As incoerências do sistema monetário global são de longa data, bem conhecidas pelos economistas do Brasil. No entanto, as políticas adotadas sempre têm ido à contramão: dólar barato, juros elevados, estímulo para importar e produzir no exterior, continuado endividamento em moeda externa, venda maciça de swap cambial para manter o preço do dólar num mercado que quer sangue, nenhuma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência, ministério da educação no abandono. Com tantas mentes brilhantes o Brasil não está conseguindo se levantar do mar de lama para o qual foi empurrado. No meio, a população espremida e assustada, sem saber qual será o futuro.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que, no mundo, 43% dos jovens estão desempregados ou contam com trabalhos que pagam menos do que seria suficiente para mantê-los fora da linha da pobreza.
A desocupação dos jovens é uma questão muito séria, pois ficam vacilantes para definir metas e planejar o próprio futuro. No Brasil, a situação se agrava pelo despreparo e baixa capacitação para a leitura. Enfrentamos o apagão mental. O mundo precisa de uma geração forte que pense com clareza, com bom senso, sem medo do esforço e do trabalho e que possa confiar no empenho dos governantes e das empresas na busca de um futuro melhor. Na ausência disso, sobrevêm o desânimo e o desinteresse pela própria vida, o que fortalece potencialmente o consumo de drogas para preencher o vazio existencial.
Estamos diante de um momento significativo da humanidade, porém as pessoas ainda permanecem travadas em suas crescentes dificuldades. Estamos adentrando na “Grande ruptura”, título de livro escrito por Paul Gilding, professor da Universidade de Cambridge, Inglaterra. A humanidade chegou ao limite do materialismo e um grande colapso se anuncia. Percebe-se isso na confusão e desorientação, nas crises econômicas, nas alterações do clima e nas depressões e ansiedades. Falta a motivação essencial que só a compreensão do significado da vida pode oferecer para dirigir o querer da humanidade a projetos enobrecedores que dignifiquem a nossa espécie.
Por Benedicto Dutra, associado ao Rotary Club de São Paulo, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e autor dos livros: “O Homem Sábio e os Jovens”,“Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012…e depois?” e “Desenvolvimento Humano”.















