Gilberto Miranda: um granjeiro educador de animais

Especialista em comportamento animal, o famoso treinador de animais para publicidade, cinema e tevê, mora e trabalha na Granja Viana há mais de 30 anos

Ele começou a treinar cães aos 10 anos de idade. Treinando cães ajudou a sustentar a família e custeou seus estudos. Aos 25 anos adquiriu seu primeiro grande felino, um leão, que viveu em sua casa na Granja Viana por muitos anos. Gilberto Miranda, famoso treinador de animais de pequeno e grande porte para publicidade, TV e cinema, é especialista em comportamento animal e mora com dezenas de cães, gatos, coelhos, papagaios, macacos, saguis e dois Tigres, o Tom e a Princesa, em uma ampla casa de 5 mil metros quadrados na Granja Viana. Segundo ele, só o recinto dos Tigres tem mais de 400 m2.
Além de treinador de animais, Gilberto ministra cursos de comportamento animal para estudantes de veterinária e zootecnia, psicólogos, empresários, treinadores e amantes de animais em geral. Possui no mesmo local a Acãodemia, escola hotel para cães, onde hospeda animais para treinamento, day care e venda de filhotes.
Em sua casa também tem animais por pura paixão e amor já que nem todos são “atores”. “Como as pessoas, nem todos os animais conseguem atuar”, explica Gilberto. Na verdade, segundo ele, 0,01% dos animais têm talento para atuar. “Para a função é preciso que sejam muito sociáveis”, explica. Quando um diretor de cinema ou tevê, ou produtor de publicidade precisam de uma animal atuando, Gilberto Miranda entra em cena com a função de encontrar  ou sugerir o melhor animal para a cena e treiná-lo com base em sua experiência de mais de 50 anos lidando com todos os tipos de animais e no livro que escreveu: “Os animais vão salvar a sua pele, ou melhor o seu emprego”.
Na juventude Gilberto estudou administração de empresas e depois pedagogia. Acreditava que educar animais não tinha diferença de educar pessoas e fazendo a faculdade diz que confirmou a sua tese. “Tanto as pessoas como os animais precisam de líderes, que lhe apontem a direção a ser seguida, mas também lhes deem amor e segurança, os tratem bem, mas que também lhes deem segurança”, diz, por isso, a educação de um animal depende da forma que você fala com ele, com firmeza, gesticula com ele, faz carinho, dá atenção e uma boa alimentação.
Para Gilmberto, como os nossos filhos humanos, os animais não seguem uma pessoa fraca, é preciso que o respeitem, além de amar. Aliás, é fácil fácil ver Gilberto chamando os animais de filho ou filha, tamanho o seu amor por eles.

Na publicidade, cinema e tevê

Com publicidade, cinema e tevê, Gilberto começou a trabalhar em 1988, há 31 anos! De lá para cá fez filmes memoráveis com seus animais como Abril Despedaçado, de Walter Salles; Romeu e Julieta, de Bruno Barreto e Carandiru, de Hecto Babenco. Na cena dos policiais com os cães entrando no presídio do Carandiru, foi Gilberto Miranda que organizou a cachorrada com um vários de seus colegas treinadores, fazendo papel de policiais. Ele também dirigiu o cãozinho da Cofap (Dino) criação da WBrasil, com direção do diretor granjeiro Julio Xavier; o tigre da Esso (Rajá), Leão do Chá Mate Leão (Sultão), a Gatinha do Nacional Seguros ( Menina ), A Macaca da UOL (Catarina), o Chimpanzé
da Embratel (Jimmy), e muitos outros.

Os Tigres

Hoje, os grandes destaques em sua casa são os tigres Tom e Princesa.  A Princesa veio com 5 anos de idade e está com 19 anos agora. Tom chegou com 8 anos de idade e está com 12. Na natureza, segundo Gilberto, eles vivem em torno de 10 a 12 anos. Em cativeiro  vivem o dobro ou mais porque não passam por adversidades, intempéries, têm cuidados veterinários e alimentação balanceada. Na natureza eles dependem muito da sorte. O treinador conta que Tom come em torno de 12 kg de carne por dia e Princesa em torno de 6kg/dia.  Em sua casa, os tigres são levados para passear de guia e coleira e até nadam na piscina de 170 mil litros de água. Para Gilberto não há diferença nenhuma entre eles, os tigres, e os seus gatinhos domésticos, além do tamanho, claro.

Segundo Gilberto, trabalhar com animais exóticos exige muito mais experiência. Além disso, também é mais complicado trabalhar com animais adultos, que já têm hábitos e costumes, já passaram por traumas e situações estressantes. “Você têm de formatar ele novamente. Então você têm de desconstruir tudo aquilo que ele aprendeu ou  como ele viveu, em cativeiro, às vezes sendo acuado, ou sendo mal interpretado nas suas ações,. no seu comportamento. Pra você ter um mínimo de contato, tocar, alimentar na boca, tirar do recinto, andar passear, botar na piscina. Você precisa ter um pouco de conhecimento de como funciona a cabeça deles. Como os animais pensam, como eles agem, por que eles reagem assim ou assado a alguma situação”, ensina.

Gilberto conta que a Princesa veio de um circo e o Tom de um zoológico. “O Tom era um animal que já tinha sido resgatado pelo IBAMA e estava há um ano no Zoo de Curitiba”, lembra. “Como ele era um animal que já havia sido criado por uma família e já tinha tido contato humano, ele estava muito estressado naquele recinto, com o manejo que estava sendo feito, muito impessoal, sem nenhum contato, porque todos partem do pressuposto que esse é um animal selvagem, que ninguém deve ter contato com ele”, explica.
Segundo Gilberto, os animais não estão tão preocupados com a alimentação como as pessoas pensam. Animais que são nascidos e criados em cativeiro estão mais preocupados com o contato físico e verbal e corporal com seu tutor do que com o alimento. É exatamente como um gato. Eles são acostumados a ter carinho ao contrário do que muitas pessoas acreditam. Mas, segundo Gilberto, alguns gatos não querem contato humano. Na natureza é exatamente como no mundo humano. Tem pessoas que são mais e outras menos sociáveis. Alguns felinos são mais dados ao contato humano.
Gilberto ainda explica que não é porque é um tigre ou leão que ele tem de ser agressivo. Isso vai depender muito de como ele viveu a infância dele, como ele foi criado, qual foi o manejo que foi dado a ele. É isso que vai determinar o que ele vai ser no futuro.

“Se você der carinho exagerado, muitas coisas, para uma criança também não significa que ela vai ser boazinha e um adulto seguro. Às vezes, muito pelo contrário. O fato de você dar demais ao filho. pode ser visto como um sinal de fraqueza e também torná-lo fraco. O mesmo acontece com o animal, damos carinho, damos boa alimentação, mas colocamos uma disciplina. A minha posição corporal, verbal, o tom da minha voz, os comandos que eu dou e o carinho, é que fazem o animal me identificar como um líder. Nenhum animal gosta de seguir pessoas fracas pois para eles na natureza, isso significa a morte “

De acordo com Gilberto, em cada ninhada, em cada espécie, entre os mamíferos, existem os Alfas, os líderes, que todos seguem. No mundo das abelhas também tem a rainha, que todos protegem. Onde todos têm as suas funções e hierarquia determinada. “No mundo animal, tudo é semelhante ao mundo humano. Não tem grandes diferenças”, reafirma Gilberto.

Nesta reportagem, a jornalista Mônica Krausz, que vos escreve ficou com medo de dar carne para o Tom em seu primeiro contato com um grande felino, mas se apaixonou pela tigresa Princesa e arriscou dar leitinho por trás da grade de seu recinto. Foi uma experiência emocionante e inesquecível bem no dia do meu aniversário. Um presente!

(Por Mônica Krausz)

Assista ao vídeo aqui.

Saiba mais em http://www.gilbertomiranda.com.br

Instagram: @gilbertomiranda

Contatos:

Email:
gilbertomiranda@globo.com

Endereço:
Estrada do Capuava, 3236 – Cotia – SP
CEP: 06715-725

Telefones:
(11) 98114-5000

Artigo anteriorBarueri terá 1º Encontro de Mulheres Protagonistas da Região
Próximo artigoDia de Ação de Graças