Reportagem Especial
O colunista convidado, Douglas Benite, viajou 26 mil quilômetros para conhecer e trazer a você um novo conceito das plantações de Minas, mostrar as cafeterias da Europa e o futuro da alta qualidade do café espresso em cápsulas. Entenda como funciona, desde o plantio até a mesa de sua empresa ou residência.

A rota não poderia ser melhor
Nossa aventura pelo circuito cafeeiro teve início nas regiões de Minas Gerais, onde são cultivados alguns dos melhores cafés do mundo – Alta Mogiana, Cerrado Mineiro e sul de Minas –, regiões estas que cultivam alguns tipos de café chamados de Arábica e Robusta.
Na realidade, o café produto final é uma composição de misturas de vários tipos de grão que, juntos, denominam-se “blends”.
Cada tipo de grão tem a sua função; alguns aromáticos, outros para dar corpo à bebida, e outros para formar a crema, enfim, uma única composição pode conter vários tipos de café de regiões distintas do mundo. Essas misturas servem para balancear e resultar em uma boa bebida, aromática, com cremosidade densa e níveis baixos de acidez.
Visitando algumas plantações e cooperativas de café dessas regiões, descobrimos que o modo de cultivar, colher e secar o café é muito importante para a qualidade da bebida; os trabalhadores colhem os grãos, um a um, em um sistema manual, e os frutos vermelhos denominados cerejas de café são escolhidos.
O sistema de beneficiamento também é diferenciado. O café é lavado, despolpado (retirada a semente de dentro do fruto) e colocado para secar. Diferentemente deste método, o café tradicional é colhido em peneiras e colocado no chão para a secagem; depois de seco, as sementes são retiradas e os grãos são limpos e beneficiados para a composição dos blends.
A torra
O sistema de torra também é muito importante, como todo o processo. Após serem “blendeados”, os grãos descansam por um período, para que a umidade seja equiparada e tenha, na hora da torra, uma cor
homogênea.
A torra varia entre clara, média e escura, sendo que, para o café espresso, extraído por máquinas, os grãos variam de clara a média; e o café para moer, de coador ou filtro, tem uma torra mais escura.
Existem vários tipos de café cultivados no mundo que nascem apenas em regiões da faixa tropical do planeta, sendo que existem particularidades diferentes e importantes de cada região para o sabor da bebida, de acordo com a altitude, a umidade, a acidez, o tamanho, etc.
Países e regiões importantes na produção de grãos especiais são: Brasil, Vietnã, Honduras, África, Colômbia e sul da Ásia.
Café em cápsulas
Visitar alguns países e regiões para entender e trazer para o Brasil o novo conceito de café em cápsulas, qualidade absoluta em café expresso, também foi uma tarefa importante.
Em Milão, estivemos na maior feira de café e equipamentos para espresso do mundo, a Venditalia, que reuniu os maiores fabricantes de equipamentos e produtores de café.
Para nossa surpresa, 90% da feira é voltada para o café em cápsulas e para máquinas de produção dessas cápsulas. Existem vários tipos de cápsula monodose, e cada uma delas com composições diferentes de sabores, onde com uma máquina pequena, em casa ou no escritório, você pode apreciar vários tipos de café de lugares diferenciados de todo o mundo, com particularidades de sabores e aromas que, há pouco tempo, só encontrávamos em cafeterias especializadas a preços altos.
Cada pessoa se identifica com um tipo de blend, e você pode ter em casa, por exemplo, dez tipos de café, inclusive os descafeinados. Com um simples toque no botão da máquina, estará apreciando os melhores cafés produzidos no mundo. Eu, particularmente, adorei um café que em sua composição tinha as seguintes espécies: Arábica Brasileira e Arábicas Indianas com um toque de Robustas do Vietnã. Simplesmente maravilhoso. E, ainda, foi extraído de uma máquina linda, do tamanho de uma garrafa.
Continuando nossa viagem, passamos pela Suíça, por Zurique, Turim, Veneza, Crema e mais algumas cidades do interior da Itália. Por onde passávamos, havia máquinas de café, e bastava colocar uma moeda para tomar um café especial, a qualquer hora do dia ou noite. Era possível encontrar máquinas de café espresso em cápsulas instaladas em carrinhos e servidas nos trens ou, melhor ainda, nos barcos em Veneza e ônibus de viagem.
Nas cápsulas, o café já é introduzido torrado e moído.
Na proporção de uma dose de café, é fechada em atmosfera modificada para manter a qualidade total, com validade por 12 meses. No preparo, basta apenas introduzi-la na máquina e apertar um botão. O restante é feito pelo equipamento. Este conceito está sendo implantado no Brasil. No exterior, o espresso já representa 95% do consumo de café.
Em quase 20 anos estudando e trabalhando com café, a primeira coisa que tive de descobrir foi por que escrever Espresso com “s” e não com “x”. Café espresso com “s” significa sob pressão; e “Expresso” com “x”, rápido.












