A febre dos Gogo’s

CAPA

A febre dos
Gogo’s

Presentes em mais de 12 países, os pequenos personagens colecionáveis viram mania entre crianças e adultos

 Enquanto a tecnologia invade, em ritmo frenético, escolas, casas e empresas, Roberto Marinho, um dos responsáveis pelos Gogo’s Crazy Bones, comemora o sucesso e a aceitação das miniaturas coloridas fabricadas para criar manias e fazer a alegria de crianças, jovens e adultos.

Sem botões, controles, baterias e funcionalidades supermodernas, eles exploram as brincadeiras lúdicas e a socialização dos colecionadores.

Apesar de todo o crescimento que a marca alcançou – hoje com uma extensa linha de produtos, entre roupas, jogos e materiais escolares –, são considerados os brinquedos colecionáveis preferidos de meninos e meninas entre 5 e 12 anos na Europa e já conquistaram toda a América Latina.

Atualmente, os Gogo’s também são utilizados por educadores em salas de aula, pois ajudam a disseminar a socialização entre as crianças, possibilitam a interação e auxiliam no desenvolvimento do raciocínio lógico.
 
A mania deu tão certo que em 2010 as miniaturas foram eleitas uma das quatro melhores marcas e brinquedos pela The International Licensing Industry Merchandisers’ Association (Lima), ao lado de Barbie, Hello Kitt y e Pucca.

Conheça, agora, mais deste brinquedo e do executivo que está por trás desta febre que detém respeito e reconhecimento mundo afora.

RC: Roberto, conte-nos quando começou a trabalhar no segmento de brindes.

RM: No ano de 2004, ingressei nesse segmento. Foi uma oportunidade muito boa, tratando-se da PPI Worldwide, empresa especializada na produção de brindes promocionais para campanhas de marketing de varejo. Comecei a desenvolver um trabalho focado em identificar as  necessidades das empresas e ampliar suas vendas com uma ferramenta de marketing, que é a promoção. Montamos um modelo de negócio para atender esse empresário e tornar a compra mais divertida e interessante, afinal, que consumidor não gosta de receber um brinde durante a compra? Criamos um modelo de negócios, que é o “comprou, ganhou”, e que contempla todos os compradores.

RC: Como começou sua história com os Gogo’s?

RM: Na década de 1990, a Coca-Cola lançou um brinde chamado Geloucos, criado pela PPI. Percebemos que os Geloucos tinham um apelo muito forte; era um produto com vida própria e muita personalidade. Na ocasião, foram vendidos mais de 3 bilhões no mundo inteiro. Em 2003, a companhia lançou mundialmente o Gogo’s Crazy Bones série Fantasmas, que teve 10 milhões de unidades vendidas somente no Brasil. Entrei na empresa em 2004 e tomei conhecimento desse projeto. Então, pensei que o brinquedo agradaria à criançada e poderia se tornar uma mania nacional. E foi exatamente o que aconteceu. Abrimos a oportunidade de usar os Gogo’s em ações promocionais e começamos a fechar grandes parcerias. O vicepresidente de uma empresa de ovos de Páscoa entrou em contato conosco e sugeriu que colocássemos os Gogo’s como brinquedo nos ovos. Foi nesse momento que percebi que o produto tinha vida. A PPI, baseando-se no sucesso alcançado na Europa, começou todo um movimento no país e me colocou à frente do projeto. O negócio explodiu e se tornou uma mania enlouquecedora.

RC: E como vocês conseguiram manter este sucesso?

RM: Em 2009, a miniatura deixou de ser vendida apenas em bancas de jornal para ganhar as grandes redes de comércio de brinquedos, papelarias e sites de compras. É um produto barato e acessível a todas as famílias; pode ser encontrado no mercado a partir de 2,25 reais e em dois tamanhos: macro e regular. Atualmente, os produtos da marca Gogo’s competem com outros brinquedos. Hoje, é possível encontrar quebra-cabeças, brinquedos cartonados, jogos colecionáveis, tubos e latas com coleções de Gogo’s, enfim, cada brinquedo tem o seu preço diferenciado e cada um deles atende uma categoria. Na Europa, a adesão é absurda. Na Holanda, país com 7 milhões de habitantes, fi zemos uma ação – finalizada há quatro meses – em um pequeno supermercado. Foram comercializados 27 milhões de unidades de Gogo’s, ou seja, uma média de três miniaturas por habitante. Isso mostrou o potencial que o brinquedo tem. Percebemos que, apesar do pouco tempo de vida útil, a mania sobreviveria após as promoções.

RC: O que significa Gogo’s?

RM: Gogo’s faz uma alusão ao jogo criado por nossos ancestrais, que jogavam com ossos, dentes e vértebras. Os Gogo’s são como “ossos loucos” e seguem um conceito de mangá e toy art. Se reparar atrás do bonequinho, verá que ele tem a forma de um dente.

RC: Foram lançados Gogo’s da Turma da Mônica. Como foi esta negociação?

RM: Temos um grande parceiro no Brasil, que é a Editora Panini, que tem contrato com a Mauricio de Sousa Produções. A Panini nos aproximou do Mauricio, que já queria criar um toy art dos personagens e percebeu que os Gogo’s poderiam ser uma ação diferenciada pela grande aceitação que têm. Desenhamos toda a coleção e a apresentamos. O Mauricio e sua equipe gostaram muito. E, então, demos prosseguimento às negociações de como seria desenvolvido o projeto. Já o modelo de negócios, construímos juntos, a seis mãos, nós da PPI, a Panini e o Mauricio, e ficou tão bacana que conquistamos oito contratos de licenciamento com grandes empresas. Os loucos por Gogo’s já podem adquiri-los. Já estão disponíveis no mercado.

RC: Roberto, fale sobre os projetos em andamento.

RM: Estamos com mais de 200 projetos da marca em andamento no mundo inteiro. São empresas que nos procuram para associar seus produtos à marca Gogo’s. Temos, hoje, muitos produtos da marca. O segmento de volta às aulas, chamado “Back to School”, é supercompleto, com mochilas, cadernos, apontadores. Temos sandálias, camisetas, sapatos. Todos esses produtos são comercializados em diversos países, apesar de na Europa a linha de produtos ser mais abrangente.

RC: O que os Gogo’s representam para você e para o mundo?

RM: A marca e o produto representam muitas coisas para mim e me trouxeram muito reconhecimento. Antes eu era um executivo. Hoje, sou um executivo da marca Gogo’s, que é única e exclusiva. Temos outros concorrentes da mesma categoria, porém, não identifico no concorrente a mesma abordagem, com a proposta colecionável, lúdica e q
ue proporcione sociabilidade entre as crianças.
Temos equipes de criação, tanto no Brasil quanto em outros países, que se reúnem e, da reunião, sai uma nova coleção baseada em tendências de mercado, interesse das crianças e no que acreditamos ser relevante e interessante para o consumidor.
Gosto de todos eles. A cada coleção, percebemos que existe uma preferência por um ou outro.

RC: Você tem novidades para contar à REVISTA CIRCUITO?

RM: Tenho, sim, grandes novidades. Os Gogo’s estarão na TV. Já fizemos o piloto e o projeto está em desenvolvimento nos Estados Unidos. Portanto, os fãs já podem esperar a série animada na TV dos Gogos’s Crazy Bones, que tanto pode ser para um canal aberto quanto fechado, e veiculado no mundo inteiro. Tudo vai depender das negociações. Os personagens já têm nomes e todos já foram modelados, mas é surpresa. Outra novidade é que fechamos com uma empresa de produtos tematizados para festas infantis e, em breve, estaremos comercializando uma linha completa para aniversários. Outra ação bem legal foi a criação de um trailer com Gogo’s, e lançamos uma música que ficou entre as dez mais executadas na Holanda. Um grande hipermercado abraçou a campanha e foi um sucesso. Diversos cantores da Holanda regravaram a música.

RC: Em qual quantidade os Gogo’s são fabricados?

RM: Fabricamos por volta de 20 milhões por coleção no Brasil. Queremos ir para outros países onde ainda não haja Gogo’s. Tivemos, até hoje, cerca de oito coleções, sendo que cada uma fica, em média, de seis a oito meses no mercado. Além disso, temos os produtos da marca que já conquistaram os investidores. Um produto que foi uma grande sacada e deu um trabalho enorme para ser finalizado foi um refrigerante da marca Gogo’s. Um fabricante de Goiás resolveu fazer 3 milhões de unidades e, então, criamos uma garrafinha com uma concavidade e nela consta uma cápsula com um Gogo’s dentro. Foi um longo ano de desenvolvimento do produto e a campanha está sendo um sucesso.

RC: Como é a relação de sua família com os Gogo’s?

RM: Eu trabalho muito, viajo bastante e todos os meus projetos estão voltados para os Gogo’s. Minha esposa, Fátima, é uma grande parceira. Ela gosta e curte as miniaturas. Minha sogra já os conhece por nome, cor e coleção. É impressionante como eles têm a capacidade de conquistar as pessoas, independentemente da idade.

RC: Qual o perfil da criança colecionadora de Gogo’s?

RM: São 55% meninos. Geralmente são crianças que gostam de colecionar coisas e interessadas por manias e novidades. São bastante sociáveis. Gostam de conversar e trocar com os amigos. As crianças, hoje em dia, passam muito tempo em locais fechados, e o colecionável promove a troca e a interação entre esse público.

Como jornalista, Roberto Marinho trabalhou em grandes empresas de comunicação, como Rede Globo e revista Contigo, da Editora Abril. Fez a assessoria de imprensa de uma entidade de classe composta de empresários do ramo de transportadoras. A proximidade com esses profissionais fez Roberto perceber que tinha um perfil bastante interessante para as áreas de marketing e comercial. A partir daí, construiu o restante de sua carreira. “Adoro o jornalismo, mas gosto muito dessa área de negócios. É muito dinâmica, vibrante e nos oferece a oportunidade de construir grandes projetos”, explica Roberto, que fez pósgraduação em Marketing e MBA em Gestão Empresarial.
Foi executivo de grandes empresas. Trabalhou na Volkswagen, no Banco BCN (atual Bradesco), entre outras multinacionais.
Hoje é diretor de contas para a América Latina da PPI Worldwide, criadora dos Gogo’s.
 
Granjeiro, Roberto mora na região há 15 anos, dos 44 bem vividos, e optou por construir sua vida na Granja Viana em razão da qualidade de vida sem igual proporcionada pelo contato direto com a natureza.

Não é para menos. O Mr. Gogo’s tem uma vista deslumbrante do deque de sua casa, onde, enquanto pensa em suas criações, contempla uma natureza nativa agraciada por um belo lago, animais silvestres e ar puro.

Apaixonado pela gastronomia e pelas pessoas da Granja Viana, ele conta que esse amor pela região aumentou com a reciprocidade que veio com o decorrer dos anos. “Os Gogo’s são muito bemaceitos aqui”, conta o executivo, enquanto mergulhava em 60 mil miniaturas durante a produção desta matéria.

Passatempo

Identifique os nomes de alguns personagens Gogo’s Turma da Mônica.

Brincando de Gogo’s
Cada Gogo’s tem um nome, uma personalidade e uma habilidade.
Algumas coleções chegam a ter 60 modelos.
Em cada coleção dos Gogo’s Crazy Bones existe uma história para que as crianças soltem a imaginação e se divirtam sem limites.

Coleções Gogo’s
1997 – Geloucos Coca-Cola
2003 – Gogo’s® série Fantasmas
2004 – Gogo’s® série Gogotoys
2008 – Gogo’s® série Urban Toys
2009 – Gogo’s® série Megatrip
2010 – FutGogo’s®
2011 – Gogo’s® Turma da Mônica

Na memória
Quem não se lembra dos Tazos que integraram os salgadinhos Elma Chips? Pois é, eles fazem parte do case de sucesso da PPI Worldwide, especialista em criar brindes que se tornam mania.

 

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