
Quem já não deparou com uma armadeira pelas ruas da região? Ou encontrou filhotes de cobra? Ou ainda não ficou frente a frente com um escorpião?
Em razão da natureza privilegiada do município, você ou alguém próximo já deve ter passado por situações inusitadas com espécies dos animais citados. Depois do susto, sempre vem a pergunta: o que fazer com o bicho, já que ele pode oferecer perigo não só para a família, mas para os animais de estimação?
Primeiro, é importante que você conheça mais sobre essas espécies e saiba a diferença entre os animais peçonhentos e os não peçonhentos. Isso ajudará, principalmente, se você estabelecer algum contato com eles, seja sem querer ou para captura (destinando-os para estudos).
As chuvas desalojam os animais que vivem em tocas, como escorpiões, aranhas e serpentes. Eles acabam procurando abrigo em locais mais secos, muitas vezes, dentro de residências, aumentando, dessa forma, o risco da ocorrência de acidentes.
Em regiões com muitas árvores, assim como a Granja Viana, as taturanas ou lagartas são bastante comuns. Elas são encontradas em árvores frutíferas e em arbustos caseiros, onde a prática da jardinagem é frequente. As que podem causar acidentes são formas larvais de mariposas, que possuem cerdas pontiagudas contendo as glândulas de veneno. O acidente é relativamente benigno, na grande maioria dos casos. O contato leva à dor e à queimação local, com inchaço e vermelhidão discretos. O gênero Lonomia é o único que pode causar envenenamento, com hemorragias a distância e complicações como insuficiência renal.
Se acontecer com você, não se automedique. Vá até um médico e ele poderá cuidar para que você ingira ou aplique o medicamente necessário.
Quais espécies de aranha posso encontrar na Granja Viana?
Aranha Marrom
Possui hábitos noturnos, só pica quando não há possibilidade de fuga e habita regiões peridomiciliares. É encontrada, principalmente, no interior das residências, em armários, roupas e sapatos. Muitos acidentes acontecem por esmagamento, quando a pessoa vai vestir uma roupa sem percebê-la. Em casos de picada (casos mais graves), a dor no local é intensa, seguida de febre. A urina torna-se escura e, nessa fase, as complicações renais põem a vida da vítima em risco. Crostas escuras e duras são comuns nos locais da picada, sendo possível encontrar, ainda, áreas arroxeadas, bolas e gangrena local.
Aranha-Caranguejeira ou Tarântula
São as maiores da ordem, podendo chegar a 30 centímetros de envergadura. Caracterizam-se por ter patas longas com duas garras na ponta e corpo revestido de pelos. Habitam ambientes diversos. Seu veneno é pouco potente e não são agressivas, assumindo postura defensiva apenas se molestadas. Uma de suas defesas são os pelos urticantes de suas costas e abdômen, que irritam a pele do possível predador.
Aranha-Armadeira
São altamente agressivas e peçonhentas, pois produzem um veneno cujo componente neurotóxico é tão potente que apenas 0,006 miligramas é suficiente para matar um rato. Frequentemente, são encontradas em entulhos, lenhas, tijolos, buracos de árvores, folhagens, debaixo de pedras, cupinzeiros, bananeiras e habitações humanas à procura de alimento, parceiros sexuais ou mesmo abrigo, escondendo-se em roupas e sapatos. Por isso, sempre olhe dentro dos sapatos antes de calçá-los. Quando incomodadas, picam furiosamente diversas vezes, e há registro de centenas de acidentes envolvendo essas espécies anualmente: são responsáveis por aproximadamente 42% dos casos de picadas de aracnídeos notificados no Brasil.
Aranhas de Jardim
Apresentam coloração marrom-clara ou cinzenta, ventre negro e quelíceas com pelos alaranjados ou avermelhados, com mancha negra em forma de seta no dorso do abdômen e seu veneno é pouco potente. De hábitos diurnos, vivem próximas de residências e piscinas, em jardins e pastos, o que facilita acidentes. O veneno da aranha de grama, como também é conhecida, causa uma dor intensa, com sensação de queimação e formicação, e pode provocar reações alérgicas. Mas, geralmente, a picada não causa problemas tão graves.
Viúva-Negra
Possui coloração preta, com mancha vermelha no abdômen. A fêmea mede de 2,5 centímetros a 3 centímetros, e o macho apenas alguns milímetros. Seu nome advém do fato de a fêmea, na maioria das vezes, devorar o macho após o acasalamento. Vive em teias que constrói sob vegetação rasteira, arbustos e barrancos e, embora cada uma viva em sua própria teia, é comum formar-se um aglomerado. Em geral, seu veneno é extremamente potente e mortal. A espécie brasileira não oferece perigo aos seres humanos, tanto que não se produz soro para esse tipo de acidente no país.
O desequilíbrio ecológico é a principal causa do aumento de acidentes envolvendo animais venenosos, como cobras, escorpiões, aranhas, abelhas e lagartas.
Dicas do Instituto Butantan
O que fazer ou não fazer no caso de uma picada ou mordida:
− Lave o local da picada apenas com água ou com água e sabão;
− Hidrate a vítima com goles de água;
− Eleve o local afetado;
− Leve a vítima, imediatamente, ao serviço de saúde mais próximo.
Não faça, em hipótese alguma:
− Não corte nem fure o local da picada;
− Não aplique torniquete.
Você sabia?
Que o Instituto Butantan, desde 1901, produz imunobiológicos voltados para a saúde pública? Hoje, são disponibilizados ao SUS: 13 tipos de soro, quatro tipos de vacina e alguns produtos estão em desenvolvimento, como o soro antiabelha-africana.
O objetivo inicial do Instituto era produzir soros antivenenos, específicos para serpentes da América do Sul. Atualmente, além da produção de soros antitóxicos e antivenenos, o Instituto produz soro antilonomia (uma lagarta que produz um veneno fatal), antiveneno de abelha e soro antibotulínico.
Coleta dos animais
Retirar o animal do seu hábitat pode comprometer a sobrevivência de outros organismos. Os animais poderão ser encaminhados ao Instituto Butantan somente quando houver dúvida sobre a periculosidade ou iminência de risco de acidente.
É preferível que o animal seja encaminhado vivo, em razão de algumas espécies ser importantes para a obtenção dos venenos e produção do soro antiofídico, antiaracnídico e antilonômico. O Instituto Butantan também recebe doações de espécimes mortos e, nesse caso, é recomendável colocar o animal em um recipiente com tampa contendo álcool etílico comercial e também um papel escrito a lápis com dados do local e data da coleta.
Saiba como proceder no site www.butantan.gov.br
Como proteger seu animal de estimação
De acordo com a veterinária Rita de Cássia Tiano Garcia, os acidentes com essas espécies são comuns para bichinhos de estimação, devido ao instinto de curiosidade que eles apresentam em explorar locais escondidos. “Por isso é importante lembrar os proprietários de sempre manter o local do seu animal de estimação limpo e organizado”, explica.
Quando um acidente desses acontece, dificilmente o dono consegue reconhecer, e a consequência disso é que muitos animais vêm a óbito em razão da demora no socorro.
A primeira medida que se deve tomar quando se suspeita de um ataque é levar o animal imediatamente a uma clínica veterinária, pois não há nenhum procedimento que o proprietário possa realizar em casa, por causa da grande toxicidade dos venenos; o atendimento deve ser rápido e somente feito pelo médico veterinário. Uma picada de aranha marrom, por exemplo, pode causar em seu animalzinho um edema no ponto da lesão, dor, febre e mal-estar.
Fiquem atentos a diversos outros sintomas que podem ser decorrentes de mordida ou picada: dor, depressão, diminuição dos reflexos, edema, hemorragia, gengivorragia, claudicação (ou seja, começam a mancar), membros flexionados, prostração, parestesia, tremores musculares, falta de coordenação motora, ptose palpebral (olhar de bêbado) e paralisia respiratória.
Cuidando da criançada
Os cuidados para proteger as crianças dessas companhias são os mesmos de anos atrás.
− Colocar tela nas janelas, higienizar e dedetizar frequentemente os ambientes.
− Os inseticidas estão menos agressivos. Por isso, podem ser aplicados no quarto, de três a quatro horas antes de a família se deitar. Areje o local uma hora antes. Se o seu filho possui algum tipo de alergia respiratória, como asma ou rinite, consulte o pediatra antes.
− Ao ar livre, o melhor é usar repelentes infantis (em crianças a partir de 6 meses) e roupas que cubram a maior parte da pele. O indicado é que o repelente seja aplicado nas crianças, no máximo, três vezes por dia, e só nas áreas que ficam expostas.
− O repelente deve ser aplicado sobre a roupa, antes de a criança vesti-la – mas teste antes, pois pode estragar o tecido. O produto pode ser usado a partir de 2 anos.
− Ensine as crianças a evitar brincadeiras perto de buracos, telhas e madeiras.
Atenção
Em casa é importante examinar as roupas de cama e banho, vedar frestas e buracos em paredes, forros e rodapés, pôr tela nas janelas, fechar os ralos, evitar andar descalço, limpar terrenos baldios e preservar predadores naturais, como pássaros, galinhas, corujas, sapos e lagartixas.
Qual a diferença:
ANIMAIS PEÇONHENTOS − São aqueles que possuem glândulas de veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Ex.: serpentes, aranhas, escorpiões, abelhas, arraias.
ANIMAIS VENENOSOS − São aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento passivo por contato (taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu).
Por Mariana Marçal












