Mães e profissionais

 

Mitos e verdades sobre a volta da licença maternidade

 

Gerente de RH que vive esta rotina, agora como recém-chegada esclarece o assunto, ainda difícil para muitos gestores

 

Horas extras, reuniões intermináveis, emendadas em Happy Hours, não é realidade possível para mulheres profissionais que se tornam mães. Os filhos passam a figurar dentre as prioridades dessas mulheres, que não mais se dedicarão 100% ao trabalho. Será?

Gisele Irikura, Gerente de RH da distribuidora GGD Metals, empresa brasileira há mais de 30 anos no mercado com 250 funcionários, sempre conviveu com casos de licença-maternidade de suas colaboradoras. Agora, é ela que retorna ao trabalho e levanta, com olhar crítico e com a experiência do Recursos Humanos, mitos e verdades sobre este difícil momento de adaptação tanto para a empresa, quanto para a mãe recém-chegada.

MITO: “A ausência de 4 a 6 meses é impossível sem atrapalhar a rotina corrida da empresa.”

A profissional que ao receber a notícia da gravidez planeja em conjunto com a empresa suas tarefas durante a sua licença maternidade, terá com certeza, maior tranquilidade ao retornar. Neste momento é importante delegar e treinar pessoas capazes de realizar o trabalho durante a ausência. Orientar fornecedores e clientes a quem eles devem se dirigir manterá tudo funcionando. Ao final da licença-maternidade, é recomendável destinar algum tempo para avaliar como tudo ocorreu durante a ausência, quais são as novas demandas e retomar o contato com seus líderes agendando calls ou reuniões ao longo da primeira semana de retorno. “Mães profissionais precisam otimizar o tempo, portanto estas reuniões devem ser curtas, objetivas e bem pautadas”, explica Gisele.

Os temas das reuniões devem ser:

·         Diagnóstico do período de ausência – e não relatos detalhados de acontecimentos.

·         Diretrizes a partir do retorno da profissional

 MITO: “A adaptação das crianças em escolas, creches ou babás atrapalham a vida profissional da mãe”

Cabe à mãe matricular o bebê em escola, creche ou contratar a babá, pelo menos dois meses antes do retorno ao trabalho. “Esse tempo da licença maternidade investido no acompanhamento próximo da mãe na adaptação do filho, lhe trará mais segurança e consequentemente mais tranquilidade ao voltar ao trabalho”, explica Gisele.

VERDADE: “Mães não viram mais madrugadas trabalhando na empresa”

Se isso for um comportamento frequente da profissional antes do nascimento do filho, o chefe pode ter certeza de que não será mais assim. É raro encontrar mães-profissionais que tenham suporte 24hrs da babá ou do marido em casa, ou mesmo que abram mão de passar algum tempo com seus filhos. “Tanto para o empregador, quanto para a Mãe-profissional isso poderá ser positivo, uma vez que ambos querem ganhar eficácia. Esta profissional precisará se organizar muito bem para terminar o trabalho dentro do seu horário, eximindo-se assim o risco de irregularidades com horas extras exageradas”, garante Gisele.

VERDADE: “Gerenciamento do tempo passa a ser essencial para estas profissionais”

Gerenciar o tempo para que as obrigações profissionais possam ser atendidas com qualidade dentro de um tempo normal de trabalho, já é importante para quem não tem filhos. Para quem os tem, é fundamental. “E positivo demais para a empresa, que terá uma profissional que buscará incessantemente mais eficiência ”.

MITO: “Profissionais mães tendem a faltar mais e com isso atrapalham o dia-a-dia da empresa”

É fato que nos primeiros meses do bebê exista um acompanhamento médico mensal e que as mães naturalmente são responsáveis por acompanhar seus filhos em suas afecções de saúde, mas não é isso que define a produtividade da empresa. É fato também que fora situações imprevistas, o absenteísmo em muito depende do bom senso de qualquer profissional (que tenha filhos ou não). “Profissionais organizadas e dedicadas conseguirão equilibrar as demandas profissionais com as demandas imprevistas dos filhos. E isso é um aprendizado para toda a vida. Quem não era organizada, passará a ser”, afirma Gisele. “Muitos profissionais faltam muito mesmo sem filhos, e isso faz parte do perfil deles, que deve ser avaliado pela empresa”.

Na GGD Metals, os índices de absenteísmo são baixos, e dentre eles, a justificativa “acompanhamento de filhos” representa apenas 3% das ausências!

MITO: “Após o período de estabilidade, quem retorna da Licença Maternidade é mandado embora”

Após 4 ou 6 meses de ausência, é fato que a empresa aprende a se organizar sem a presença da profissional. Contudo, nenhuma empresa quer perder bons profissionais. “Independente da maternidade ou do período de ausência, os profissionais que executam seu trabalho com dedicação, eficácia e criatividade tem espaço nas empresas” afirma Gisele

É mais comum as profissionais optarem por ficar com seus filhos, do que a empresa as desligarem. Aqui na GGD nosso índice de rotatividade é cerca de 2% a.a. e nos últimos 5 anos tivemos apenas 2 casos de desligamento pelo motivo da maternidade, ambos por opção das funcionárias.

“Na minha opinião, o retorno ao trabalho é ainda mais necessário para as mulheres que se tornam mães. É salubre para a criança que vai se adaptar a novas realidades e pessoas ajudando-a em sua socialização, e, também para quem estava habituada a vida profissional, além de fomentar financeiramente o futuro da criança”- Afirma Gisele

MITO: Ninguém é mais competente do para cuidar de um filho do que a mãe

O carinho dedicado aos filhos pelas mães é fundamental, e, de alguns pontos elas não devem abrir mão: educação, saúde e amor. Cabe aqui o exercício de “selecionar, treinar e delegar” tarefas de rotina as escolas, creches ou babás. O seu filho não deixará de te amar se você não for a responsável pelo “banho” todos os dias. Vale a pena também se perguntar: há pessoas mais competentes do que você para cuidar da sua carreira? Equilíbrio é uma chave de ouro.

VERDADE: “É muito difícil desvincular-se do filho após a licença maternidade”

Após meses de convivência íntima com o bebê é natural que a mãe tenha dificuldade de se desvincular para dedicar-se ao trabalho. “Este é o maior desafio” afirma Gisele. Tomar todos os cuidados acima descritos pode tornar este momento mais tranquilo, mas não menos difícil para as profissionais que se tornaram mães.

 

Gisele Irikura é gerente de RH da GGD Metals há seis anos e recém chegada da licença-maternidade, aplica à risca as regras mencionadas acima. “A maternidade é uma mudança mágica e significativa na vida das mulheres. É natural ter receio com a volta da licença, mas tudo correrá bem se estas novas mães e antigas profissionais aprenderem a se organizar, gerenciar o tempo e se mostrarem aptas a realizar as mesmas funções com mais dedicação e maestria do que antes, o que é totalmente possível dentro de um bom planejamento”, afirma Gisele. “Todos saem ganhando”.

 

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