“De repente a pandemia chegou, nós passamos a trabalhar em casa e começamos a enxergar melhor o nosso pedaço”, conta Sérgio Paiva, do Movimento Fazendinha Viva, apresentado à comunidade em agosto deste ano. “Começamos a usar mais os nossos espaços comuns do condomínio, ou andando de bike, ou fazendo uma caminhada, claro que protegidos com máscaras, mas começamos a descobrir espaços aqui dentro”, lembra. “Nestes percursos, descobrimos até pequenos riachos e cachoeira que a gente nem sabia que existiam aqui”, ressalta.

Foi assim que alguns moradores começaram a conversar pelas nossas redes sociais internas do bolsão e resolveram reunir pessoas, independente da Associação de Moradores, para pensar em ações que pudessem tornar seu espaço melhor ainda para todos. “Isso aqui já é um lugar muito especial, se tivermos mais gente pensando em como preservar mais e como criar iniciativas para que as pessoas se encontrem mais, convivam mais e curtam mais espaço, melhor, isso tornaria o Fazendinha mais vivo”, diz.

De acordo com Sérgio, foram criados cinco grupos temáticos de trabalho formados por moradores totalmente voluntários. “Nós temos o grupo do uso de espaço coletivo, o grupo de meio ambiente, o grupo de infraestrutura, o grupo de segurança e o grupo de comunicação”, enumera. Segundo ele, melhorando tudo isso até valorizam o espaço onde vivem. Hoje o movimento já reúne cerca de 130 moradores do Fazendinha.

Fazendinha vista do alto

Nesse período de eleições, uma das iniciativas do movimento foi entrar em contato com todos os partidos com candidatos de Carapicuíba e abrir espaço para que todos possam apresentar propostas que digam respeito ao Fazendinha. “Nós enviamos uma pauta na qual incluímos preservação ambiental, infraestrutura, mobilidade urbana, plano diretor e segurança, entre outros temas, e todos os candidatos podem nos enviar um vídeo com até 10 minutos com suas propostas para colocarmos no nosso Instagram”, explica Sérgio. “Nosso movimento é totalmente apartidário, e por isso está aberto a todos que tiverem propostas para o Fazendinha”, afirma. “Isso ajuda a colocar o Fazendinha dentro da pauta do legislativo”, observa.

O grupo de Utilização dos Espaços Coletivos, por exemplo, tem conseguido voluntários para realizar aulas de ioga nas praças do bolsão, por exemplo, grupos de bike, grupos de caminhada… Outra ação interessante será uma Campanha Educativa de Trânsito interna para evitar atropelamentos de animais e até de moradores como já ocorreu no local. “Vai ser uma campanha de três dias com uma participação bem ativa do grupo de comunicação”, conta Sérgio. Ele ressalta que o movimento só faz sentido com participação. “É um movimento por moradores, com moradores e para moradores”, diz. “O combustível do movimento é a participação dos moradores, e este é um movimento totalmente inclusivo, ou seja, está aberto a todos os moradores para que tragam suas ideias.”

Outro movimento da região, já bem mais antigo, é o União da Granja, que abrange representantes de bolsões residenciais de Cotia e Carapicuíba. Segundo a coordenação deste movimento, o União da Granja nasceu em 2015 por iniciativa de um morador da Chácara São João, que começou a reunir moradores para lutar contra uma invasão que ocorreu em 2014 próximo do Fazendinha, com mais de 500 pessoas. Isto é, o movimento nasceu com o objetivo de tentar conter, além das invasões, a expansão imobiliária desenfreada na região, a fim de manter a qualidade de vida que sempre se teve no local. Preservar o baixo adensamento, as nascentes, a fauna e a flora da região.

Em 2016, o movimento conseguiu até mesmo levar os candidatos a prefeito de Carapicuíba para conversar com os representantes dos condomínios com intuito de apresentar propostas para a região e assim nasceu um bom canal de comunicação com o atual prefeito de Carapicuíba, Marcos Neves, até revertendo uma mudança de zoneamento proposta pelo prefeito anterior. Ou seja, isso foi uma conquista do Movimento União da Granja.

Hoje o União da Granja reúne mais de 20 associações de Carapicuíba, além de algumas da Aldeia de Carapicuíba e outras de Cotia. Atualmente as reuniões do movimento são feitas on-line e o contato com os candidatos será feito a partir de um documento que está sendo elaborado com pleitos e sugestões das associações para a região. De acordo com a coordenação do movimento, o União da Granja tem interesse até de disponibilizar profissionais voluntários de diversas áreas para ajudar na futura gestão desde que o prefeito eleito se comprometa com as sugestões colocadas no documento proposto.

Entre os compromissos que se espera do futuro prefeito de Carapicuíba é conter esse avanço imobiliário desenfreado, mantendo o padrão de lotes atual, pois não se tem nem vias capazes de receber novos grandes empreendimentos. Compromisso em preservar as áreas verdes e, principalmente, as nascentes da região. Revitalização do Parque da Aldeia, entre outros. O mesmo, de acordo com o movimento, deve ser feito com os candidatos de Cotia.

Ainda no sentido de mobilizar os candidatos a vereadores da região, a Associação Zona Oeste Cidadã – O Observatório, em conjunto com a Sociedade Ecológica e Amigos do Embu (Seae) e o Movimento Transition Granja Viana promoveram um Manifesto Social para defender as pautas de cidadania e sustentabilidade como prioridade nas eleições municipais de 2020 em 12 municípios: Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba, Jandira, Itapevi, Cotia, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Vargem Grande Paulista, Embu-Guaçu, Taboão da Serra e Juquitiba.

O Manifesto inclui compromissos sociais e de cidadania em transparência e ética, além de eficiência do setor público. Aborda temas com meio ambiente e sustentabilidade, políticas públicas que levem ao desenvolvimento humano nas áreas de saúde, educação, segurança, entre outras.

Por Mônica Krausz

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