No interior da casa localizada no Sítio do Mandú, há um quarto sem janelas. As pesquisas dizem que poderia ser um quarto de enfermos, um lugar para resguardar as mulheres das visitas, ou até um altar.
Não há como saber ao certo qual a finalidade do aposento, mas para o casal que invadiu o sítio a procura de privacidade, parecia um lugar perfeito.
Vazio, longe de olhares e de graça, o casal já começava a realizar o que pretendiam quando tiveram a brilhante ideia de ir ao Mandú.
Apenas com roupas íntimas, o casal revezava o sentimento entre chegar logo aos ‘finalmentes’ e tornar aquele momento eterno e estranhamente romântico.
Mas um barulho vindo de um dos quartos os fez questionar se realmente estavam sozinhos ali.
Ele tentou amenizar a tensão do momento e acalmá-la, para o mais depressa possível continuar a transa, mas a este momento ela já estava tentando colocar a calça.
“Relaxa, aqui é tudo muito velho, faz barulho mesmo. Você não viu que nem vigia aqui tem? Você acha mesmo que se tivesse alguém iria ficar entocado aqui nessa casa quente?”, insistiu ele, esperando que ela declinasse da decisão de ir embora.
Puxou-a para perto de si e começou a beijá-la, conseguindo que ela tranquilizasse os nervos.
Menos de um minuto depois voltaram a ouvir o barulho, só que agora muito mais perto, como se alguém caminhasse no cômodo ao lado. Seguido de passos, gemidos de dor.
Ela se desesperou e começou a abraçá-lo.
“Tem alguém aqui. Vamos embora, pelo amor de Deus”, gritou ela.
“Quem está aí”, disse ele, “eu estou armado, vou meter bala se continuar com essa brincadeira”, ameaçou ele, mas desarmado.
Neste momento, uma mulher pálida, com cabelos castanhos maltratados abaixo dos ombros e uma longa camisola passou em frente a porta do local em que estava.
Um temor tomou conta dos dois e os deixou mudos.
A garota fechou os olhos e se agarrou ao namorado, na expectativa que ele tivesse alguma reação que a conforta-se, mas ele estava imóvel.
Sem pensar muito a garota soltou o namorado e correu para a porta oposta à aparição da mulher, mas antes de chegar à saída, como que em câmera lenta a mulher apareceu em sua frente.
Tentou voltar, mas era tarde demais. A mulher agarrou a sua perna e começou a puxá-la pela casa.
O rapaz apenas assistia tudo aquilo atônito, ainda sem nenhuma reação. Apavorado.
A mulher lançava a garota contra as paredes da casa, arrastava-a pelo chão, e após longos minutos dessa tortura a soltou no meio do cômodo, já sem vida.
O pavor tomou ainda mais conta do rapaz que estava a ponto de desmaiar de medo, mas resolveu que aquilo não o salvaria, então manteve-se firme.
Mas a súbita coragem não o ajudou em nada.
A mulher estava parada em um canto da sala, o observando apoiado na parede, no outro canto.
De repente, algo o levantou do chão. Ele gritava pedindo ajuda, mas a privacidade que antes era tão desejada, agora não o ajudaria em nada.
O rapaz foi arremessado ao teto e ao chão várias vezes, tingindo de vermelho o chão e a parede.
Então os movimentos cessaram e seu corpo ficou jogado no chão.
Respirando com muita dificuldade, deitado ele viu a mulher se aproximar, abaixar, chegar bem perto ao seu ouvido e dizer: “bom dia!”.
(Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência)














