Clientes ainda não estão adaptados ao fim das sacolinhas plásticas

A partir dessa quarta-feira (04/04) os supermercados do Estado de São Paulo não distribuirão mais as sacolinhas plásticas. A ação é um acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, que prevê a extinção de sacolinhas descartáveis nos 1.250 supermercados associados à entidade.

Os consumidores ainda tiveram dois meses para se adaptar ao acordo, quando o Ministério Público e o Procon estipularam o  termo de ajustamento de conduta (TAC), onde os consumidores teriam esse tempo para se adaptar ao acordo.

Mas apesar de ser uma medida que visa a preservação do meio ambiente, em nossa ronda pela região encontramos muitos clientes e até mesmo funcionário de estabelecimento descontentes com a nova regra.

No supermercado Pão de Açucar, localizado na avenida São Camilo, apesar de o estabelecimento informar a população por meio de seu sistema de áudio, comunicação visual e disponibilizar a seus clientes sacolas biodegradáveis por R$ 0,59, o casal Pablo ,64, e Antônia Brussem, 35, saia com os objetos que comprou dentro do carrinho.

“É uma medida produtiva, mas acredito que há outros meios menos incômodos para conservar a natureza, como exemplo a separação de produtos recicláveis”, diz Pablo.

Sua esposa concorda e diz.  “A população levará um bom tempo para se adaptar a isso, e como nós, também esquecerá várias vezes as sacolas reutilizáveis”, declara.

Gislaine de Lima, 46, que também estava no estabelecimento com seu carrinho cheio de produtos e sem sacolas, também acredita que o acordo é positivo, mas o período para se adaptar será um transtorno.

“Quando fazemos grandes compras, é difícil acomodar todos os produtos. Espero que o supermercado tenha caixas de papelão para colocar tudo”, diz.

Caixas de papelão e sacolas biodegradáveis por R$ 0,58, também é o que disponibiliza o supermercado Wall Mart, localizado no km 23 da Raposo Tavares, mas assim como no Pão de Açucar, encontramos clientes que não vê a medida com bons olhos.

“Eu não quero colocar minhas compras em caixas de papelão, muitas vezes foco para proliferação de baratas. Gostaria que a Apas tomasse medidas mais inteligentes como potencializar ações de reciclagem. Da forma que está, os consumidores com baixa renda serão prejudicados porque utilizavam os saquinhos na lixeira de casa, agora terão de comprar sacos de lixo”, salientou o cliente Rodolfo José (60).

Luís Carlos Ferreira (foto), 54, gerente do mercado São Vicente, localizado na rua Paulo Jacinto, concorda com Rodolfo. “Grande parte das pessoas utilizam as sacolinhas no lixo de casa, agora eles tem de comprar os sacos de lixo que são muito mais caros e provavelmente demoram mais para se decompor na natureza”, declara Ferreira.

Apesar das reclamações, João Sanzovo, diretor de Sustentabilidade da Apas, diz que a associação registrou uma queda de 72% na distribuição de sacolas e 80% dos supermercados já estão adaptados a nova situação.

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