Casarões Coloniais de Cotia

Em artigo, o historiador Marcos Roberto Bueno Martinez reconstrói a memória e um pouco da arquitetura da cidade.

Benedita Amélia Barreto Alves (a dona Zizinha) lembra de um dos nomes dos donos do casarão: “o Sr. Vermelino”. Segundo alguns comentários, esse bar era muito elegante para a época. O Dr. Osvaldo Manuel de Oliveira, que nasceu em 1931, conta que o bar também foi do seu Laurindo Jorge Lima e que, realmente, era um bar cheio de glamour. O último proprietário, antes da demolição do casarão no final de 67, foi o Sr. Mishimura. O casarão localizava-se à rua Senador Feijó, próximo a Travessa do Felício.

Podemos apreciar um outro ângulo do casarão. As fotos foram tiradas na dia 19 de Novembro de 1967 por Pedro Victor Júnior, morador da cidade. No local da praça onde está o casarão, ficam o ex-abrigo de ônibus e uma banca de jornais, bem na pontinha da praça da Matriz, do lado direito.

 

Do lado esquerdo temos o casarão e do lado direito o sobrado do Sr. Alípio. A parte de cima era a área residencial do prédio, e embaixo ficava o salão comercial. O Dr. Osvaldo recorda que na parte comercial do prédio funcionava uma farmácia e que, tempos depois, foi ocupada por três agências bancárias: o Banco Popular do Brasil, o Banco Riachuelo e mais recentemente o Bradesco. Uma característica que já podemos definir sobre a cidade é que ela era essencialmente religiosa. No primeiro plano da foto está Benedita Amélia Barreto Alves carregando a imagem de Nossa Senhora da Aparecida e ao seu lado está seu esposo, Joaquim Alves, com o estandarte do Divino Espírito Santo. No ano de 1965 eles foram os festeiros. Esse também foi o último ano em que a tradicional distribuição de alimentos foi realizada.

Partindo do lado direito da rua Dois de Abril, margeando a praça, tínhamos o armazém de secos e molhados de Rajá Ganem. Segundo depoimentos de Lufit Ganem, “no armazém se vendia de tudo”. Com a desapropriação da casa aconteceu a sua demolição em 1967, para ampliação da praça. Na frente da Igreja da Matriz, do lado oposto da praça, tinha um outro casarão… Segundo o Dr. Osvaldo, nessa casa funcionou uma farmácia que pertenceu a José Martins Barros e, depois, estabeleceu-se ali a barbearia de Roque Giannetti.


Visão ampla da rua Dois de Abril. Olhando da porta da igreja para o lado esquerdo percebemos um estabelecimento: era o restaurante de Emília Costa.

 

 


Marcos Roberto Bueno Martinez é historiador e foi o organizador do projeto Conhecendo Cotia que levava alunos aos pontos históricos do município. Ele também é autor do livro Cotia: Memória & Imagem.