
“e segue a vida, deixa rolar…”
Música: Segue a Vida – Composição: Tato/Zeider
Ricardo Cruz é o Tato, um dos cabeças do Falamansa, banda de forró moderninha, fundada no fim dos anos 1990. Nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo. É casado com Luciana Gasperazzo, 28 anos, com quem teve Ravi, que completa 1 ano em julho.
“Que no final vai ter amor e carinho”
“Se não rolou então não é pra ser!”
O grupo de forró Falamansa nasceu por acaso. Mas nem tão por acaso assim. Ricardo Cruz, o Tato, mentor do grupo fundado “sem querer” em 1998, quando o Tato inscreveu a banda em um festival universitário, sem nem mesmo existir, nem imaginava as proporções que sua vida iria tomar depois daquela apresentação. Tímido, o rapaz de 33 anos (completados em 26 de abril) se transforma no palco. Cria um personagem cujo complemento é um chapéu, que usa para “se esconder”. Morando na Granja há três anos e meio, Tato já se considera um granjeiro. Adora fazer compras, ir ao mercado, e sempre frequenta os restaurantes da região. Sua vida por aqui é muito tranquila. “Minha casa é um clube. Sempre que estou por aqui recebo vários amigos.”
Com baladas-forró românticas, e agora com uma “pegada” ecológicoambiental, o Falamansa quer ser uma voz ativa entre os jovens. “Somos uma banda de autoajuda, podemos participar de qualquer movimento, de rede gospel a católica, pois minhas músicas são de motivação, de fé, alegria, amor”, conta Tato, que abriu sua casa em uma tarde ensolarada para a REVISTA CIRCUITO. “Quero fazer o bem por meio da música”, conta o compositor e cantor.
RC: Tato, com mais de 3 milhões de CDs vendidos, uma linda casa na Granja Viana, casado com Luciana, um filho recém-nascido, o Ravi (que fará 1 ano em julho), e, para completar, quem mais arrecada direitos autorais, depois de Luiz Gonzaga, em época de festas juninas é você. Você está rindo à toa?
Tato– (risos) Agora tô rindo com motivos! (Mais risos) Agora tenho muitos motivos para rir. Sou bem realizado. Privilegiado. Eu consegui o tripé: família, trabalho e amor. A família, a música é tudo. Sou muito afortunado, não imaginava nem a metade disso.
RC: Você estudava Publicidade quando formou o Falamansa. Você pensa como publicitário para o grupo?
Tato– Penso. O chapéu, por exemplo, eu só uso nos shows (Tato está sem chapéu durante a entrevista), faz parte do meu personagem. Penso no cenário, no figurino, que atualmente é feito com material reciclado, garrafas Pet.
RC: Quantos chapéus você tem?
Tato – Tenho uns sete, oito. Eu não coleciono, mas tenho as minhas relíquias, como o que eu usei no primeiro show.
RC: Como é sua rotina?
Tato– Acordamos junto com o Ravi. Ele acorda por volta das 9 horas. Tomamos café juntos, almoçamos. Mas, de manhã, fico no “piloto automático”. Vou para o estúdio sempre às 14 horas, sou disciplinado. Faço meu horário de trabalho. Tem dias que nem me encontro com a Luciana (esposa, com quem está há cinco anos). Componho, produzo. Faço Pilates duas vezes por semana.
RC: Quem você está produzindo?
Tato – Produzo uma rapaziada que mora perto da Granja, o Planta e Raiz e o Forró Maré. Meu prazer é criar. Também fiz um curta-metragem, o Piquenique.
RC: Hoje é São Paulo, amanhã Minas Gerais, depois vocês voltam para São Paulo e participam da Virada Cultural. Como consegue?
Tato – Vamos de ônibus. Assim posso dormir, descansar. É sempre assim, e ainda depois da Virada seguiremos para Brasília. Depois, tiro uma semana de férias. É a primeira vez que a Lu e eu vamos viajar sozinhos, sem o Ravi.
RC: Como foi sua infância? Ouvia forró?
Tato – Nada disso. Ouvia heavy metal, rock-‘n’-roll. Música pesada. Sou de Piracicaba, minha família toda é de lá. Minha primeira música, fiz aos 11 anos. Era outro gênero. Aos 14, tinha uma banda de rock, mas nunca imaginei nem de perto o quanto já conquistamos e o que ainda vamos conquistar.
RC: E como você foi parar neste estilo musical, o forró?
Tato – Havia morado um ano na Alemanha e voltei com vontade de cultura brasileira. Fui passar umas férias em Itaúnas, no Espírito Santo. Lá, só se ouvia forró, a única atração noturna da vila de pescadores. Quando voltei de lá, comecei a compor instantaneamente em forma de xote, baião. Já estava contaminado. O Falamansa nasceu com 15 composições prontas.
RC: O Falamansa já nasceu um sucesso? Como surgiu este nome?
Tato – Inscrevi uma música no festival universitário e tinha de colocar um nome na ficha de inscrição e, como havia muito barulho na sala, resolvi colocar esse nome. Depois que cantamos, voltei para a sala de aula e retornei no exato momento em que anunciaram o segundo lugar. Era a minha banda, a minha música. Foi emocionante. Daí, resolvemos ensaiar no KVA (casa de shows localizada em Pinheiros). E as pessoas começaram a assistir aos ensaios. Conseguimos um dia da semana para nos apresentar, as terças. No começo, foram 38 pessoas; depois foi aumentando. Em três meses, já eram 6 mil pessoas, e mil para fora. Nosso primeiro CD vendeu 1 milhão e 800 mil cópias.
RC: Um sucesso que foi acontecendo de boca a boca?
Tato – Isso mesmo. Antes de lançarmos o primeiro CD, as pessoas já possuíam as nossas músicas. Tinha gente que chegava e falava que já tinha volume 1, 2, 3 e 4… Imagina.
RC: Qual seu maior público hoje?
Tato – Já tocamos para 120 mil pessoas!
RC: E shows?
Tato – Já fizemos cinco shows em um único dia.
RC: E como conheceu a Luciana? Quer ter mais filhos?
Tato – Aqui em São Paulo, no Dia Internacional do Forró, no Canto da Ema. Conversamos durante três noites, foi mágico. Estamos juntos há cinco anos. Quero mais dois filhos e o que vier.
RC: Já passou por algum momento delicado que você queira contar?
Tato – Em 2007, eu estava sentido dores de cabeça constantes. Quando fizemos uma turnê pelo Japão, as dores pioraram. Foi quando compus o Sol de Hirosh
ima. Quando voltei da turnê, fiz uns exames e descobri um tumor no cérebro… No dia seguinte, já estava operando.
RC: E como foi isso?
Tato – Foi muito rápido, inclusive a recuperação. Saí do hospital em duas semanas. A previsão era para eu voltar a fazer shows em cinco meses. Em 24 dias, fiz meu primeiro show. Meu médico usa meu caso para citar como exemplo de recuperação em suas palestras.
RC: Ficou com alguma sequela?
Tato – Nenhuma. Mas tive de reaprender a andar. Fiz fisioterapia e faço Pilates para fortalecer os músculos. Sou privilegiado. Descobri a tempo e deu tudo certo. Sou o que escrevo nas minhas músicas. Tudo o que escrevo é sobre motivação, mesmo que a vida não seja tão boa.
RC: Por que escolheu a Granja Viana para morar?
Tato – Primeiro porque queria um lugar de fácil acesso para estradas, e estamos próximos do Rodoanel. Então, comecei a pesquisar. Comecei vendo casas, mas quando vi o terreno, mudei de ideia. Eu mesmo desenhei a minha casa, que é em forma de piano estilizado. Meu pai ajudou na criação das portas, por exemplo, que são enormes. Construí em quatro anos e já faz três anos e meio que moramos aqui. É ótimo para compor com este verde ao redor. O gostoso é que a Granja tem horas que parece praia, depois campo. Adoro aqui, sinto-me um perfeito granjeiro.
RC: Já que você construiu sua casa, qual foi a preocupação ecológica?
Tato – Total. Temos energia solar. Captação de água de chuva por meio de cisternas. Tenho um pomar, e todo o nosso alimento, frutas e legumes vêm de lá.
RC: E o que tem de melhorar?
Tato – O trânsito da Raposo Tavares. Tem de haver um planejamento. E as melhorias têm de acontecer agora.
A esposa:
Luciana Gasperazzo, 28 anos, fez Administração de Empresas e atuou como modelo durante quatro anos, só parou quando Ravi nasceu. É quem cuida das finanças da família. Adora a paz que tem na Granja. “Acho que só moro em São Paulo porque estou aqui” (na Granja), conta. Sempre que pode, acompanha o marido nas turnês, mas desde o nascimento do Ravi, ela tem deixado de acompanhar a trupe.
RC: Sente ciúmes do Tato?
Luciana – Já senti, agora trabalho bem isso, se não seria muito difícil. Acho que ele é quem sente mais ciúmes de mim. (risos)
Solange Viana
SHOW DA VIRADA – DOMINGO – 17/4/11, 16 HORAS
Luzes acesas, a voz de Tato surge por trás do palco… “Deixa entrar que a fala é mansa ai ah. Se você soubesse o valor que você tem, que nos fortalece se esse som te faz feliz. Agradeço a Deus por estar aqui, é a nossa vez, 10 anos de história, Falamansa pra vocês”. (a plateia delira!) Começa com o Xote da Alegria. São 16h02 quando os quatro integrantes do Falamansa entram no palco. O show acaba à 1 hora e sete minutos depois. Nessa uma hora de show, Tato comandou cerca de 20 mil pessoas que se espremiam para ver a banda. Dançou, pulou, filmou o público. Ao final, pergunto se ele gostou. “Eu gostei muito, e você? Quero saber se você gostou”, ele me pergunta sorrindo. Esse é o Tato, ele se preocupa com que o seu público pensa… Ele sabia. Ganhou uma fã. (SV).
FALAMANSA:
A banda Falamansa é formada por Tato (violão/voz/composição), Alemão (zabumba), Dezinho (triângulo e percussão) e Valdir do Acordeom (sanfona). Já poderia se consagrar como uma banda que atingiu suas metas. Falamansa vendeu 3.500.000 discos, tem presença anual garantida nos maiores festivais de música internacionais, agregando a seu currículo mais de dez países, e consegue ser unanimidade quando o assunto é forró. São 13 anos de estrada. Para saber mais: www.falamansa.art.br
Fonte: Falamansa.











