Edição 119: novembro de 2009

Mais uma primavera chega e, em seguida, os dias azuis e quentes nos trarão o esperado verão. Fim de ano, festas, férias. Respiramos aliviados sonhando com aqueles poucos, mas merecidos, dias de descanso. Contudo, sempre fica a sensação de que não conseguimos fazer tudo o que havíamos programado. Será que nos organizamos direito? O que não deu certo? Sentimo-nos culpados, nos achamos incompetentes. Mas a verdade é que o tempo está curto. O dia a dia é atribulado demais para homens e mulheres que trabalham, e a qualidade de vida cada vez mais rara.
O trânsito é um dos principais fatores que agravam essa realidade. Ele ocupa um tempo precioso de todos os que vivem, estudam e trabalham na cidade. Tempo precioso de nossa vida, tempo que deixamos de fazer inúmeras outras atividades ligadas à cultura, ao lazer, aos estudos, à família e aos amigos, além do tempo que perdemos de sono e descanso.
Lendo uma reportagem com Silvio Meira, 53, pernambucano, doutor em ciência da computação pela University of Kent, Inglaterra, e consultor do Programa da ONU para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico, me encantei com as previsões que ele fez para um futuro próximo. Ele diz que, se optarmos pelo caminho certo, daqui a 30 anos estaremos morando em vilas, passando mais tempo com nossos filhos e viajando apenas para fazer turismo. Se optarmos pelo caminho certo, em 30 anos, nós, mulheres, teremos conseguido, definitivamente, resolver a equação casa/família/realização profissional, e não andaremos pelo mundo carregando as culpas de hoje e o sentimento de estar, todos os dias, em falta com alguma coisa.
Não serão necessárias ruas mais largas e mais viadutos, pois teremos uma necessidade menor de deslocamento. Segundo ele, isso é fundamental para a sobrevivência da cidade. O mundo será mais humano, mais simples e mediado por tecnologia para fazer com que as pessoas voltem a viver nas suas vilas, para que elas voltem a andar até a padaria, para que tenham mais tempo para seus filhos. Silvio diz que moraremos em vilas conectadas.
Pois a nossa Granja Viana está seguindo esse caminho. A vila está crescendo e trazendo, com isso, uma diversidade de serviços até outrora inimagináveis para muitos moradores antigos da região.
Trabalhar e morar por aqui é algo com que todos os granjeiros sonham, pois seria aproveitar o melhor da Granja Viana sem ter de engolir o pior: o trânsito na Raposo Tavares. Nossa edição foca o crescimento, e temos para ilustrar a capa o senhor Alexandre, que chegou por aqui na década de 40. Hoje, com quase 90 anos, ele admira as mudanças da região e, juntamente com sua família, todos nascidos e crescidos em Cotia, faz um balanço positivo do conforto que o desenvolvimento trouxe para sua vida.

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