Em fevereiro, estivemos no Projeto Âncora e o cenário que vimos foi triste na época: não havia mais palhacinhos, malabaristas e contorcionistas sob a lona colorida do circo, nem adolescentes mostrando a escola orgulhosos para os visitantes como faziam sempre. A situação financeira fez com que fosse necessária a suspensão temporária dos serviços. Depois, veio a pandemia.

Meses depois, em 23 de setembro, dia do 25º aniversário do Projeto Âncora, os associados da entidade, em assembleia, votaram pela continuidade do CNPJ, elegeram nova Diretoria e Conselho Fiscal, novo nome para a entidade e mantiveram o Conselho Consultivo com mandato de mais 2 anos.

O Projeto evoluiu para Cidade e, a partir de agora, abrigará uma série de negócios de geração de impacto socioambiental, além da ONG de assistência social.  “A crise nos fez voltar às origens. Olhando o documento de 1995, quando desenhávamos o que seríamos, encontramos nosso primeiro nome: Cidade Âncora. Essa foi a chave que precisávamos para abrir o futuro: deixar de ser Projeto – que projeto tem começo, meio e fim – e sermos o que nascemos para ser: a Cidade Âncora”, explica Regina Machado Steurer, fundadora e conselheira.

A Cidade Âncora se compromete com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS que foram instituídos pela ONU para proteger o planeta e garantir que todas as pessoas tenham dignidade. “Expandimos o atendimento para uma comunidade muito maior e sem limites de idade e classe social. Continuamos com a missão fundadora de ser um lugar para aprender, experimentar, reinventar e compartilhar uma outra forma de ser e estar no mundo, que respeite os limites do planeta, atenda as necessidades básicas das pessoas e possa ser referência para outras iniciativas de impacto social”, completa Regina. A fundadora destaca que a Cidade Âncora não se resume ao território de nove mil m² que ocupa. “É muito maior, é também virtual e pretende inspirar nossa relação com os outros e com o território que habitamos”, ressalta.

Hoje, num modelo enxuto e sustentável, tendo liquidado 95% das despesas para sanar as contas, conta com uma equipe de voluntários e profissionais pro bono que estão dando apoio na reorganização e, então, gerar os recursos necessários para voltar às atividades. “A Cidade Âncora chama todos os seus cidadãos para participar da sua construção. Estamos listando 4 tipos possíveis de cidadãos e cidadãs da Cidade Âncora: empreendedor, investidor, usuário e voluntário. Em qual você se encaixa?”, pergunta Regina. “Postamos aqui um primeiro mapa turístico dessa cidade ainda em construção, ainda convocando aqueles que queiram estar conosco, ainda esperando passar a pandemia para abrir as portas. Esperamos que você seja um desses cidadãos e cidadãs da Cidade Âncora”, convida. Quer quiser colaborar, pode enviar um e-mail para [email protected] e ajude a transformar este sonho em realidade.

1 – CIRCO
Praça central da cidade, escola de circo, lugar de festas, espetáculos e feiras

2 – COZINHA ESCOLA
Restaurante, cantina, padaria e café

3 – ARMAZÉM
Do produtor direto ao consumidor, lugar de conhecer quem produz sua comida

4 – PISTA DE SKATE
Aulas, práticas e campeonatos

5 – QUADRA POLIESPORTIVA
Escola de esportes, locação e campeonatos

6 – ESTÚDIO DE ÁUDIO VISUAL
Escola de música, rádio e TV

7 – ESTÚDIO DO CORPO E MENTE
Ioga, dança, meditação, pilates e terapias

8 – HOSPEDARIA
Para receber até 12 visitas, hóspedes, gente do mundo inteiro

9 – BANCO
Banco popular de microcrédito

10 – CURSINHO
Preparação de jovens e adultos para processos seletivos para universidadees, escolas e empregos

11 – ESCOLA DE ECOLOGIA
Escola prática de permacultura e educação ambiental

12 – CENTRO CULTURAL
A cidade inteira como ambiente de cultura brasileira

13 – HORTA
Espaço de aprender, plantando e colhendo

14 – BOSQUE DO PAU BRASIL
Walter Steurer, fundador do Âncora, plantou um Pau Brasil e teve ali suas cinzas espalhadas. No verão de 2019, a árvore foi atingida por um raio e secou. Em março de 2020, descobriu-se dezenas de mudas nascendo da raiz da árvore mãe.

15 – CORETO
Lugar de recepção dos cidadãos da Cidade Âncora, lugar para um papo, um cafezinho e um pedaço de bolo à sombra

16 – JARDINS DA INFÂNCIA
Da adolescência e da maturidade, bancos espalhados para bate papos, gramados para piquenique e lugar de correr

17 – BANHEIROS PÚBLICOS
Banheiros abertos e gratuitos a quem precisar

18 – ESCRITÓRIOS COLETIVOS
Espaço para quem precisa de conforto, silêncio e boa rede de wi-fi para trabalhar e estudar remotamente

19 – APOIO ESCOLAR
Lugar com biblioteca de 5 mil livros e educadores disponíveis para ajudar nos estudos e, sobretudo, “ajudar a aprender”

20 – WI-FI GRATUITO
Para todos os cidadãos que ocupam o espaço da cidade.

21 – SALAS DE CURSOS
Profissionalizantes, formação de professores, escola de pais e escola de política

22 – QUINTAL DO PEABIRU
No ponto mais alto, um lugar com cozinha caipira, um espaço de convivência e oficinas culturais para os grupos do território ampliado. A Cidade Âncora está na rota do Peabiru, esse caminho que ligou os Andes ao Oceano Atlântico com cerca de três mil quilômetros e que foi utilizado pelos povos sulamericanos antes do descobrimento pelos europeus.

23 – SALAS MULTIFUNCIONAIS
Espaços para microempreendimentos que surjam e precisam de apoio, como uma atelier de costura ou uma barbearia.

24 – LOJA
Espaço para venda de produtos produzidos na Cidade e na comunidade.

25 – ADMINISTRAÇÃO
A Prefeitura da Cidade, onde estão as pessoas que recepcionam os cidadãos, organizam a dinâmica da cidade e acolhem as ideias dos seus cidadãos.

26 – ACELERADORA DE NEGÓCIOS SOCIAIS
A Cidade Âncora receberá empreendedores que desejam criar seu próprio negócio, cujos objetivos visem causar impactos socioambientais positivos.

27 – SUSTENTABILIDADE E REGENERAÇÃO
A Cidade Âncora conta com captação de água da chuva, produção própria de energia solar, não produz lixo, destina os reciclados para empreendedores da comunidade, alimenta uma composteira e fabrica biogás.

28 – PONTO DE CULTURA

29 – CONTRATURNO ESCOLAR

30 – GUARITA

Por Juliana Martins Machado