Toulouse-Lautrec

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa foi um pintor pós-impressionista e litógrafo, conhecido por retratar a vida boêmia de Paris do fim do século XIX

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa nasceu em 24 de novembro de 1864, na cidade de Albi, no sul da França. Foi um pintor pós-impressionista e litógrafo, conhecido por retratar a vida boêmia de Paris do fim do século XIX. Sendo ele mesmo um boêmio, faleceu precocemente, aos 36 anos, por consequência da sífilis e do alcoolismo. Trabalhou por menos de vinte anos, mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e à quantidade de suas obras, como no que se refere à popularização e comercialização da arte. Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau. Nascido na nobreza e herdeiro de uma linhagem aristocrática francesa, seus pais esperavam que o filho seguisse o mesmo caminho nobre de sua família. Mas desde muito jovem ele já esbanjava habilidades artísticas e repudiava o mundo burguês de onde veio. Foi um menino saudável até os 14 anos, mas logo descobriram que ele sofria de uma doença genética rara, a pycnodysostosis, que ficou, mais tarde, conhecida como Doença de Toulouse-Lautrec. Trata-se de uma doença autossômica recessiva caracterizada por ossos frágeis e baixa estatura. A doença óssea congênita atrofiou suas pernas, e ele se tornou praticamente um anão, medindo apenas um metro e meio de altura.

Estudou Artes e se formou em Paris, mas seu estilo nunca foi bem-aceito nos meios acadêmicos. Sua aparência física, aliada ao desprezo ou até ao deboche das mulheres por quem se interessava, fez com que mergulhasse, cada vez mais, no mundo subterrâneo, no álcool e nas drogas. Acabou identificando-se e instalando-se no bairro boêmio de Montmartre, em Paris, que tornaria célebre em sua obra. Diferentemente de seus contemporâneos impressionistas, tinha pouco interesse pelas paisagens e preferia retratar pessoas. Frequentava e pintava muito o icônico cabaret Moulin Rouge, que mais tarde o contratou para fazer pôsteres de propaganda e também exibia suas obras. O primeiro pôster criado para o Moulin Rouge ficou conhecido mundialmente e tornou-se umas das imagens mais associadas a Paris. Dançarinas, bêbados, prostitutas e criaturas da noite eram uma fonte infinita de inspiração para o jovem artista. Estima-se que Lautrec tenha pintado mais de 1.000 quadros a óleo (737 estão catalogados), feito mais de 5.000 desenhos (275 aquarelas, 5.084 desenhos catalogados) e por volta de 363 gravuras e cartazes.

A obra Salão da Rue des Moulins é uma das mais prestigiadas de Toulouse-Lautrec. Neste quadro monumental e ambicioso, que retrata um bordel, a atmosfera é solene e sem alegria. As prostitutas descansam entediadas em divãs de veludo vermelho escuro, sob o olhar fiscalizador da severa madame. Elas parecem observar um abismo. Os olhos por trás da maquiagem vão longe, contrastando com os corpos pesados que se desmancham nos sofás enquanto esperam por encontros sexuais mecânicos. À direita, notamos a figura cortada ao meio de uma prostituta levantando suas saias para mostrar o que tem aos potenciais clientes. As mulheres em todas as suas obras surgem absortas num mundo próprio, à parte, como que inatingíveis. Solitárias e em um ambiente imprevisível, marcado por uma vontade de intimidade que nunca se concretiza.
O artista utiliza uma iluminação forte e cores dissonantes para transmitir a alegria superficial e a melancolia subjacente. “Trato de pintar a verdade, não o ideal” – este sempre foi o lema dele. Era um incrível desenhista. Seus traços eram simples, mas extremamente precisos. Capturavam não somente a aparência, mas também a essência das pessoas com quem convivia. Usava muito o vermelho, em geral de maneira contrastante com tons de verde, criando imagens esteticamente harmônicas e balanceadas. Seus traços rápidos e gestuais remetem ao movimento e à energia da subversa e opulenta vida noturna parisiense.

Toulouse retratou o seu mundo ideal cheio de personagens exóticos. Um universo à parte, acolhedor, mas perigoso, onde todos eram bem-vindos. Suas noites vazias, de corações partidos e bebedeiras homéricas, parecem se esconder debaixo das saias das dançarinas de can can.

Apesar da excepcional popularidade de seus cartazes publicitários e das numerosas litografias, o reconhecimento da importância estética de sua obra demorou a chegar. Para quem quiser conferir suas obras de perto, o Masp apresenta a mais ampla exposição dedicada ao artista no Brasil. São 75 obras e 50 documentos, sendo que 11 delas fazem parte do acervo permanente do museu e as demais são provenientes de alguns dos principais museus do mundo, entre eles o Musée d’Orsay, de Paris; a Tate e o Victoria & Albert, de Londres; e o Museo Thyssen-Bornemisza, de Madri. A exposição, intitulada Em Vermelho, já está aberta para visitantes e fica em cartaz até o dia 1o de outubro de 2017.


Vamos Observar

Salão da Rue des Moulins, 1894

Óleo sobre tela

111 x 132 CM

Museu Toulouse-Lautrec, Albi, França

Por Milenna Saraiva, artista plástica e galerista, formada pelo Santa Monica College, em Los Angeles


Por Milenna Saraiva, artista plástica e galerista, formada pelo Santa Monica College, em Los Angeles

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