De tirar o fôlego

 
CAPA

 

Adrenalina na veia

Um, dois, três, quatro…

Os músculos se contraem, a respiração acelera, o ritmo do coração aumenta, a endorfina é liberada e a sensação de bem-estar toma conta do corpo todo.

Os irmãos Gilbert e Gilmar, vulgo Billy, não passam um dia sequer sem sentir esses sintomas, consequência de uma hora e meia de exercícios diários que, combinados com uma vida regrada, resulta em uma jovialidade invejável.

Aos 48 e 50 anos, respectivamente, a dupla comemora mais um ano de dedicação ao esporte, que há tanto tempo faz parte de um cotidiano dividido entre o trabalho e a família. Rosto, corpo e saúde que despertam cobiça em muitos garotões no auge dos 20 anos.

Moradores da Granja Viana, a equipe da REVISTA CIRCUITO não hesitou em entrevistá-los para dar o pontapé inicial a uma sequência de matérias, publicadas nesta edição, voltadas para a prática de esportes.

Participantes da edição brasileira do reality show The Amazing Race, os irmãos contam sobre a experiência de testar os limites do corpo e o que fariam com o dinheiro do prêmio que, vale a pena adiantar, não iria para o bolso de nenhum dos dois. Sinônimo de simpatia, a proposta feita à dupla foi aceita. Eles visitariam a redação para contar todos os detalhes da agitada vida de atleta e a equipe Circuito acompanharia uma tarde de treino pesado dos rapazes. O trabalho é duro e cansativo, mas vale a pena.

Conheça mais da trajetória desses dedicados atletas e deixe a endorfina, responsável pela sensação de bem-estar, tomar conta de você.

RC: Quem são Gilbert e Gilmar Schlossmacher?
Gilmar:
Somos irmãos, granjeiros, empresários, apaixonados por animais, a vida toda fomos esportistas e somos lutadores de artes marciais – Gilbert é mestre de Muay Thai e Gilmar é mestre de Muay Thai 5º dan. Participamos de lutas por muitos anos. Mantemos isso diariamente: treinamentos, lutas e muita musculação. Para nós, o esporte é o bem mais saudável para alcançar a longevidade com qualidade de vida.

Os irmãos treinam pesado diariamente

Gilbert: Nossa vida é muito parecida. Crescemos no meio do esporte. Nosso pai é alemão e praticava a Luta Greco Romana. Começamos a praticar com 9 anos de idade, antes mesmo de jogar bola. Praticávamos, também, ginástica olímpica, ciclismo, luta, corrida, entre outros esportes. Praticamos algumas dessas modalidades por bastante tempo. Sempre fomos muito elétricos, e o esporte foi a válvula de escape para controlar isso.

RC: Como surgiu o The Amazing Race na vida de vocês?
Gilbert:
Eu sempre acompanhei o programa por ser um reality no qual as pessoas tinham de estar muito bem preparadas para poder participar. Achei 8que tinha tudo a ver com a gente. Entrei no site e nos inscrevi. Três meses depois, fomos chamados e passamos pelas etapas de seleção. Pude perceber que era bem diferente do que eu imaginava. Gravamos algumas cenas várias vezes. Realmente é um programa de televisão, antes de ser uma competição.

RC: E como foi a preparação para o programa?
Gilmar:
Normal. Não fi zemos nada além do que fazemos todos os dias. Eu jogo vôlei, tênis, basquete, ando de bike, corro. De tudo, o mais desconfortável, mesmo, era correr com uma mochila de 15 quilos nas costas. No mais, tiramos de letra.

RC: Vocês foram eliminados, apesar de formarem uma das melhores duplas. Que nota vocês merecem?
Gilbert:
Se for de zero a 10, 10. De zero a 100, 100. No dia de pagar as penalidades, saímos por último – depois de uma hora e meia parados pagando a pena − e chegamos ao pit stop em segundo lugar. A cada prova passada, sentíamo-nos mais fortes. Chegamos a superar triatletas com 25 anos de idade. No The Amazing Race não é uma questão de que vence o melhor. Existem vários fatores que eliminam as duplas, e a sorte é um deles. E a gente não teve muita sorte. No primeiro dia, tivemos muito azar e terminamos o dia com duas penalidades nas costas. Fomos eliminados do reality por pura falta de sorte.

RC: Se pudessem participar novamente, vocês o fariam?
Gilmar:
Com certeza, de qualquer competição. A nossa vida é uma competição. E não é nem pelo prêmio. Neste reality, por exemplo, nosso prêmio maior era saber se tínhamos condições, tanto individuais quanto em dupla, de trabalhar e executar as tarefas. Queríamos saber o quanto aguentaríamos. Descobri que posso ir além quando tenho um incentivo ao meu lado.

RC: E o corpo? Chegou ao limite?
Gilbert:
Houve um momento em que eu estava exausto. Em Ouro Preto, tinha uma subida absurda, e eu tinha de subir de quatro, correndo, e meu irmão ia à frente puxando uma mula carregada de lenha. Eu seguia atrás guardando para que a lenha não caísse. Era uma ladeira cheia de pedras. Conseguimos passar várias duplas, mas vi que estava difícil para mim. E meu irmão do lado dizendo para eu não parar, não olhar para trás, seguir em frente. Eu julgaria, em outra circunstância, que aquele era o meu limite. Depois, percebi que o limite vai muito além quando se tem um objetivo, incentivo e estímulo.
Gilmar: Realmente, a união faz a força. Nós voltamos de lá com uma certeza, até mesmo pela idade que temos: éramos uma das duplas mais fortes. Nós incentivávamos as duplas que estavam desistindo. Quando fomos eliminados, todos nos aplaudiram. O amadurecimento nos faz tirar força de lugares e situações inimagináveis. A última prova do dia foi de equilíbrio. Depois de muita corrida e câimbra no quadríceps, com as pernas tremendo, fiz a prova de primeira e com dois malabares na mão. A maioria não conseguiu, e muitos desistiram. O psicológico consegue superar o físico. Minha dor passou. Esqueci dela.

RC: O que vocês levaram dessa competição. O que aprenderam com ela?
Gilmar:
Neste momento da vida, de tudo o que já fiz até hoje, realmente descobri qualidades em mim que eu não conhecia. Em uma prova, tínhamos de esculpir duas saboneteiras em pedra-sabão. Rapidamente eu fi z, com a destreza de um profissional. Descobri que posso fazer coisas que jamais imaginei fazer e também que não tenho medo de nada, nem de altura. Fizemos um rapel de 75 metros da torre de Brasília, com vãos livres e sem muito apoio.

A dupla durante as gravações do The Amazing Race

RC: E o prêmio de 250 mil dólares?
Gilmar:
Se vencêssemos, o dinheiro iria para a ONG voltada para cães abandonados que vamos montar.

RC: Fale sobre o projeto da ONG.
Gilbert:
Já tem alguns anos que estamos pensando em montar uma ONG. Quando eu pego um cachorro na rua, é justamente para tirá-lo da rua; mando castrar, vacinar e tento arrumar um dono para ele. Acho que já doamos uns 60 cães para amigos. Falo para todo mundo: não compre um cachorro, adote um. Os vira-latas, por exemplo, são ótimos companheiros e muito resistentes a doenças. É importante ter em mente que eles não são peças decorativas, e sim seres vivos, que precisam de carinho. No início, nos achávamos únicos, mas, ao passar do tempo, você conhece muitas pessoas que amam cães. Isso me deixa feliz.

Gilmar: É importante frisar que precisamos de parceiros para dar melhores condições a eles. Vemos muitos políticos usando esse marketing para se eleger, mas não são capazes de dar nenhuma ajuda às ONGs da região. Muitas pessoas já se candidataram ao voluntariado. Como dissemos anteriormente: a união faz a força. Estamos em busca de um local, e já temos alguns em vista. Quem quiser ajudar, pode entrar em contato conosco. Será muito bem-vindo.

RC: Um ídolo no esporte?
Gilbert:
Ayrton Senna, sem dúvida. Quantas madrugadas acordei para ver o Ayrton! Quanto chorei quando ele morreu.
Gilmar: Ayrton Senna. Um eterno grande esportista.

RC: O país incentiva o esportista brasileiro?
Gilbert:
Muito pouco. Nem os medalhistas inéditos brasileiros recebem incentivos do governo. Alguns continuam sem condição financeira de se manter no esporte. O atleta que se dedica a disputar competições pelo seu país, lá fora, precisa estar focado na sua modalidade esportiva. Como a pessoa vai trabalhar na feira, carregar caixa e ir para a academia lutar boxe no fim do dia? Essa pessoa pode se manter um bom atleta, mas como vai manter a performance de uma competição internacional?
Gilmar: Nossos atletas ganham reconhecimento quando vão morar em outros países. Nos Estados Unidos, os atletas que se destacam têm bolsa de estudos na faculdade.

RC: O que vocês fazem para manter a saúde em dia?
Gilbert:
Temos uma hereditariedade muito bacana. A nossa mãe tem 70 anos e não aparenta a idade. Ela é de uma família de ciganos franceses, então temos essa carga genética que ajuda. Mantenho com o esporte. Chega sexta-feira, saio da empresa e me desligo de todos os problemas. Fora isso, tenho uma alimentação saudável, mas não me proponho a fazer dieta. Bebo duas taças de vinho todos os dias e meia garrafa nos jantares da sexta e do sábado. Esporte é diariamente. Gilmar: Uma fórmula boa é dormir oito horas de sono, no mínimo. Outra coisa é a moderação. Você pode fazer tudo, desde que seja com moderação. O segredo é: dormir bem, comer feijão e arroz, alimentar-se de três em três horas, tirar o refrigerante da sua vida e praticar esporte.

Gilbert: “Não me proponho a fazer dietas”

RC: Vamos falar de Granja Viana? O que curtem fazer por aqui?
Gilbert:
Quando eu vim para a Granja, há 25 anos, tudo era muito diferente. Aumentou tudo. Congestionamento, condomínios, problemas. Mas, no meu ponto de vista, ainda continua sendo um lugar maravilhoso que escolhi para viver. Eu gosto e incentivo a Granja. Janto somente nos restaurantes daqui. Sinto-me numa cidade do interior e gosto muito das pessoas e do calor humano, que é muito parecido com o das pessoas do Sul, que te abraçam sem te tocar. Adoro andar pelo centrinho. Gilmar: Eu sou suspeito para falar porque gosto muito daqui. Curto bastante a tranquilidade da minha casa; um filme e um bom vinho. Ter uma boa companhia completaria. Estou solteiro atualmente (risos). Ainda tem muito potencial e natureza aqui.

Os atletas da região


Valter Stoiani
 DESCOBRIDOR DOS SETE MARES 

Filho de peixe, peixinho é. Valter Stoiani Júnior, 46, é filho da Raquel, fundadora da Raquel Natação, tradicional escola da Granja Viana. Praticante de triatlo, hoje se dedica integralmente ao esporte, já que abandonou, por vontade própria, sua carreira no ramo de investimentos.

Ainda pequeno, praticava natação, jogava tênis, ingressou no polo aquático e, cada vez mais, foi tomando gosto pelo esporte.

Em uma época da vida, a rotina profissional fez com que ele diminuísse o ritmo das atividades físicas e, consequentemente, começou a sentir-se mal, com sérios problemas nas costas. Perto de fazer 40 anos, veio a vontade de se dedicar ao triátlon e, morando na Ásia, participou de sua primeira prova, após dois meses de treinamento intenso. “Eu já nadava e corria, faltava pegar algumas manhas para a prática do ciclismo competitivo”, explica. Faz quatro anos que ele se dedica ao triátlon de forma mais comprometida e dedicada.

Com uma carga de exercício intensa, é dispensável dizer que Valter entra em forma quase naturalmente. Antes das provas, costuma controlar a alimentação. No dia a dia evita gordura, bebida alcoólica e ingere carboidrato na medida, assim como carnes, preferencialmente magras. A disciplina é fundamental.

DICA DO VALTER: Se você ainda não pratica esporte, saia para andar ou correr um quilômetro, bem devagar, até entrar no pique. Respeite os limites do seu corpo, que vai se adaptar rapidamente.

Eduardo Caruso
 ATLETA TRÊS EM UM 

O esporte sempre fez parte da vida do empresário Eduardo Caruso, 42, e ele cresceu competindo em diferentes modalidades. Há oito anos, estava disposto a encarar um esporte mais desafiador. O escolhido foi o triatlo, modalidade que envolve uma disciplina grande por abranger três categorias:
corrida, natação e bike.

De acordo com o atleta, ele é um amador de performance. “Deixei de ser aquele esportista que se exercita por lazer e entrei em um nível competitivo”, afirma ele, que tem treinado muito e, consequentemente, obtido bons resultados nas competições.

É nos páreos de Iroman que Eduardo chega a seu limite, pois consiste em uma longa distância a ser percorrida e, geralmente, dura o dia inteiro.

A preparação para uma prova de triatlo é uma constância de treino, portanto, você terá de se organizar para treinar e muito, sempre traçando objetivos e batendo metas.

Edu Caruso dedica duas horas e meia por dia e os três filhos estão indo pelo mesmo caminho.

Para ele, o esporte é uma forma de inclusão social, já que para cada modalidade que se pratica uma nova tribo é formada.

Recado do atleta
A corrida é um dos esportes mais democráticos que a gente tem, pois precisamos apenas de um calção e um par de tênis. No dia a dia, procure ter uma alimentação balanceada; o esporte cobra isso de você. Já o tempo, todo mundo arruma quando quer. É só se organizar.

João Luis Azevedo
 MANOBRAS SOBRE DUAS RODAS 

João Louco. É assim que chamam este granjeiro, apaixonado por motocross, enquanto ele faz manobras radicais na Pista de Motocross de Araçariguama, a Littieri Racing. João Luis Azevedo, 41, desde pequeno é apaixonado por motos e sempre acompanhava os esportistas que se reuniam no Itaim para exibir as habilidades sobre o veículo. “Gosto de moto na trilha ou no barro. Tenho o vício da poeira no sangue”, conta.

Foi em 1994 que comprou a primeira moto. Nos primeiros oito anos, dedicou-se a andar em trilhas, ralis e grupos de velocidade. Foi vice-campeão paulista duas vezes, e chegou em quinto lugar no Campeonato Brasileiro de Cross Country. O esportista já sofreu diversos acidentes em trilha, dentre eles um grave. Atualmente, pratica somente o motocross. “Na trilha, você lida com o inesperado; uma raiz, uma árvore caída ou até mesmo uma moto no sentido contrário”, explica. Já o motocross é praticado em uma pista com manobras e, se o motociclista não a conhece, pode dar umas voltas para saber onde estão os obstáculos para rampas, curvas e pontos perigosos.

Para iniciar no esporte, o atleta deve ter preparo físico – afi nal, ele usa muito pernas e braços para dar saltos altos segurando a moto −, além de coordenação motora. Perder o medo das rampas é imprescindível. Elas são altas e o atleta literalmente voa sobre duas rodas.

Segundo João, esposa e filhos já se acostumaram com tamanha loucura e entendem que o motocross não é só uma diversão, mas sim um esporte que o faz feliz. Natação e academia ajudam-no a manter a forma e deixar a musculatura em dia. FIQUE ATENTO! O estado da pista é um fator fundamental para a segurança do praticante.

Littieri Racing
Estrada dos Meireles, 252 − Araçariguama.
GPS Coordenadas: -23° 24’ 17.40”, -47° 4’ 39.89
Horário de Funcionamento: sábados e domingos, das 8 às 18 horas. Preço para treino: 30 reais
Pista natural, com aproximadamente 1,7 mil metros e irrigação automática.

André Famá
 O GRANJEIRO DA NEVE 

André Famá nasceu no meio do esporte. Seu pai foi recordista brasileiro de arremesso de peso e disco e lutava esgrima. Sua mãe integrou a Seleção Brasileira de Vôlei e também lutava esgrima, o que garantiu um romance e casamento dentro do atletismo. André iniciou com ginástica olímpica, foi para o futebol profi ssional e, aos 17 anos, começou a jogar rúgbi. O que principiou por lazer, tornou-se algo sério. O atleta ingressou na seleção brasileira, da qual fez parte por dez anos, e jogou um ano nos Estados Unidos.

Começou a praticar o snowboard por puro hobby. Em 2010, estava na Argentina na época em que aconteceria o Campeonato Brasileiro. Como era aberto, resolveu participar e teve uma boa colocação. Em 2011, pegou pódio em uma modalidade e, em 2012, sagrou-se campeão brasileiro de snowboard cross e vice-campeão nas modalidades slope style e slalom. Participou, também, de campeonatos sulamericanos, o que lhe deu visibilidade como esportista. Bom, mas aí vai a pergunta mais difícil: o que um atleta precisa para praticar o snowboard? Segundo André, nada mais, nada menos que neve. “O equipamento conta muito e tem de ser bom; pranchas, botas, capacete, óculos apropriados, luvas, boqueira e proteção de motocross na modalidade cross”, explica.

Para manter a saúde e o snowboard em dia, André se alimenta bem, faz musculação, corre, pratica cama elástica com prancha, anda de bike e pega onda. O surfe e o wakeboard ajudam a treinar para o snowboard.

DICA: O Ski Mountain Park é uma boa opção para você conhecer, mesmo que superficialmente, um pouco do snowboard. Estrada da Serrinha, São Roque (SP) Horário de Funcionamento: sábados, domingos, feriados e feriados prolongados, das 10 às 18 horas. http://www.skipark.com.br/

Os lugares da região

Ao ar livre
 PARQUE CEMUCAM SE PREPARA PARA RECEBER DIFERENTES MODALIDADES ESPORTIVAS 

Atletas de diversas partes da região, inclusive de São Paulo, aproveitam, a todo vapor, a recém-inaugurada pista de mountain bike do Parque Cemucam. O percurso, com 7 quilômetros e meio de trajeto, foi uma iniciativa de Leandro Bondar, 32, o mais novo contratado para administrar os 500 mil metros quadrados do parque, que tem grande parte formada por área verde e fauna exuberante, que conta com famílias inteiras de tucanos e esquilinhos cheios de graça.

Leandro, formado em Comunicação Social e pós-graduado em Meio Ambiente e Sociedade, assumiu o parque em setembro de 2012. No mesmo dia em que chegou, já teve uma reunião sobre a implantação de uma trilha voltada para o praticante de mountain bike. Apesar de não praticar, morou dois anos no Canadá, na cidade de Whistler, meca desta modalidade esportiva. Diante de um parque com potencial para várias atividades, o novo dirigente percebeu que o local estava sendo pouco explorado, utilizado, em grande parte, para reuniões familiares. “O parque pode oferecer muito mais. Aqui tem trilha, tem mata”, explica Leandro, que chegou num momento crítico, quando algumas trilhas estavam sendo abertas de forma irregular e o meio ambiente estava sofrendo degradação pela falta de conhecimento técnico. O parque é formado por uma área remanescente da Mata Atlântica muito rica.

Edu Ramires, 50, ex-técnico da Seleção Brasileira de Mountain Bike e representante do Sampa Bikers, movimento que nasceu da determinação de um grupo de ciclistas, foi alguém que pleiteou a criação do percurso. “Há dez anos, frequentávamos o parque, mas a falta de estrutura fez com que, por muito tempo, fi cássemos sem utilizá-lo”, explica.

Com a reformulação feita em parques de São Paulo – O Cemucam é cuidado pela Prefeitura de São Paulo – veio, então, a vontade de lutar por infraestrutura voltada para o esportista. “Montamos um circuito piloto e, com o tempo, vamos abrir as trilhas alternativas com a difi culdade um pouco maior”, explica o atleta. A sinalização é provisória e foi feita por conta própria. Agora que o projeto está sendo fi nalizado, a turma buscará patrocinador para a implantação da sinalização definitiva.

O Cemucam – Centro Municipal de Campismo é fruto de uma permuta entre a Cohab e a Prefeitura de São Paulo, em que a prefeitura optou por criar um local que servia como camping, que, com o tempo, entrou em desuso e transformou-se em parque.

O que dá para fazer no Cemucam? Caminhada, trilha, ioga, ciclismo, danças circulares, tai chi chuan, futebol, meditação ou ler um bom livro.

Parque Cemucam
Rua Mesopotâmia, s/no (Km 25 da Rodovia Raposo Tavares − sentido capital) Jardim Passárgada − Cotia (SP)
Tels.: 4702-2126 / 4702-8404
Funcionamento: diariamente, das 7 às 18 horas

Sampa Bikers – Organização de passeios, diurnos e noturnos, competições e viagens de cicloturismo.
ramires@sampabikers.com.br

 O Circuito de Mountain Bike do Cemucam é o mais novo atrativo do parque. Tem 7 quilômetros e meio de distância, sem repetição, e dá a volta nas extremidades do parque, para que os atletas não atrapalhem os demais usuários e vice-versa. Isso apenas regulamenta o que já existia, já que a questão da mountain bike tem uma história longa com o local. Boa parte do trajeto está em um nível fácil, com alguns poucos trechos com nível técnico um pouco mais avançado, com descidas íngremes e raízes, o que requer mais habilidade. Segundo Eduardo Ramires, o processo não termina, mas sim evolui. A ideia para o futuro é abrir vias alternativas com sinalização defi nitiva com padrão mundial de cor para cada nível de difi culdade. Quem pratica cooper também será, em breve, benefi ciado com sinalização de metragem. Um roteiro de educação ambiental está na lista das próximas novidades.

Represa de Ibiúna

O wakeboard é um esporte que pode ser praticado em qualquer lugar que dê segurança ao atleta, com espaço para o barco e para a realização de manobras. Para uma session de wake ser perfeita, o vento deve ser o mínimo possível e a água deve estar lisa, para que o atleta não seja prejudicado com as marolas e possa mostrar todo o seu repertório de manobras.

Um bom local para a prática de wakeboard no estado de São Paulo é em Ibiúna, na Represa de Itupararanga. Ela fi ca a 80 quilômetros da capital e é
formada pelos rios Sorocabuçu, Sorocamirim e Una, formadores do Rio Sorocaba. A represa foi construída pela Light, em 1914, e banha os municípios de Ibiúna, Piedade, Mairinque, Alumínio e Votorantim.

Em novembro de 2012, foi realizado o primeiro campeonato “secreto” de wakeboard na represa, que reuniu diversos participantes.

Endereço: O acesso público por Ibiúna para se chegar às margens da represa é pela Rodovia Bunjiro Nakao, até o km 85 − entrada de acesso ao bairro do Piratuba, seguindo até o loteamento Antilhas I.

Informações: Secretaria de Cultura e Turismo – Tel.: (15) 3248-3223
turismo@ibiuna.sp.gov.br

Reduto do skate

O skatista William Damascena, 26, pratica o esporte há 13 anos e se profi ssionalizou na modalidade há um ano. Das ruas de Cotia, o jovem seguiu para os campeonatos do Brasil e do mundo, onde aprendeu a respeitar as pessoas e suas culturas. Além disso, o atleta conquistou medalhas, muitas amizades, conhecimento e satisfação social.

Segundo ele, um bom lugar para ingressar no esporte é o Ginásio de Esportes de Cotia, onde os skatistas conquistaram uma quadra para os treinos.

Hoje, mais de 100 pessoas de Cotia e região praticam neste espaço em que William, com um grupo de amigos, construiu os obstáculos necessários para os treinos.

A minirrampa do Parque São George, na Granja Viana, é muito boa para quem quer aprender. O CEU Butantã tem uma pista bacana para andar, além da estrutura de banheiro, iluminação e água.

William Damascena, apesar de paulista, mora em Cotia há 22 anos.
“Ando, vivo e respiro o skate”, diz ele.
INGRESSE NO SKATE Associação de Skate da Granja Viana (ASGV)
http://www.facebook.com/associacaodeskategv

Caminho do Sol

O Caminho do Sol nasceu com o objetivo maior de oferecer aos amantes de caminhadas um ambiente agradável, passando, quase em sua totalidade, somente por áreas rurais, buscando a introspecção e o despojamento material.

Mais que um roteiro de aventura, durante seus dez anos de existência, o percurso de 241 quilômetros, que sai de Santana de Parnaíba e acaba 11 dias depois, em Águas de São Pedro, ganhou adesão maciça do público feminino: atualmente, as mulheres são maioria entre os caminhantes e, com mochila nas costas, encaram com bravura dores musculares, bolhas nos pés e uma infi nidade de obstáculos, principalmente os emocionais. O Caminho do Sol é um preparatório para o Caminhode Santiago de Compostela, e pode ser feito a pé ou de bicicleta.

Acesse: http://www.caminhodosol.org

O caminho passa por Itu. Se quiser conhecer e encarar alguns quilômetros, a dica é se hospedar na Fazenda Capoava. É possível fazer um trecho do caminho na companhia de instrutor.

Fazenda Capoava
Km 89,9 da Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto (antiga Marechal Rondon − saindo de SP, com acesso na saída 59 da Rodovia dos Bandeirantes)
Bairro do Pedregulho
Telefone para reserva: (11) 2118-4100

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