Educar para a sustentabilidade

A sustentabilidade é uma das principais tendências do século XXI. Ficou claro que as decisões tomadas no século passado impulsionaram o crescimento da economia mundial sem levar em conta as conseqüências para o planeta. Os danos ao meio ambiente já são perceptíveis, mas ainda há tempo para uma mudança de comportamento. A questão ambiental tornou-se fundamental e afetou decisões em escala global, desde governos e grandes corporações até indivíduos preocupados com a saúde da Terra.

         A escola, onde as crianças adquirem noções que levarão por toda a vida, tem sido fundamental para sedimentar nas novas gerações a preocupação com o meio ambiente e a responsabilidade individual que o cidadão tem com sua cidade no dia a dia. Além de adequar o próprio espaço físico, as instituições inserem as práticas sustentáveis no cotidiano do ambiente escolar.

         A Granja Viana, cuja área verde e bem conservada destaca-se na Grande São Paulo, tem bastante influência sobre seus moradores, especialmente os mais novos. Enquanto as escolas da região adotam as práticas sustentáveis, as crianças as vivem diariamente. “Muitos alunos vêm à escola já com a preocupação com o meio ambiente, pois percebem isso onde moram”, conta Flávia França, diretora pedagógica da escola infantil Bosque das Letras.

         Fundada há três anos, a Bosque das Letras foi pensada de maneira sustentável. O prédio da escola foi desenvolvido com a supervisão da diretora, que também é engenheira florestal, e conta com diversas adaptações. A luz solar entra por uma clarabóia e, graças ao piso vazado do segundo andar, ilumina o prédio. “Costumamos acender as luzes dos corredores só a partir das cinco e meia, seis horas da tarde”, diz Carolina Bittencourt, diretora administrativa.

Além dos muros

          Todos os profissionais da escola adotam hábitos sustentáveis na sua rotina, como apagar as luzes das salas de aula ao sair e fechar as torneiras após utilizá-las. “Os adultos servem de modelo para as crianças, que adquirem esses hábitos gradualmente”, ensina Flávia. A educadora explica que a faixa etária dos alunos é sensível às sugestões e incorporam-nas sutilmente. O resultado principal dos projetos de conscientização se dá no longo prazo. “Nós plantamos uma sementinha e anos mais tarde podemos ver seus frutos, ou seja, os hábitos sustentáveis”, ilustra a educadora.

         A sustentabilidade não está restrita à educação infantil. O Colégio Giusto Zonzini trabalha com projetos que buscam transformar a realidade dos alunos, que vão do ensino infantil ao médio, em diversas questões, incluindo o âmbito social e ambiental. Além da utilização de materiais reciclados na construção do prédio, como telhas feitas de tubos de creme dental, e de melhorias no ambiente interno, o colégio tem projetos que espalham o ideal da sustentabilidade entre toda a comunidade escolar, incluindo os funcionários e os familiares de alunos.

         “Nossas atividades extrapolam os muros da escola”, diz Christiane Cerreto, coordenadora pedagógica do Giusto Zonzini. Há quatro anos, por exemplo, o colégio tem uma coleta permanente de pilhas e baterias usadas. Só em 2011 já foram coletados mais de 350 quilos do material, que será encaminhado para empresas especializadas em seu descarte.

         A coleta seletiva é ensinada para os alunos mais jovens e praticada em toda a escola, desde os primeiros dias de aula. “Nosso objetivo é sedimentar a consciência ambiental nos alunos”, afirma Christiane.

         A exposição constante aos temas ligados à sustentabilidade é fundamental para que se tornem parte do cotidiano escolar, segundo Christiane. “Projetos focados na preservação ambiental transformam a idéia em um valor pessoal do aluno, que se expande no ambiente familiar”, ensina a educadora.

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