Rogério Franco (PSD) foi reeleito como prefeito de Cotia até 2024 e Ângela Maluf, que já ocupou cadeira como vereadora suplente e secretária da mulher na gestão do prefeito, foi eleita como vice.

Nem sempre os quatro anos de mandato são suficientes para colocar todas as promessas e plano de governo em prática, e conhecer um pouco sobre suas formas de governo pode ser um fator decisivo na escolha da maioria em reeleger um prefeito por mais quatro anos. Mas o quanto conhecemos realmente as pessoas que estarão no governo da prefeitura nesses próximos anos? Como foi a relação deles com a cidade antes de serem eleitos? O que eles já fizeram pelo município e quais as promessas para esse governo que se inicia?

A revista Circuito conversou essa semana com os eleitos sobre sua trajetória até aqui e qual postura tomarão diante das demandas atuais do município.

Rogério Franco conta que ser reeleito é motivo de muita alegria e, ao mesmo tempo, de responsabilidade. “Alegria porque posso fazer pelo meu povo aquilo que atende às suas necessidades; e responsabilidade, pois ainda temos muito para fazer. E vamos fazer”, explica.

Para ele, o cargo lhe foi novamente concedido por eleitores que confiam em suas propostas e acompanharam o trabalho realizado no primeiro mandato. “Fico muito feliz em poder contribuir com a construção de uma cidade mais humana, que atende a população que mais precisa e que está muito melhor do ponto de vista estrutural”, afirma.

O cargo de vice-prefeita foi oferecido à Ângela Maluf, através de uma indicação partidária que, naquele momento, ela nem esperava. Ela conta que foi pega de surpresa, enquanto fazia sua pré-campanha para vereadora, mas aceitou de imediato: “fiquei muito honrada em partilhar de perto uma campanha com um gestor que eu já admirava, que é o Rogério Franco”.

Em dias em que a igualdade de gênero na política é uma luta constante, Ângela começou a entender a importância que sua vitória poderia significar na sociedade do município. “Após isso, comecei a almejar este espaço, pois entendi que seria uma conquista coletiva. Minha presença ali representava 52% da população de Cotia. Portanto, é uma sensação de muita satisfação por ser reflexo da presença feminina em um cargo de decisão, bem como sensação de anseio em fazer o meu melhor, pois tenho a dimensão de quanta responsabilidade me cabe”, comenta emocionada.

 

Foram tempos difíceis não apenas para moradores e comerciantes do município. Na prefeitura, os governantes enfrentaram desafios desde o começo do mandado. O prefeito Rogério Franco revela que as dificuldades apareceram logo que assumiram o governo, na época em que o mundo tentava se recuperar de uma crise econômica. Foi preciso reformular o funcionamento da gestão anterior, reduzir gastos, fazer revisão de contratos e elencar prioridades.

“Com isso, tivemos condições de investir e, quando fomos surpreendidos pela pandemia do novo Coronavírus, conseguimos garantir serviços públicos à população, montamos um hospital de campanha, iniciamos a reforma e ampliação de dezenas de escolas, implantamos dezenas de áreas de laser com infraestrutura completa, seguimos com o serviço de infraestrutura e ainda demos início a construção do Pronto-Socorro Infantil. Tudo isso só foi possível porque, em 2017, fizemos um grande contingenciamento de gastos e definimos prioridades”, lembra Rogério.

Como ele mesmo pontua, desafios existiam desde antes da pandemia e outros podem aparecer daqui pra frente. Faz parte da missão de ocupar esse cargo: estar a postos para melhor gerir com os recursos do município e tomar decisões que permitam que a população caminhe para um futuro melhor, mesmo nos dias difíceis.

Neste primeiro mandato, que se encerra em dezembro, muitas promessas como a criação do “Projeto Mãe Cotiana” – que tinha como objetivo reduzir a mortalidade infantil no município – e as melhorias da rede de urgência e emergência, com expansão ou adequação das unidades de pronto atendimento e serviços de apoio (SAMU), saíram do papel e estão funcionando na prática. Mas outras promessas, como a criação do Centro de Saúde da Criança ou a ampliação do atendimento da Clínica da Mulher, ainda não foram cumpridas.

Sobre as propostas e projetos sociais para essa nova fase de governo, Rogério Franco declara que todos os projetos são pensados para seguir na rota do desenvolvimento e que em relação aos projetos que haviam sido pensados antes, se forem viáveis, serão executados nesses próximos anos de seu governo. “Nossos projetos foram pensados para seguirmos na rota do desenvolvimento, desburocratização dos serviços públicos, mais segurança com os totens de vigilância e qualificação da nossa GCM. Programas sociais que melhoraram a qualidade de vida dos moradores e promovem a inclusão, como o Novo Olhar e o Além do Som, vão continuar, seguiremos com a Mãe Cotiana e teremos muita coisa boa em prol de quem mais precisa como o Renda Cotia Cidadã”, afirma.

Ele garante ainda que seguirá com o programa Asfalto Novo e Ilumina Cotia, projetos que estão “revolucionando a infraestrutura na cidade”. Também planeja universalizar a agenda eletrônica da Atenção Básica, criação de Hospital Veterinário e a sua atuação na regularização fundiária deve se intensificar. “Temos muitos projetos viáveis para Cotia, que foram pensados e serão executados nos próximos quatro anos. Vamos seguir lutando para que o Governo do Estado seja parceiro de Cotia nos projetos que vão solucionar os congestionamentos da Raposo Tavares”, faz questão de ressaltar.

Uma mulher tomando as decisões

Apesar do número considerável de mulheres que começam a ter participação política em todo o país, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em nível nacional, 65% das candidatas mulheres tiveram votos zerados (não receberam um voto sequer) e apenas 12% chegaram a ser eleitas. Aqui em Cotia, havia muitas mulheres concorrendo ao cargo de vereador, mas no fim das apurações nenhuma foi eleita.

Mas entre tantos resultados desanimadores na luta pela igualdade de gênero na política da cidade, a vitória de Ângela Maluf como vice-prefeita é motivo de comemoração. “Pessoalmente, trata-se de uma satisfação enorme! De muita felicidade mesmo por essa oportunidade inesperada, mas bem-vinda. Pois me sinto capacitada, afinal tenho quase 20 anos de vida pública e, já há 30 anos, contribuindo positivamente para melhorar a vida das pessoas e da minha cidade, carregando importantes bandeiras para fortalecer diferentes movimentos”, comenta a vice-prefeita sobre sua eleição.

Angela acredita que não se pode decidir nada sobre a população, sem a participação das mulheres, afinal de contas são elas que compreendem as demandas vividas no dia-a-dia. A vice-prefeita eleita pontua que, conquistando cargos em que as mulheres tenham voz, além de agregar nos resultados necessários, essa representatividade gera motivação para as demais.

“Uma mulher conquistando vez e voz, seja no executivo ou no legislativo, em uma empresa privada em cargos de diretoria, CEO’s de empresas, reitoras de universidades, enfim, cargos em que a voz tenha a escuta de mais pessoas, é sempre benéfico, no sentido de que essas mulheres, além de agregarem as práticas anseios das demais mulheres, também serve de motivação para que não desistamos dessa busca, nestes espaços. Como eu disse, não é a Ângela que está lá somente, recebendo a oportunidade de levar as nossas demandas. É uma cadeira que está comportando mais 52% da população nela”, ressalta.

Ela relata que, durante essa eleição, se dedicou em pedir a todos para haver uma construção da representatividade feminina no legislativo sempre que houve oportunidade, mas se sentiu desapontada com os números ao final da eleição. “Sinto que as mulheres vieram mais preparadas e convictas e chegamos mais perto de romper essa barreira, mas ainda não foi o suficiente, o que eu lamento profundamente”, diz.

Ângela, em reunião com as candidatas a vereadora

Ângela Maluf: relação de longa data com a Circuito

Uma curiosidade sobre a vice-prefeita eleita é que ela trabalha com causas sociais no município há muitos anos e, um destes trabalhos, chamou a atenção de nossa equipe. Em 2001, Ângela ainda estava concluindo o curso de Pedagogia e já procurava algumas oportunidades na área, até que ficou sabendo de uma vaga como professora eventual na escola Ary Bouzan, no Parque São George. E durante suas atividades no espaço, recebeu uma proposta da diretora de fazer um muro com mosaicos. “Então, a diretora me perguntou se eu sabia fazer. Eu nunca tinha feito, mas eu falei que sabia sim, fui tentar e… é o muro que está sustentado lá até hoje”, Angela relembra em meio a risos.

Assim que o muro foi concluído, a equipe da revista Circuito foi até lá conhecer e fotografar. O resultado chamou a atenção da presidente da APAE, Ana Maria, que convidou-a para tomar um café. Foi, então, que surgiu a proposta de fazer um projeto parecido de mosaicos para a APAE também. “Eu aceitei e aquele foi um trabalho tão enriquecedor para minha alma que eu nunca mais saí da APAE até que muitos anos depois, fui aprovada em um concurso público que me levou para uma escola CEIC, que também é voltada para pessoas especiais”, lembra.

Tendo trabalhado no CEIC por vários anos, Ângela considera esta experiência como parte fundamental de sua formação. Mas ainda destaca a sua relação com a revista Circuito no início de sua carreira: “Minha formação foi pela APAE e CEIC. No Ary Bouzan, eu estava como eventual, mas foi o berço para mim. Então, eu devo muito à Revista Circuito, por divulgar meu trabalho, o que me possibilitou conhecer muitas pessoas especiais”, concluiu.

Matéria sobre o trabalho da Ângela, publicada na edição 47, em agosto de 2003

Por Eric Ribeiro