Turismo: De mochilão pelo Sudeste Asiático

Cresci numa família que sempre se empolgou em arrumar as coisas no carro, fazer bolo de chocolate para comer no caminho, acordar de madrugada e ir, na maior parte dos fins de semana, para o litoral sul.

Na faculdade, enquanto alguns gastavam dinheiro em festas, eu pagava a mensalidade e guardava uma parte para a minha primeira aventura internacional.

Fui primeiro para Cidade do México e Cancún. Então, o bichinho viajante me picou e eu não parei mais.
Fiz amizades, conheci pessoas com os mesmos desejos, que compartilharam das mesmas vontades, do mesmo quarto e até do mesmo prato que eu.

Minha última viagem pode ser resumida da seguinte maneira: com uma mochila de apenas 6 quilos nas costas, fui rumo ao desconhecido, ao que muitos consideram inviável ou até mesmo sem lógica.

Comecei o tour asiático pela Tailândia, o país dos sorrisos, como é conhecido. Bangcoc, a capital, tem shoppings de alto nível, muitas barracas com comida de rua, casas de massagem, templos belíssimos e sol. O trânsito de Bangcoc é tão confuso quanto o mexicano, mas há algo diferente: eles não buzinam, acham desnecessário.

O transporte é feito por metrô, skytrain, tuk tuk, ônibus e táxi; ainda tem o ferryboat, que é um dos meios de transporte mais usuais e baratos por lá. Na “Rua dos Mochileiros”, uma rua turística, há diversos bares e comidas exóticas, como escorpião, larvas, baratas, entre outros. Comi escorpião e larva e, se não fosse toda a parte amarga, até que colocaria no meu cardápio brasileiro.

Já ao norte da Tailândia, é possível conhecer e abraçar tigres, dar banho em elefantes, relaxar em um spa, fazer curso de massagem e mais uma infinita lista de cursos. Foi lá, depois de duas horas de viagem do centro, que cheguei a um templo do budismo tibetano e fiz uma tatuagem com um monge sem pagar nada. Foi uma das melhores experiências da minha vida. No sul, praias de águas cristalinas. Maya Bay é uma delas, a famosa praia do filme A Praia.

A comida é uma delicia! Comi nas barracas de rua e, acredite, é tranquilo. Fried Rice, Fried Noodle, fish balls, meat balls, papaya salad. São comidas leves e saudáveis. Escorpião, larva etc. são para turistas, apenas.

Em seguida, veio Laos. País pequeno do Sudeste Asiático, ex-colônia da França e um dos lugares mais pobres da Ásia. Está entre Tailândia, Vietnã e Camboja e é cheio de maravilhas naturais. Pelo meu roteiro, ficaria dois dias em Luang Prabang, mas não consegui e fiquei seis. Precisei passar por uma viagem de ônibus tumultuada para chegar até lá. A cidade é muito tranquila; não há trânsito, barulho e as baladas fecham às 23 horas!
Lá, você pode nadar com lindos elefantes, fazer trekking até cachoeiras lindas (nível difícil), visitar vilas encantadoras e comer bem. Há de tudo, desde um pão simples até baguetes francesas deliciosas, e não sai por mais de 10 mil kips, ou seja, dois reais.

Um lugar em que as crianças brincam nas ruas do centro da cidade descalças e apenas com a sua criatividade. Os brinquedos são pouco comuns por aqui; sorrisos e gargalhadas são mais. Em seguida, 30 horas de ônibus rumo ao Vietnã. Laos é completamente o oposto de Hanói, a minha primeira cidade do Vietnã. São motos com barulho, pessoas e, apesar de toda a confusão mental que você tem ao chegar a esse país, ele continua sendo incrivelmente fantástico. Hanói foi a cidade mais asiática de todas que conheci; aquela em que eu comia na rua todos os dias, mas com receio. Um pouco menos de higiene, mas uma confusão positiva. A três horas de lá, fica Ha Long Bay, uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, e vale a visita.
Agora, se você procura monumentos esplendorosos, o Camboja é o destino certo. Camboja tem praias belas e mais vazias que as do sul da Tailândia. Como um país em reconstrução, após uma guerra civil, que matou quase um terço da sua população, estampa um sorriso no rosto para qualquer pessoa que esteja passando?

Quando você pensa no Camboja, lembra de Tomb Raider e Angelina Jolie.

Por último, fui para Malásia e, um dos lugares mais encantadores em que pisei foi a ilha Langkawi.
Viajar para a Ásia é barato e a comida, em geral, é muito boa. Você não vai passar fome nem passar mal, pelo menos no Sudeste. 

Foram cinco países, algumas cidades, uma tatuagem, sabores, sorrisos, abraços, amigos e a certeza de ter vivido a experiência mais especial de todas que vivi na vida.

Mariana Fischer é publicitária, fotógrafa e moradora da Granja Viana. 

E-mail: mariana_fischer15@yahoo.com.br

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