Crônica do Saul: Desilusão

Não é uma grande ironia que em um planeta com mais de 7 bilhões de pessoas você escolha a pessoa errada para amar? Chega quase a ser desconcertante o fato de que no meio dessa galera toda, você se dedique à alguém que não corresponda ao seu amor?

Lógico que, para quem amar e não é retribuído, desconcertante passa bem longe do sentimento que a pessoa sente. Aliás, caos interior é uma palavra mais cabível para a situação.

E acredite, quem procura alguém para dedicar seu carinho, atenção, afeição, abraços, carícias, amassos, etc… inevitavelmente trupicará (ou para quem não conhece esse termo técnico, pode substituí-lo por tropeçará) em um amor não correspondido.

Isto porque o amor ou a atração não é apenas uma questão de escolha, e sim uma infinidade de fatores que se fomos abordar nesse texto, ficará bem longo e enfadonho, mas podemos considerar que para ter êxito nessa empreitada, são necessárias tentativas, que infelizmente, muitas vezes não serão bem sucedidas.

Não vou te dar conselhos para minimizar o número de tentativas e encontrar a pessoa certa de forma mais rápida. Se essa fórmula existe, deve custar bem caro.

Mas darei algumas dicas para curar o porre da desilusão não correspondida de forma eficaz. Mas tenho que fazer uma ressalva: não vai funcionar, porque desilusão amorosa é foda.

Afaste-se

Ter que ser espírito muito elevado e turbinado no desapego para encarar uma falta de retribuição amorosa e continuar sendo amiguinhos “de boa” (mais uma expressão que aprendi com meus netos). É lógico que quando esse turbilhão de emoções passar e a vida continuar, podem acontecer cordialidades e até uma reconstituição de amizade, mas no olho do furacão, meu amigo, é melhor proteger seus sentimentos e sair de cena.

Indiretas

Não, não, não, nunca mande indiretas por rede social e afins. Quão tentador é escreve (como já li em postagens por essa internet veia sem fronteiras) frases como “Não venha lembrar de mim, quando eu já te esquecer”. É sério, isso não resolverá o seu problema, e principalmente, não afetará nem um pouco o alvo a ser atingido. Lembre-se, ele ou ela não te quer, então nada de indiretas e siga em frente.

Sem ressentimentos

Vamos admitir: a outra pessoa não tem culpa alguma de não sentir nada por você. O melhor a fazer é analisar o que houve de errado do início das tentativas de conquista ao que culminou na desesperança. Além de ser mais produtivo, te dará crescimento e potenciará suas próximas tentativas de conquista. Sim terão próximas tentativas, porque esse negócio de desilusão é igual ressaca: você morre de dor de cabeça no ou dia e diz que nunca mais irá beber, mas é só esquecer esses efeitos colaterais, que estará bebendo novamente.

Exercite a mente

Normalmente recomenda-se que o individuo acometido pelo mal do PorQueNãoMeQuer? (nome científico que acabei de inventar para “desilusão amorosa”) faça atividades que goste para ocupar a mente. Eu proponho diferente: faça algo novo, aprenda coisas novas. Explico: se você faz algo que gosta e faz sempre, já terá habilidades para realizar as tarefas em questão, e ficará pensando no sentimento que está tentando isolar. Mas se aprende algo novo, terá que exigir mais de seu cérebro e não haverá espaços para ficar remoendo a desilusão amorosa. (E de brinde, ainda aprende algo novo).

Comece novamente

Quando a sua autoestima já estiver bem alta, volte para a pista (não se ainda se usa esse termo, mas acho que todo mundo entende o que quero dizer). Mas não volte apenas para afastar a solidão. Comece a dança se divertindo, e em determinado momento, vai perceber que encontrar a pessoa certa é resultado, não da procura, mas do aproveitamento da vida com qualidade.

Saul Queiroz é autodidata, inclusive na arte de inventar pequenos currículos de três linhas para o final de suas crônicas. Exímio domador de lobos, Saul cuida com muita justiça de suas feras internas.

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