Os belos dias de primavera são vividos quase como de costume na Holanda. No país que optou pelo que o primeiro-ministro Mark Rutte definiu como “confinamento inteligente”, a regra de ouro é o respeito à distância de 1,5 m de uma pessoa para outra.

As medidas para frear o coronavírus na Holanda foram menos drásticas que as adotadas por Itália, Espanha e França e não exigiram o confinamento da população, embora as autoridades holandesas tenham pedido aos cidadãos que permanecessem em suas casas e optar pelo home office.  “Quando cheguei aqui, em meados de fevereiro, tudo ainda estava normal. Quinze dias depois, as precauções começaram a ser tomadas”, relembra o cavaleiro William de Carvalho.

Parque na Holanda (Foto: ANP/AFP/Arquivos)

Começou, primeiro, com isolamento quase que total. “Não chegou a completar um mês e passou a funcionar farmácias, supermercados… no sistema tipo guerra química mesmo, com uso de máscara e não aceitando pagamento em dinheiro. Depois, foi aliviando. A autoridade daqui, assim como o presidente do Brasil, pediu que as pessoas voltassem a trabalhar, porque mesmo um país rico como a Holanda é capaz de quebrar se não tomar os devidos cuidados”, conta.

Desde segunda-feira (11/05), o país europeu deu seus primeiros passos para aliviar o bloqueio das cidades contra o coronavírus. As escolas primárias, fechadas há oito semanas, voltaram a funcionar. No entanto, os grupos por turma foram reduzidos à metade, o que significa que alunos vão assistir aulas em meio período, enquanto os maiores continuarão assistindo às aulas on-line. As autoridades avaliam a possibilidade de os colégios de ensino médio reabrirem em 1º de junho.

A proibição de reunião de pessoas continuará em vigor até 1º de setembro, o que significa que os campeonatos só serão retomados a partir de então. Willian, profissional de hipismo, teve todas as provas a que participaria canceladas. Ele faz parte da Team Collins-Strijk, que tem sede em Riethoven (Holanda), e mesmo com o confinamento, sua rotina não foi alterada. “O estábulo, como chamamos as hípicas aqui, continuou funcionando. Trabalho desde então, alimentando e cuidando dos cavalos. As pessoas frequentam no final da tarde, tomando as devidas precauções”, comenta.

Uma pena é que ele não tempo de, nas horas vagas, curtir a cidade. “Estou próximo a uma vilazinha super transada e turística, famosa pelos restaurantes. Acho que vou curtir bastante, quando puder, né?”, apostou na época em que conversamos com ele. No entanto, bares, restaurantes e museus continuam fechados, pelo menos, até o dia 19 de maio.

E até lá, William – que atualmente mora na Costa Rica – já terá que ter regressado ao continente americano. “Eu só posso ficar na Holanda apenas três meses, porque tenho visto de turista e só vim para competir e trabalhar por um período”, comenta. “A preocupação é que a Costa Rica deu o alerta vermelho e não pode sair nem entrar no país, só nacionalizados e residentes. Sou naturalizado por lá, mas a preocupação é não consegui sair daqui para ir para lá”, finaliza.

Assim que retornar à sua casa, ele promete nos contar como anda a situação por lá. O que sabemos é que, com 5 milhões de habitantes, a Costa Rica é o país da América Latina que registra as melhores estatísticas sobre o novo coronavírus. Segundo dados divulgados no domingo (10/05), são 792 casos confirmados, sete mortes e apenas 21 pessoas internadas por causa da doença. De acordo com a avaliação do ministro da Saúde, Daniel Salas, em entrevista ao jornal local The Tico Times, a rapidez de resposta do governo foi importante, mas a colaboração da população foi o diferencial. Três dias após o primeiro caso confirmado, em 9 de março, o governo suspendeu reuniões em massa e incentivou o trabalho remoto. Em 15 de março, bares, casas de shows, cassinos e parques de diversões foram fechados. Em 16 de março, foi declarado estado de emergência, com restrição à entrada de não cidadãos e suspensão de aulas. Após duas mortes, os parques nacionais, praias e centros religiosos foram fechados. Também foi proibido dirigir à noite e um esquema de rodízio de placas foi imposto.

Por Juliana Martins Machado, com informações de agências de notícias

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