Já estão à venda os apartamentos de 1 e 2 dormitórios do empreendimento Villa Nova Fazendinha, na Estrada da Fazendinha, 2158, entre o bolsão da Fazendinha e o residencial Vila Velha, em um terreno de 10.800 m2. Prometendo um “condomínio clube” com pelo menos cinco torres de 21 andares com oito apartamentos por andar, mais três níveis de estacionamento, área de lazer com piscinas adulto e infantil, quadras, academia, salão de festas, playground e brinquedoteca, além de área comercial, escritório de coworking, lavanderia coletiva, 1 ou 2 vagas de estacionamento e apartamentos de um ou dois dormitórios com metragens que vão de 35 a 54m2, o empreendimento está trazendo grande preocupação aos granjeiros.

Quais serão os impactos de um empreendimento como esse na vizinhança? Uma conta rápida já dá a dimensão do problema: 21 andares x 8 apartamentos são 168 apartamentos por torre. Multiplicado por 5 são 840 apartamentos! Pior, no estande de vendas já se fala que cinco torres serão só na primeira fase do empreendimento e que o mesmo, completo, terá 15 torres! Nesse caso, seriam 2520 novas unidades habitacionais! Se cada apartamento tiver um auto na garagem serão no mínimo mais 2520 carros a mais no trânsito da região. Há um estudo de impacto deste empreendimento sobre a vizinhança da região?

E o esgoto destes apartamentos? O empreendimento fará uma estação de coleta e tratamento de esgoto? Até hoje a Sabesp não chegou com tratamento de esgoto à região e os bolsões residenciais utilizam fossas. Se não estiver prevista tal estação onde será despejado este esgoto? Em nossos córregos? Lembrando que a área onde está previsto o novo condomínio é de nascentes, onde inclusive havia uma lagoa que foi aterrada há alguns anos.

De acordo com a AMAFAZ – Associação de Moradores e Proprietários da Fazendinha, há algumas semanas, em reunião na Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Carapicuíba, a associação pediu informações sobre o empreendimento e as informações dadas indicavam dimensões infinitamente menores do que está sendo apresentado no estande de vendas pela Imobiliária Direções – confira os projetos no site da incorporadora.

Moradora do Fazendinha há mais de 30 anos, a aposentada Sônia Gomes foi até o estande de vendas do empreendimento como compradora para saber mais sobre o mesmo e foi ela que de tanto perguntar obteve, de uma supervisora de vendas, a informação sobre as 3 fases do empreendimento. “Eu já estava preocupada com os impactos de cinco torres, imagina quando ouvi que serão 15”, disse. “Fiquei muito chocada quando soube”, lembra.  A sua maior preocupação é com o destino do esgoto dos prédios.

Diante dessa situação, a reportagem da Revista Circuito tentou entrar em contato com a incorporadora e construtora BP8, mas o número divulgado em seus folhetos (11) 4444-6666 ficou em espera por mais de 15 minutos sem atendimento.

Entramos em contato também com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Carapicuíba para tentar obter as respostas para as perguntas colocadas acima. Segundo a assessoria, o empreendimento já está mesmo totalmente aprovado pela Prefeitura de Carapicuíba de acordo com o Alvará de Construção n° 396/2016 e, até o momento, não há projetos de novas vias para a região. A assessoria também informou que um estudo de impactos sobre o trânsito da região foi solicitado à construtora, mas não informou sobre os resultados deste estudo. Ainda segundo a Prefeitura, o esgoto do empreendimento será coletado pela Sabesp de acordo com Termo de Compromisso da Sabesp n° 425/2019 e que as nascentes serão preservadas de acordo com o Termo de Compromisso da Cetesb n° 425/2019.

Ainda segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Carapicuíba, o empreendimento possui as seguintes aprovações:
– Alvará de construção – N° 396/2016
– Certificado Graprohab – N° 425/2019
– Termo de Compromisso N° 425/2019 tramitado pelos seguintes órgãos: Secretaria de Habitação, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Empresa de Planejamento Metropolitano (Emplasa).

Neste momento, alguns movimentos de moradores estão se organizando para entrar com uma representação no Ministério Público para tentar evitar impactos negativos ao meio ambiente e no trânsito da região. Fizeram também uma Petição Pública online com esse fim.

Por Mônica Krausz

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