Imóveis: Ressaca do mercado derruba venda e locação no Estado de SP

As vendas de imóveis usados caíram 29,5% e a locação de casas e apartamentos recuou 32,33% em março no Estado de São Paulo na comparação com fevereiro em 1.228 imobiliárias nas 37 cidades pesquisadas pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).

As quatro regiões que compõem a pesquisa estadual registraram desempenho negativo em Março, com queda de 17,02% na Capital, de 31% no Interior, de 26,94% no Litoral e de 50,27% nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco. No mercado de locação, aconteceu a mesma coisa: queda de 18,84% na Capital, de 41,08% no Interior, de 4,02% no Litoral e de 37,93% nas cidades do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco.

“Março foi um mês de ressaca do mercado”, resume José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP. As vendas e a locação haviam crescido em Janeiro e Fevereiro e, como é característica desses dois mercados, movimentos de alta se alternam com movimentos de baixa. “São como `lotes` de decisões que vão sendo maturadas e, de repente, são tomadas, fazendo girar a roda dos negócios”, exemplifica.

“A alternância é natural porque as decisões de compra e venda e de locação de um imóvel não são tomadas num repente, da noite para o dia”, acrescenta Viana Neto. Ele ressalta que há um tempo de maturação entre a avaliação inicial e a decisão final do futuro comprador ou locador. “Pode levar um mês ou seis meses, e, no caso da venda, até mais, porque o imóvel costuma ser o bem mais caro que as famílias compram e por isso mesmo exige uma avaliação profunda sobre o que representará no orçamento”, destaca o presidente do Creci-SP.

Os preços, porém, não acompanharam esse movimento de queda nas vendas e na locação residencial. O índice estadual de preços de imóveis usados residenciais apurado pelo Creci-SP subiu 4,74% na comparação com Fevereiro, acumulando alta de 5,56% no ano e  de 5,13% em 12 meses. O Índice Creci-SP computou os preços de 3.573 vendas e locações formalizados nas imobiliárias pesquisadas.

Vendas financiadas

A maioria das vendas fechadas pelas 1.228 imobiliárias consultadas pelo Creci-SP em Março foi feita com financiamento bancário, modalidade que respondeu por 55,44% dos contratos. As vendas à vista somaram 39,8%, as financiadas pelos proprietários totalizaram 4,16% e ainda houve 0,59% de operações fechadas com carta de crédito de consórcios imobiliários.

Os apartamentos somaram 61,19% das vendas de Março, e as casas 38,81. Como em Fevereiro, os imóveis com preço final de até R$ 300 mil foram os mais vendidos em Março, somando 56,63% do total. Na comparação entre as faixas de valor final de venda, responderam por 61,89% do total os imóveis que tinham preço médio do metro quadrado entre R$ 3.000,01 e R$ 4.000,00.

Os proprietários concederam descontos sobre os preços inicialmente pedidos de 5,9% para os imóveis situados em bairros de áreas nobres; de 6,3% para os situados em bairros da região central e de 9,6% para aqueles localizados nos bairros de periferia.

Aluguel preferido

Casas e apartamento com aluguel de até R$ 1.000,00 foram os mais alugados no Estado de São Paulo em Março, segundo a pesquisa Creci-SP. Eles somaram 54,38% do total de novas locações.

Os proprietários concederam em Março desconto de 8,7% sobre o valor inicialmente pedido pela locação de imóveis situados em bairros de áreas nobres; de 10,5% para os de bairros da periferia; e de 11,9% para os situados em bairros de regiões centrais das 37 cidades em que a pesquisa Creci-SP foi feita.

Foram alugados 53,32% do total em casas e 46,68% em apartamentos. E foi devolvido às imobiliárias um número equivalente a 71,77% das novas locações. A maioria dessas locações – 62,63% do total – foi formalizada com a garantia do fiador pessoa física, vindo em seguida o seguro de fiança com 14,12% e o depósito de três meses do aluguel com 15,69%.

A pesquisa CRECISP apurou que estavam inadimplentes em Março 4,14% dos contratos em vigor nas 1.228 imobiliárias consultadas, número que representou uma queda de 13,21% em relação à inadimplência de 4,77% registrada em Fevereiro.

A pesquisa do CRECISP foi realizada em 37 cidades do Estado de São Paulo. São elas: Americana, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Franca, Itu, Jundiaí, Marília, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Taubaté, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, Bertioga, São Vicente, Peruíbe, Praia Grande, Ubatuba, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém.

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