Peço desculpas aos meus nobres leitores, pelo uso de uma palavra chula que utilizarei neste texto, que foi inspirado num vídeo, disponível no YouTube, no canal Hipócritas (Libera Pêndulo). Infelizmente, a palavra é a que mais define a onda que vivemos atualmente no Brasil. Trata-se da desmerdalização da merda. Explico utilizando-me de algumas hipérboles não tão hipers assim: Fulano roubou. Ok. Fez m…, mas coitado ele não fez por mal, né? Nem é tão grave assim. As drogas fazem mal? Sim, mas também não é tannnto assim. Deixa pra lá. Já o tráfico é ruim, mas o cara só é amigo dos traficantes, é boa gente, então deixa quieto. Temos uma onda desmerdalizadora. Nada é tão grave se te faz feliz. A lei existe e é boa, mas a lei é; bem, a lei depende de interpretação, né? Muda-se a lei para que o homem fique bem, mesmo fazendo m… O estuprador vai preso, mas um juiz tem um ponto de vista diferente, e solta o infeliz. O político corrupto assaltou os cofres públicos? Tirou dinheiro da Saúde, da Educação, destruiu o país, montou uma quadrilha, deixou o povo mais pobre? Depende. Foi só caixa dois, ou crime eleitoral. Não dá em nada. Mas ele foi julgado e condenado em duas instâncias! Sim, mas ele foi perseguido. Deixa livre. Desmerdaliza-se o meliante. O magistrado foi pego em flagrante delito? Aposentadoria compulsória nele, com direito a receber salário integral sem trabalhar forever and never! E assim seguimos desmerdalizando tudo. O aluno da rede pública teve péssimo desempenho escolar, foi agressivo com os mestres e arrumou briga na escola? Ele tem problemas, a culpa é do professor, passa ele de ano. E assim nesse contexto vamos criando heróis que são vilões e nivelando por baixo a cultura nacional. A polícia prendeu aquele suspeito? Suspeito? Mas ele foi pego no flagra assaltando uma velhinha? Ah! Mas a polícia é violenta. E o “suspeito” vira vítima. Aí o Aderbal, 30 anos, mora com a mãe, não trabalha nem nunca trabalhou, joga Minecraft, fica na TV o dia inteiro, e posta fotos no Instagram com caras e bocas de milionário, olha para as besteiras que faz e declara solenemente: Tudo é culpa sua, mãe! Do governo, da sociedade e do capitalismo! Mais uma autodesmerdalizada. Por toda essa situação, nós eleitores temos nas próximas eleições uma obrigação. Mudar esse panorama. Deixar essa onda não avançar. Podemos fazer as perguntas básicas antes de escolher um candidato a prefeito e a vereador: Existe algum processo civil ou criminal contra você? Qual a sua formação acadêmica? Tem experiência em administração? Quais seus planos para a Educação, Saúde e Transportes públicos? Tem planos para acabar com os privilégios e modificar o sistema que perpetua a pobreza? Possui renda suficiente para não precisar da política para viver? Sabe qual a função de um prefeito ou vereador? Já dirigiu alguma empresa? Qual seu grau de experiência em humanas e exatas? Você conhece a Constituição Federal e a lei orgânica dos municípios? Qual sua contribuição para as políticas sociais? Tem autonomia para votar conforme as reais necessidades da população ou está subordinado aos interesses do partido? O candidato em geral tem um site para contato. Alguns divulgam telefone. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem os dados de todos os candidatos, e no Google podemos puxar a capivara de cada um deles com o respectivo histórico. Dessa forma, com um pouco de paciência e pesquisa, podemos escolher mais conscientemente nosso candidato e evitar de fazer… bom, você já sabe, né?
Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas


















