Esse estilo de vinho não é novidade: há muito tempo se produzem vinhos com uvas desidratadas. No entanto, tradicionalmente, esses vinhos são doces. Neles, o açúcar não é totalmente convertido em álcool, pois a fermentação é interrompida, dando origem a vinhos mais alcoólicos e com doçura perceptível.
Entre os exemplos mais conhecidos estão o Passito, da Itália, elaborado com uvas secas em esteiras, e os vinhos Late Harvest, produzidos em diversas regiões do mundo, a partir de uvas colhidas tardiamente, que se desidratam naturalmente ainda na videira.
Entretanto, a nova tendência é utilizar apenas parte das uvas passificadas, ou mesmo uvas semidesidratadas, na elaboração de vinhos tintos secos, e não apenas doces.
O objetivo é obter vinhos mais alcoólicos, estruturados e intensos, com grande concentração aromática. São vinhos que frequentemente apresentam notas de frutas maduras, lembrando geleias e compotas no olfato.
Esse método é utilizado há séculos na produção do consagrado Amarone, na região de Verona, na Itália. Trata-se, sem dúvida, de um dos grandes vinhos italianos. Apresenta aromas de cerejas em compota, ameixas maduras, pétalas de rosa e especiarias. Em boca, é encorpado, intenso e com longa persistência.
Atualmente, produtores de diversos países vêm lançando seus “estilos Amarone”, utilizando uvas parcialmente desidratadas. Destaque para Espanha, Argentina e outras regiões italianas. Prepare-se para encontrá-los com mais frequência no mercado nos próximos meses.
Vale a pena explorar esses tintos de perfil mais intenso quando as temperaturas começarem a cair. Eles harmonizam perfeitamente com o clima de serra da Granja Viana.
Saúde!
Paula Porci é consultora, palestrante e colunista de bebidas.
Juíza de vinhos Sommelière de vinhos ABS-SP e AIS-FR e
fundadora da Confraria das Granjeiras.

















