Famílias que fizeram história

FAMÍLIAS E HISTÓRIAS

Reconstruir a história da cidade de Cotia é resgatar um conjunto de valores preciosos para quem vive nela. É através da história e das fotografias que as lembranças permanecem vivas, sem deixar que o passado se perca em meio às novidades do presente e as expectativas do futuro. Mergulhe nesta viagem e conheça um pouco mais do município em que você vive.

Família Camargo

  

Impossível não se emocionar ao escutar Laércio Camargo contando o quanto sua família foi essencial para a construção da história da cidade.

As lágrimas não hesitaram em aparecer no seu rosto ao se lembrar de seu pai, Lino Leite de Camargo, autodidata, nascido em 1919, que administrou o Morro Grande em tempo de seca e teve de controlar a economia de água na região.

A família Camargo instalou-se em Cotia em razão da histórica briga com a família Pires. Os Pires ficaram em São Paulo e os Camargo migraram para Cotia, que na época compreendia Barueri, Jandira, Embu das Artes, Vargem Grande Paulista, entre outras cidades.

Lino nasceu em terra cotiana e ficou órfão aos 9 anos de idade. Seu pai, avô do Laércio, tinha um açougue na região central da cidade. “Ele matava os bois perto do riacho da Rua Antônio Mathias de Camargo (atual córrego são luiz mirim)”, conta orgulho.

Como perdeu o pai cedo, Lino, sem ter nenhuma propriedade, foi morar de favor com a mãe atrás do campo de futebol do Morro Grande, no sítio de Nhá Mariabel, próximo da comunidade das Nhás Mulatas, que deu origem à Estrada das Mulatas.

Ainda jovem, foi trabalhar como cobrador no ônibus de Emílio Guerra (ex-prefeito de Cotia), na linha que fazia Cotia−São Paulo.

Aos 18 anos, Lino prestou um concurso para trabalho braçal no Morro Grande e estudou sozinho, apesar do pouco ensino que havia tido. “Meu pai tinha uma cabeça fora de série”, comenta Laércio. Ele passou no concurso e começou a trabalhar com picareta, pá e enxada na mão. Nessa época, pegava os livros dos químicos que trabalham com ele e aprendeu sozinho muito da área. Depois, vieram os concursos para tratador de água – onde obteve sucesso total –, e depois de alguns anos para administrador do Morro Grande, onde começa a linda história de amor entre a família de Laércio e a Reserva do Morro Grande.

Lino casou-se com Ignez Félix de Camargo e teve cinco filhos: Edith, Lininho, Nelsinho (em memória), Laércio e Paulo. Todos enraizados em Cotia até os dias de hoje. Chegou a ser candidato à vice-prefeitura, mas perdeu a eleição para Ivo Mario Isaac Pires e Kenji Kira, que ficou como viceprefeito.

Já Ignez, mãe de Laércio, nasceu e morou onde, atualmente, é a Reserva Florestal do Morro Grande. Sua família era sitiante, e ela era de um espírito caridoso indescritível: atendia os doentes na porta de casa, dava injeções, fazia curativos. “Se a pessoa morava muito longe e tivesse de ser medicada de quatro em quatro horas, minha mãe oferecia um quartinho de nossa casa para que ela ficasse lá”, conta, emocionado, o cotiano.

1 Família Domingues
1ª Miss Cotia, em 1950. Albertina de Moraes Domingues, casada com o falecido Francisco Antonio Domingues, conhecido como Chico Vaz.

2 Família Bolli
1976. Maria dos Anjos, dona Terezinha Bolli, Lurdinha Victor, Valéria Torrezani e Carlinhos Bolli.

3 Família Pires
1986 – O ex-prefeito Ivo Mario Isaac Pires cumprimentando o presidente Sarney.

4 Família Kira
O prefeito Kenji Kira inaugurou a Praça Dr. Niso Vianna, em 1972. Filho de imigrantes, seus pais vieram do Japão para trabalhar em uma fazenda de Ribeirão Preto, de onde fugiram depois de cumprir os quatro anos de contrato. Por causa da linha de trem, instalaram-se em Itapevi, onde nasceram os três primeiros filhos da família Kira. Mais tarde, mudaram-se para Cotia, onde arrendaram e depois compraram terras dos Novaes, localizadas às margens do Córrego Poscium, com 36 mil metros quadrados. Lá nasceram os outros seis filhos da família, inclusive Kenji Kira, em 1932, no km 24 da Rodovia Raposo Tavares.

 

Cachoeira da Graça, onde a avó do Laércio lavava as roupas dos antigos funcionários do DAEE. Enquanto isso, o seu pai, Lino, pescava lambaris para garantir a mistura do almoço. Quando não estava pescando, tirava leite das vaquinhas e levava até as famílias do Morro Grande. Uma caminhada de mais ou menos 3 quilômetros.

Hoje na profissão de médico oftalmologista, Laércio relembra sua infância em um paraíso chamado Morro Grande. “Lá tinha escola do estado, rede de esgoto e área de lazer como nenhum lugar tem aqui”, relembra. Apesar disso, a deficiência de informação, pela falta do telefone, de televisão e transporte público, era um grande problema e isolava as famílias que ali moravam.

Fora do eixo Raposo, foi no Morro Grande que foi feito o primeiro asfalto do município, por causa da estação de tratamento de água da Sabesp, isso por volta de 1960. Na década de 1960, para continuar os estudos do ginásio, Laércio seguia para Cotia diariamente e, na época, já começava a se interessar pela Medicina.

Foi funcionário da Lucas CAV, onde hoje é a Delphi.

Começou a ir até São Paulo fazer curso de inglês, com muito sacrifício e com os irmãos ajudando o pai a bancar.

Influenciado pelo cunhado médico, Laércio foi fazer cursinho para prestar Medicina. Foram oito anos de faculdade em Botucatu. Apesar da vasta oferta de trabalho para um médico especialista, optou por estar perto da família e voltou, em 1984, para Cotia, onde abriu seu consultório, equipado com a ajuda do irmão.

O convite para o ingresso na política veio um pouco depois, e não lhe faltavam ideias para auxiliar na administração da cidade, afinal, herdou de seu pai uma visão administrativa e de liderança, e da sua mãe, uma visão comunitária.

Foi vereador em 1988, ganhou novamente em 1992 e em 2004. Foi secretário da Saúde por duas vezes e assumiu a Pasta de Meio Ambiente  urante o governo de Carlão Camargo.

Sempre batalhou pelo Plano Diretor de Cotia, e foi o criador do Plano Diretor da Saúde no município.

Existem diversas famílias Camargo, de linhagens diferentes. A família de Laércio não tem relação com a família de Carlão Camargo, atual prefeito de Cotia, mas tem raízes fortes com Diego Antônio Feijó, que, abandonado quando criança, foi criado por Maria Gertrudes de Camargo, de quem declarou ser filho quando fez o testamento, aparecendo também o nome de seu marido, Félix Antônio Feijó, como seu pai. Diego Feijó nem chegou a conhecê-lo, pois já era falecido.

Levado para Cotia, foi educado em Santana de Parnaíba pelo padre João Gonçalves Lima, seu padrinho de crisma. Diego Antônio Feijó foi deputado geral por São Paulo (1826 e 1830), senador (1833), ministro da Justiça (1831-1832) e regente do Império (1835-1837).

Segundo o historiador João Barcellos, a rixa ideológica entre as famílias Pires e Camargo foi um reflexo direto das causas políticas e sociais que levaram à tomada do poder pela elite filipina castelhana.

 

1 Família Fecchio
A família, que possui diversos estabelecimentos comerciais em Cotia, em sua primeira oficina.

2 Família Pinto
Anos 1950. Esporte Clube Portão. No destaque, o goleiro Dito Pinto.

Vida política
3
1951. Construção da Roselândia. Carmelino, Waldemar Albano e um dos donos da Roselândia, Sr. Arno.
4 Anos 1980. Governador Montoro sendo observado pelo dep. Hélio César Rosas, Quinzinho Pedroso, Ivo Mario Isaac Pires, Albano e Mauro Pires.
5 Anos 1980 – vereadores de Cotia: Albano Júnior, Dito Pedroso, Mansur, Cornélio e Nino (estes dois últimos já falecidos).

Agradecimentos: A REVISTA CIRCUITO agradece ao jornalista Beto Kodiak, à Família Fecchio, à Família Pires, à Família Kira e à Família Bolli por ceder as fotos para esta matéria.
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