Pequeno manual prático para novos antigomobilistas

Se você pesquisar na internet encontrará dezenas de reportagens que ligam homens e carros, como por exemplo, uma pesquisa da Universidade de Minnesota (EUA) que aponta duas razões pelas quais os homens amam a direção: os apelos de afirmar a masculinidade por meio da tecnologia, e o de estar no controle do próprio destino.

Utopia ou não, tem uma pesquisa que não precisa ser realizada para saber a resposta quando se trata da relação homem/carros: grande parte da população masculina é fascinada pelos possantes antigos. Antigos, não velhos.

Se você duvida disso, então é só visitar um das várias edições de feiras de “antigomobilismo”, como redefiniram os apaixonados por carros antigos, espalhadas pelo Estado de São Paulo e verificar a quantidade de homens que se debruçam – e quase babam – pelos modelos restaurados, como os Mustangs, Mavericks, Dodges, Opalas, e até mesmo os fuscas.

“Há muito tempo, quando meu pai comprou o seu primeiro Fusca, me apaixonei pelas linhas do automóvel, e em 1993, quando relançaram o veículo aqui no Brasil, até comemorei”, declara Luís Felipe Martins de Lucia, presidente do Volkswagen 60’s (movimento formado por admiradores de Fuscas e família Volkswagen).

De acordo com Luís Felipe, a cada evento que ele e o amigo Gustavo Chalupe, presidente do Alpha Classic (encontros de proprietário de carros antigos), promovem, o número de proprietários de veículos antigo só aumenta.

Ser o proprietário de um possante restaurado, que cause inveja no restante da raça humana do gênero masculino é com certeza um marco na vida de um homem, mas mesmo que isso pareça um grande símbolo de “masculinidade” e “controle do próprio destino”- como foi citado no início dessa reportagem – é necessário cuidados para o destino do veículo não se tornar o ferro velho.

“Muitos tem o sonho de adquirir um carro antigo, mas não levam em conta que para restaurá-lo e conservá-lo é necessário dinheiro e tempo, além de contato com profissionais qualificados para a empreitada”, diz Emerson Lambiazzi, formado em Design, e proprietário da Empresa de Restauração de Veículos Antigos (E.R.V.A.) e atua na área há 20 anos.

O designer já restaurou automóveis como o Impala 63, Mustang 71, Cugar 75, Mavericks, Dodges, Pick Ups, Opalas, Karamann Guia e já até customizou e restaurou algumas motocicletas, porém o projeto mais difícil que enfrentou foi a restauração de um Fusca Cabriolet 1975.

“Acompanhei todo o processo por fotos e via e-mail na Alemanha, porém quando o Fusca chegou ao porto de Santos tivemos uma baita surpresa, pois o carro estava completamente “maquiado”, ou seja, tapearam o comprador”, declara Lambiazzi.

De acordo com o restaurador, este tipo de golpe é bem comum e requer atenção extrema de que pretende montar um “novo amor”.

“Levamos o carro para oficina, descobrimos que o mesmo não tinha condições de rodar normalmente, porque mais de 70% da estrutura estava comprometida. O veículo levou cerca de 11 meses para ser restaurado e tivemos muitos problemas com peças de suspensão, estrutura de capota, borrachas e outros. Foi necessário desenvolver 60% das peças aqui mesmo. O fusca me subestimou e me tirou muito sono e cabelos” afirma Emerson.

Para quem busca adotar o antigomobilismo como hobby, é necessário saber que essa brincadeira custa tempo e dinheiro – e tempo novamente, pois garimpar peças em lojas especializadas e ferros-velhos para tornar o veículo original ou até mesmo customizado, leva muito tempo.

Outro grande problema é que seja uma motocicleta ou veículo antigos o objeto do seu desejo, muitas vezes as peças não serão encontradas no Brasil, então é necessário mais uma vez tempo para pesquisar fornecedores importados e obviamente, dinheiro.

 Segundo Emerson, alguns tópicos são importantes para serem seguidos na hora de procurar o possante: procurar saber o histórico do carro, e principalmente os documentos; verificar bem a estrutura e alinhamento do possante; ver se tem grande parte original integra no veículo; verificar bem o interior do carro, como painel de instrumentos e bancos, tecidos e costura são originais; observar bem, mas muito bem mesmo a mecânica; nunca mostrar o amor à primeira vista, pois com isso o valor na hora da compra aumenta consideravelmente, e levar um amigo que já tenha um antigo.

Para o empresário Eduardo Cavalcante, apaixonado por motocicletas e proprietário do Le Macchinari Lava Moto, essas precauções são validas também na hora de comprar uma moto antiga.

“Não importa o estilo da motocicleta antiga que você escolha, de custom a cross, o importante é saber a procedência da nova aquisição, tratar com pessoas especializadas no assunto e conhecer o histórico”, diz Eduardo.

Mas o empresário ressalta o que Emerson já disse. “É um hobby incrível ser colecionador, mas requer tempo e principalmente muito, muito dinheiro”, finaliza.

Artigo anteriorFaça você mesmo
Próximo artigoEquipe feminina de Handebol de Cotia reivindica bolsas