Política transformou-se em futebol?

Thiago Martins faz uma analogia: no Brasil, política transformou-se em futebol e intolerantes em torcida organizada.

Há alguns dias, eu estava a navegar por uma rede social quando me surpreendo com um comentário impertinente de um antigo colega de escola. Ele propagava ódio e desejava estropícios a algumas pessoas que possuíam ideias opostas a dele.
Contudo, não acaba por aí, o enredo gerado nos comentários era generalizado e a notícia alvo de críticas medianas transparecia a ignorância dos usuários que ali se digladiavam. Polarização que me fez lembrar os maiores clássicos do nosso futebol, como o Fla-Flu, Grenal e o Dérbi.
Afinal, o que causou esta polarização política? Para obter-se uma resposta, será necessário reportarmos a um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa concluiu que 52% dos brasileiros urbanos consomem notícias diárias do Facebook e, por conseguinte, boa parcela usa a rede social como fonte primária de notícias e informações.
A pesquisa ainda aponta que houve uma divisão política significativa entre 2014 e 2016, de forma que ficou mais evidente após o impeachement da até então presidente, Dilma Roussef. Não obstante, a polarização vem se intensificando não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Nos Estados Unidos 91% dos eleitores indagados, disseram que a acrimônia política era um problema sério, ou seja, esta separação afeta até mesmo relacionamentos duradouros entre casais, amigos e parentes. Um cenário não muito diferente daqui, embora cada país possua suas peculiaridades.
Por outro lado, de acordo com pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Ottawa (Canadá), os usuários interessados em política são aqueles menos propensos a integrar bolhas ideológicas, pois ao consumir diferentes fontes de informação essas pessoas conseguem tecer opiniões sem a influência tóxica daqueles que pretendem manipular os fatos.
Em que pese a pesquisa considerar também a idade, a renda, a etnia e o gênero para a probabilidade, que de fato influencia. Ficou demonstrado que aqueles que dependem de apenas um único meio de notícias são os mais enviesados a pertencerem uma bolha ideológica.
Ademais, a política ganhou espaço em bares e botecos. Para o cidadão que discute política com os ânimos aflorados, todo cuidado é pouco, disseminar opinião ou informações errôneas não tirará apenas sua credibilidade, como, possivelmente, o fará ser motivo de chacota coletiva.
Para concluir, pense duas vezes antes de estufar o peito e esbravejar informações sem ter certeza do que estar sendo dito, checar as informações é fundamental. Por fim, todo debate é bem-vindo, desde que haja respeito à opinião do próximo, até porque ninguém nasce com opinião formada sobre o mundo, isso é algo que se constrói com o tempo e é inevitável que mudemos de ideia no decurso da vida.
 
Referências
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/graficos-mostram-polarizacao-politica-nas-redes-sociais-no-brasil.html
https://www.nytimes.com/2018/08/17/us/politics/political-fights.html
https://www.sciencedaily.com/releases/2018/02/180221204928.htm
 



 
Thiago Martins, 21 anos, acadêmico do curso de Direito, editor do blog ramojuridico.com, colunista de alguns veículos e assistente jurídico no escritório Martins & Teixeira.

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