Será que nesse mundo há alguém que não tenha dúvidas em relação ao melhor caminho para seguir? Será que existe um ser humano que esteja convicto das decisões que levaram a um bom destino?
Desde seus sete anos de idade, com o falecimento de sua mãe, Miao You, natural da Malásia, tinha essas dúvidas. “Eu pensava, será que com a morte tudo acaba? Será que após a vida nesse mundo não há mais nada”, se indagava Miau.
Duvidas também povoavam a cabeça de Jue Xuan, que mesmo aos 21 anos de idade, cursando a faculdade de administração em Taiwan, pensava se realmente o que aprendia naquela instituição supriria as suas expectativas em relação à vida.
Aos 14 anos de idade, Miao teve seu primeiro contato com a fé budista por meio de um livro, presente de um amigo.
“Tenho este livro até hoje. Ele não tem tradução para o português, mas em uma tradução livre, seria O ponto de vista budista através da ciência. Ele despertou em mim a curiosidade de saber mais sobre o budismo e respondeu algumas dúvidas”, diz Miao.
Para Miao, o que ela leu sobre o budismo era muito lógico, e fazia referência a ação e reação, ciclo da vida e outros assuntos que estava relacionados ao momento que passava.
Naquela época, segundo Jue, não havia acesso a internet, então a informação e respostas para as perguntas tinha de ser buscadas.
“Hoje temos o Google, que mostra tudo o que pesquisamos. Porém mesmo com essa pesquisa, você não vivencia experiências. Podemos citar algo como a praia de Copacabana, que você poderá encontrar lindas imagens na internet, mas nada será como visitar pessoalmente Copacabana”, declara.
Jue explica que a pratica em seu caminho é interiorizada. E cita outro exemplo, como ouvir que maçã é uma fruta saborosa, não tem o mesmo gosto que prová-la.
Ainda na faculdade, Jue percebeu que as matérias abordadas na instituição que estudava, eram limitadas e não respondiam inúmeras dúvidas que ainda possuía sobre a vida.
Ela foi percebendo que não há um material, uma fórmula que resolva todos os problemas da vida, pois situações imprevistas acontecem. E Mesmo que haja uma solução para certos assuntos, esta solução pode não ser viável para outros momentos.
Sua preocupação era, “se realmente houver algo que a beneficie todos os seres, quero ser parte dessa solução”. Sem encontrar este “algo”, Jue entrou em uma área pessimista em sua vida.
Tempos depois, com uma doença que quase a levou a óbito, ela passou a conhecer melhor a fé budista.
Hoje, Jue Xuan,44, e Miao You, 37, são mestra no Templo Zu Lai, localizado em Cotia. Ambos continuam com dúvidas e problemas, mas os encaram de forma muito diferente.
“Nós temos limites. Tenho apenas dois braços e duas pernas, mas como multiplicarei isso para alcançar mais vidas, para ajudar mais pessoas? Quando optamos pela vida monástica, descobrimos um modo mais eficaz de ajudar nas pessoas. Eu sou uma gota d’água, mas quando entro no mar, eu viro o mar e o mar vira eu”, afirma Miao.
A mestra diz que antes de optar pela ordem monástica, você enfrenta apenas os seus desafios, quando segue a fé budista, passar a ajudar pessoas a superar seus problemas.
“Temos problemas, mas o encaramos com tranqüilidade”, diz Miao.
A mestra Jue concorda e acrescenta. “Tudo depende da forma que encaramos os fatos. Se pensamos em um problema como simples problema, ele será apenas isso, um problema. Mas se visualizarmos a situação como um desafio, esse problema será algo importante para a evolução pessoal”.












