Estar satisfeito com sua vida sexual pode ser um indicativo de bem estar psíquico. Ter relações com uma pessoa com quem você se sinta à vontade, seguro(a), confiante e desejado(a) traz benefícios para a saúde, inclusive, saúde mental.
Mitos, tabus, preconceitos e expectativas errôneas em relação à sexualidade, muitas vezes, são prejudiciais ao desempenho sexual. Além disso, desemprego, dificuldades econômicas, experiências sexuais traumáticas no passado e outras condições adversas, também podem atrapalhar a performance.
De modo geral, podemos considerar a disfunção sexual como a incapacidade de realizar o ato sexual de forma satisfatória para si, para o(a) parceiro(a), ou para ambos. Pode ser causada por diversos fatores, dentre eles alterações hormonais, vasculares, neurológicas, uso de medicamentos, ou então por questões psíquicas. Independente da causa, uma vida sexual não satisfatória muitas vezes acarreta sentimentos de baixa autoestima, falta de confiança, isolamento social, sintomas ansiosos ou até mesmo quadros depressivos.
Algumas das principais disfunções sexuais, que podem acometer tanto homens quanto mulheres, são diminuição do desejo sexual e dificuldade de atingir o orgasmo. A dor na relação (devido à falta de lubrificação ou vaginismo, por exemplo) é comum entre as mulheres, enquanto a ejaculação precoce e disfunção erétil são queixas masculinas frequentes.
A dificuldade em manter relações de maneira satisfatória pode acometer pessoas em qualquer faixa etária. Entretanto, mudanças no corpo inerentes ao envelhecimento fazem com que essa dificuldade seja ainda mais comum em idades avançadas.
Por outro lado, existem alterações que levam ao desejo sexual excessivo e dificuldade de controle dos impulsos. São alterações que geralmente se iniciam no final da adolescência ou no início da idade adulta. Algumas vezes o aumento da impulsividade pode estar relacionadas a casos de parafilias, ou seja, transtornos de preferência sexual. Ainda existe um estigma social importante associado a este tipo de comportamento, o que acarreta a resistência dos portadores em procurar ajuda.
É importante termos em mente o fato de que a sexualidade é um aspecto de extrema importância no desenvolvimento e no bem estar de qualquer ser humano. Quando as alterações geram consequências negativas para a vida da pessoa, é fundamental que ela procure o auxílio de especialistas, mesmo que para isso precise superar os próprios tabus e preconceitos. As abordagens psiquiátricas podem ser feitas, muitas vezes, em conjunto com psicólogos e médicos de outras especialidades, como urologistas ou ginecologistas.
Por Cecília Roberti Proença, médica psiquiatra, formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, residência em Psiquiatria na Escola Paulista de Medicina (Unifesp).















