorias, mais a patrulha do politicamente correto fazem com que esse mercado seja muito cuidadoso, transparente e verdadeiro em suas peças publicitárias. Propaganda enganosa é crime, dá processo. Qualquer cidadão que se sinta ofendido com alguma propaganda pode pedir sua suspensão por intermédio do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que vai julgar e dar rapidamente seu parecer. Fiz toda essa introdução para chegar à propaganda política. Sim, aquela feita pelos partidos políticos que exaltam seus feitos e seus líderes. Primeiramente, ela é gratuita aos partidos, mas quem paga a conta somos nós, já que há uma compensação por meio da renúncia fiscal dos impostos devidos pelas emissoras. Tanto nas propagandas como no chatíssimo horário político gratuito. Mas o ponto mais importante é o conteúdo daquilo que é dito nas peças publicitárias das propagandas políticas. Mente-se à vontade! Não existe nenhum tipo de compromisso com a verdade nem com a realidade em que vivemos. E fica por isso mesmo. Se um grande anunciante de uma empresa privada contasse um décimo das mentiras contadas por alguns dos partidos políticos e seus líderes, sobre seus produtos, teria suas peças suspensas, pagaria multas e responderia a processos. As propagandas políticas usam e abusam de argumentos fictícios, falseiam a verdade, reescrevem o passado e mentem na cara dura. Um horror. Quem acredita naquela baboseira? O último filme do PT foi uma pérola de enganação. Tive de tirar as crianças da sala. Deu dor de estômago! Os dos partidos nanicos nem vou me dar ao trabalho de nomeá-los, são risíveis, além de inverossímeis e repetitivos. Outro horror. PMDB, PSDB, PP, PR e os partidos que mudaram de nome para se esconder da opinião pública e mais uma vez tentar nos enganar primam pela receita antiga, e querem, de fato, apenas preservar seus mandatos. Todos falam de “empoderamento” feminino, família, minorias, direitos sociais, com a maior desfaçatez, já que estão a anos-luz daquilo que queremos que eles, de fato, executem. É um blá-blá-blá somente para parecer “politicamente correto”, já que não têm nada de novo a oferecer. Irritante! E preparem-se! Em breve teremos o maldito “horário prolixo”. Imaginem o que virá por aí. Acho que teremos transmissão ao vivo direto das cadeias, já que muitos dos candidatos estarão vendo o sol nascer quadrado. Já imaginou? E o que eles vão nos oferecer? Quais serão as promessas? Eu, desde já, estou reforçando minha biblioteca e aconselho: troque o discurso desses pulhas pela leitura de um bom livro. O Ministério da Saúde adverte: Horário Político faz mal à saúde! Não veja nem com moderação!

Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas

Artigo anteriorArte Observada: Bia Leite
Próximo artigoArte, design e funcionalidade