Educação Reinventada no Colégio Samarah

Dirigindo uma comunidade de mais de 600 alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, Denis Franceschinelli, do Colégio Samarah, conta que está vivendo uma experiência inédita, pois a escola nunca havia trabalhado com ensino à distância. “Hoje nós estamos vivendo só isso”, ressalta. Para Denis, a educação além de transformadora, tem de se reinventar o tempo todo e é o que está acontecendo agora.

Assim, com esse propósito, do dia 19 de março até 27 de março os professores enviaram atividades para os alunos fazerem em casa como revisão. No dia 30 de março eles iniciaram o trabalho com videoaulas e descobriram que os alunos gostam muito disso. “Gostam principalmente de gravar vídeos para apresentarem os trabalhos deles”, conta.

Segundo ele, os alunos da Educação Infantil e do fundamental 1 usam uma plataforma e os alunos do Ensino Fundamental 2 e Médio usam outra pois estes últimos já usavam o ClipEscola como ferramenta de comunicação entre eles. Na educação infantil e no Fundamental 1, eles já começaram com o Google Education, que traz a possibilidade das aulas ao vivo.

“Nós resolvemos usar as aulas ao vivo porque percebemos que só as aulas gravadas poderiam se tornar um pouco cansativas”, explica. Para as aulas ao vivo, toda sala tem um professor moderador que organiza tudo. As estratégias usadas, segundo Denis, têm sido as mais diversas. “Tem professor que não se sente muito à vontade com a câmera e a gente faz um podcast. Porém tem outros que são youtubers natos”, conta. Ele conta que alguns professores, para fazer as aulas ao vivo, preferem ir para a escola gravar junto a lousa! Para estes, a escola disponibilizou quatro salas equipadas com tripé para as gravações.

 

Na Jardins de Monet a casa das crianças virou extensão da escola

Com 32 alunos do berçário à educação infantil, a Jardins de Monet é uma escola nova, aberta no início deste ano, mas que já está servindo de exemplo para outras escolas do Brasil que também utilizam o método Mackenzie.

Hoje a sua coordenadora grava as aulas para as crianças de 2 anos, 3 anos, 4 anos e 5 anos. Geralmente são vídeos de 3 a 5 minutos. “Então eu mando individualmente para cada pai destinado à criança e depois os pais me devolvem as atividades realizadas pelos seus filhos”, conta Antonio Alexandre Brandi, diretor proprietário da Escola.

Segundo Antonio, normalmente, os materiais desenvolvidos pelo Mackenzie ficam na escola, mas na situação atual a Jardins de Monet enviou os materiais para as casas dos alunos. “As atividades extras que eles fariam, eu imprimo na minha casa e depois entrego nos condomínios onde os alunos moram”, conta.

Neste link você pode conferir um encontro divertido do “tio Antonio”, apresentando seus cachorros aos alunos. A câmera ficou de cabeça pra baixo, filmou o chão, mas segundo ele foi tudo proposital porque na escola ele é o diretor brincalhão, que empurra as crianças na fila, faz brincadeiras o tempo todo e assim tem procurado fazer suas comunicações com os alunos:

Segundo Antonio, a devolutiva foi enorme. “Todos me enviaram vídeos de seus pets e eu retransmiti os vídeos das crianças para as outras crianças”, conta Antônio.

Até para os bebês os professores estão desenvolvendo vídeos de estimulação para as mães realizarem com as crianças!

Veja aqui como a professora de artes ensina as mamães e papais a prepararem uma máscara de coelhinho da Páscoa!

Ensino Remoto Emergencial na Escola da Vila

Na Granja Viana com Ensino Fundamental 1 e 2, do 1º ao 9º ano, a Escola da Vila vem vivenciando nestes dias o que eles chamam de Educação Remota Emergencial.
De acordo com Marília Costa Dias, a diretora pedagógica da unidade, há uma diferença entre Ensino à Distância, que é aquele ensino planejado para ser a distância e o que as escolas estão vivendo hoje, que é transformar em remoto o que era para ser presencial.
Segundo ela, apesar da Escola da Vila ter uma grande experiência com educação digital a partir do 6º ano do Fundamental 2, o que vem lhes ajudando bastante, a educação que fazem no dia a dia é presencial e por isso esse momento vem sendo um grande desafio já que a escola não é uma escola tradicional que passa conteúdos, mas uma escola que trabalha com os alunos na construção do seu conhecimento por meio de discussões em grupo, pesquisas e investigações dos alunos.

Marília conta que na Escola da Vila a partir do 6º ano, cada aluno já tem o seu próprio computador em sala de aula e todo o material dos alunos é centralizado no ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Todo o material pedagógico e a agenda estão centralizados no AVA. “No quarto e no quinto ano a gente já começa a fazer uso do AVA, mas muito monitorado pelas professoras”, conta.

“Nós estamos aprendendo muito sobre tudo o que estamos fazendo pois estamos tendo acesso a recursos que não utilizávamos antes”, diz. Para ela, a dificuldade maior está sendo com as crianças do 1º ao 5º porque os maiores, de sexto em diante já estavam acostumados a usar o computador no dia a dia escolar, então eles já tem mais autonomia e mais procedimentos.
Além disso ela conta que os pais dos maiores estão super gratos por ver os filhos se virando para estudar sozinhos neste momento, vendo-os envolvidos, inclusive trabalhando em grupos à distância. Porém os pais dos menores estão muito ansiosos porque também estão trabalhando home office, muitas vezes sem empregados em casa, tendo que dar conta do serviço doméstico, da alimentação e também do apoio digital aos filhos neste momento.
“E ai a gente fica planejando como fazer a educação para os pequenos de forma que todo mundo consiga passar por esse período de quarentena mantendo um pouco de saúde mental. Pra evitar que as pessoas adoeçam por ansiedade por stress”, comenta.

Marília também acredita que a escuta dos alunos, das famílias e dos professores está sendo muito importante para fazer ajustes nos procedimentos. Ela conta que no começo as aulas eram muito mais gravadas e que os pais tem pedido que as aulas sejam cada vez mais síncronas para que os alunos fiquem envolvidos com os professores e com os colegas no horário de suas aulas. “Eles pedem para que mantenhamos a rotina da escola”, conta.“Alguns alunos estão até vestindo o uniforme no horários dos nossos encontros online.”
Ela observa que quando acabam as aulas síncronas os alunos não querem sair da sala virtual porque a necessidade de interação entre eles está muito forte. “Isso reforça muito o sentimento de pertencimento à escola e à turma”, comenta. “Nós estamos percebendo o quanto isso tem sido importante, tanto quanto os conteúdos que a gente está trabalhando”, afirma.

Outra observação dos professores, segundo Marília, é que alguns alunos que não participavam tanto das aulas presenciais estão se revelando nos encontros digitais. “Isso nos mostra que na volta poderemos levar alguns recursos do digital para o presencial também para garantir que esses alunos continuem participando como agora”, comenta.

Para a diretora, outro ganho para a escola e para os alunos é que os professores das três unidades estão produzindo muitos materiais ou recursos multimídia que estão sendo compartilhados entre elas e assim os alunos têm a oportunidade de assistir aulas de professores que não são os deles também. “Esses matérias também serão uma herança deste período de quarentena, que nós poderemos usar futuramente”, explica.

A importância da Escuta no Colégio Rio Branco

Para Claudia Xavier, diretora da Unidade Granja Viana do Colégio Rio Branco, o momento que estamos vivendo hoje é tão diferente de tudo o que já vivemos que “quando voltarmos, não vamos mais encontrar o mundo como deixamos, nem as escolas como a gente deixou”.

Segundo ela, a escola já se utilizava bastante das ferramentas digitais, tanto que é uma escola de referência Google, que trabalha com os conceitos de conectividade e conexão, com professores formados para trabalhar com essas ferramentas e certificados nesta área digital.

Para ela, os professores da educação infantil são os que mais estão sentindo falta da presença física dos alunos porque o seu dia a dia é muito feito do corpo a corpo, do colocar no colo, de estar junto. “Eles tiveram que se reinventar”, comenta.

Ela conta, que na semana de 16 a 20 de março, os alunos tiveram uma semana híbrida, onde ficaram algumas horas na escola e outras horas em casa fazendo atividades online. E a partir do dia 23, todos em casa.

Embora os alunos mais velhos, a partir do 6º ano, já usassem todos os dias as ferramentas digitais, eles viviam o ensino híbrido, hora com aulas presenciais, hora com atividades online. “Nesse novo contexto virou tudo digital e a produção de conteúdos passou a ser muito mais intensa”, para todos os professores.

“Montamos um grupo de contingência para pesquisar, escolher ferramentas que utilizaríamos para dar suporte aos alunos, trocamos informações com as equipes de outras escolas e a partir daí resolvemos trabalhar com atividades síncronas e assíncronas”, conta. “Ou o professor está junto e vai sincronizando as atividades ou assincronamente ele vai postando atividades para os alunos realizarem”, explica.

Veja aqui uma atividade de meditação feita síncronamente com os alunos:


Claudia conta que uma boa estratégia que desenvolvera foi fazer avaliações diárias com a equipe e fazer fechamentos semanais também . Outra estratégia foi criar a escuta dos alunos, das famílias e dos professores, neste momento de instabilidade e vulnerabilidade de todos, quando as coisas estão muito voláteis e o medo e a insegurança de todos está muito grande.

Neste contexto, onde os alunos relataram estar sentindo falta do seu espaço de convivência ou da hora do recreio, e onde os professor demonstraram sentir falta da hora do cafezinho em grupo, eles criaram momentos de convivência online, onde os alunos compartilham seus momentos em casa com os colegas. Ou o momento do cafezinho dos professores, onde eles preparam a mesa do cafezinho em suas casas e conversam e compartilham entre si também, mostram sua casa, seus animais de estimação, seus filhos… “Isso foi humanizando as relações dentro do ambiente digital”, avalia.

Claudia também lembra que pretendem fazer fóruns de discussão com os pais, dando esse suporte para os pais pois fazer lição em casa é diferente de fazer lição de casa e fazer lição em casa quando a família está trabalhando em home office também é diferente de fazer lição de casa quando os pais estão trabalhado fora.

Veja aqui o depoimento de uma mãe:

 

“Nós acreditamos que neste momento o aluno está adquirindo uma autonomia muito maior, mas ele também precisa ser cuidado em suas emoções”, avalia a diretora. Agora, segundo ela, estão pensando nos processos avaliativos desta aprendizagem e neste processo estão fazendo encontros ou “meetings” com mais de 100 professores em uma tela.

Férias para planejar e orgnizar na Maple Bear


No mês de abril a Maple Bear Granja Viana ficou de férias mas já está pronta para atender seu alunos de forma remota a partir de 04/05, quando retornarem das férias antecipadas. Parar neste momento foi a estratégia adotada pela direção e coordenação da Escola para garantir toda a informação e orientação aos pais acerca das plataformas a serem utilizadas. “A MBGV entende que esse é um momento de dúvidas e muitas incertezas e por esse motivo deu preferência em acolher os pais trabalhando com eles primeiro, com calma, a forma como seus filhos serão ensinados”, explica a coordenadora Simone Naves.

O tutorial para o estudo à distância será compartilhado com os pais na segunda quinzena de abril, assim, segundo a escola, todos terão tempo de assimilar uma metodologia de ensino nova e tirar todas as suas dúvidas de uso com a  coordenadora. Tudo foi pensado para que haja calma e tranquilidade dos pais e alunos.

Ainda segundo a coordenação, mesmo em férias, nossos alunos têm várias atividades e desafios propostos no aplicativo de comunicação, Tell Me, utilizado na escola. “Paramos o vírus, mas o aprendizado, nunca!”, afirmam. “Nossas expectativas para 04/05, quando daremos início ao Bear Learning, como é chamado o ensino à distância da MBGV, são as melhores possíveis” diz  a coordenadora. “Através de uma equipe acadêmica brasileira e canadense, disponibilizamos a metodologia canadense em formato digital para nossos alunos, isso significa que que continuarão tendo os momentos de CIRCLE TIME, GUIDED READING , CENTERS, STORY TIME, LITERACY, entre outros tanto no programa brasileiro quanto no programa canadense que fazem da MB uma escola única também no Ensino à Distância”, explica.

Segundo ela, todo o tutorial será enviado aos pais na segunda quinzena de abril por email, Tell Me e aplicativo whatsapp. “Nós entendemos que será uma grande novidade para todos, mas mal podemos esperar por encontrar nossos alunos, mesmo que em ambiente virtual!”, diz. “Tivemos o cuidado de dividir os momentos da aula em interações em tempo real e aulas gravadas, além disso as aulas em tempo real serão gravadas e disponibilizadas na plataforma para os alunos poderem acessar em qualquer momento também, pois entendemos que os pais estão trabalhando em casa e muitas vezes há apenas aquele computador na residência”, explica. A coordenadora explica que o importante é que se estabeleça uma rotina. Para os pais que optarem pelo sistema todo gravado, é importante que o acesso aconteça todos os dias no mesmo horário.

“Lembramos que em qualquer uma das opções, o ambiente deve ser seguro e favorável ao aprendizado e silencioso. Cada turma trabalhará com sua Ms ou Mr, como são chamados os professores no ambiente bilíngue, desde a Educação Infantil até o Ensino fundamental II através de aulas interativas, contudo, sempre respeitando o “Screen Time”, Tempo de Tela, evitando longos períodos de exposição à tela do computador pelos alunos da Educação Infantil e fundamental I, mas sem perder a essência do melhor que a metodologia canadense pode oferecer”, diz. Segundo ela, o Bear Learning é um programa incrível, completo e muito bem estruturado. Não é um simples passar informações ou aulas cansativas online.

“No Ensino Fundamental II trabalharemos com aulas em tempo real e flipped learning, quando os alunos assistem a aula primeiro e depois fazem uma discussão aberta sobre o tema em real time”, conta. “Para todos os segmentos haverá muitos jogos, QUIZ, QR-codes, Raz-Kids, Khan Academy, Matific entre outros e muita diversão sem perder a essência “hands on” que a MB propicia a seus alunos.”

Férias adiantadas na Escola Pitangueiras

De acordo com Cleís Castelluber, diretora pedagógica e proprietária da Escola Pitangueira, a instituição optou pelo adiantamento das férias por não acreditar na qualidade da educação à distância. “Eu acho que com o ensino à distância dificilmente a aprendizagem é efetivada”, avalia. “Os professores não têm condições de dar essas aulas por plataforma, pois essa plataformas não foram feitas para o dia a dia”, diz. “Elas foram feitas para atividades esporádicas”, comenta.

Além disso ela comenta que a maioria dos pais não está disponível para ajudar os filhos nas atividades online já que estão trabalhando em home office. “Com os maiores as atividades até podem se sustentar porque eles já tem mais autonomia, mas e com os menores?”, questiona.

Para ela, se a situação de afastamento social se prolongar por mais de 30 dias, a escola deverá entrar uma semana em dezembro, repor as aulas em sábados e feriados, ou até entrar em uma semana em janeiro com aulas deste ano. Segundo ela, se tudo isso não for suficiente para repor os dias de afastamento, a escola fará aulas à distância em que os professores irão para a escola gravar as aulas na sala de aula vazia, só com um auxiliar para manejar os equipamento de suporte ao professor e enviará as aulas paras os alunos.
“Assim não teremos interferência da Internet da casa do professor que não está boa, do cachorro que latiu, do filho que entrou no meio da gravação e por ai vai”, conta. “Na escola teremos uma internet reforçada”, ressalta.

Neste período de afastamento da escola, porém as redes sociais da escola, facebook, Instagram, Linkedin, Pinterest, site e blog continuam trazendo conteúdos interessantes para os alunos e seus pais. Confira a apresentação das redes!

Por Mônica Krausz

Leia também a primeira matéria sobre o tema publicada em 09/04:
https://www.revistacircuito.com/educacao-em-tempos-de-coronavirus/