Mesmo com batalha por recursos, cria-la pode ser compensador.
Quando se falar em Organizações Não Governamentais (ONGs), as primeiras imagens que vem a cabeça são pessoas ajudando pessoas, animais, meio ambientes e outros cenários que encontram-se em estado de vulnerabilidade.
Mas apesar de ser um dos gestos mais nobres da natureza humana, infelizmente, só boa vontade por si só, não constitui, e principalmente, não se mantem uma ONG.
“Conceber e manter financeiramente uma ONG é um grande desafio, pois desde o inicio, além de um processo burocrático para viabilizar a empreitada é necessário doadores para manter os trabalhos”, diz o holandês Petros Dejons, mas conhecido por todos como Peter, que desde o ano de 2003 está à frente do Núcleo de Enfrentamento da Pobreza (Nuepo).
Hoje, com 88 anos, Peter encontra disposição para administrar a Nuepo que auxilia cerca de 300 pessoas, oferecendo cursos, palestra, mantimentos, orientando gestantes e munindo drogados e alcolatras a lutarem contra o vício.
Mas é lógico que a falta de recursos para realizar as obras não é novidade para ninguém, mas manter uma ONG na informalidade pode ser ainda mais trabalhoso para os altruístas.
“Quando você legaliza a ONG, começa a trabalhar com maior transparência. Pode até não atrair o investidor, pois essa é uma busca diária, mas dá confiança a quem destina verba para as instituições”, declara Flávia Cravo, assessora de comunicação do Projeto Âncora, que auxilia na educação de crianças em situação de risco e vulnerabilidade com idades entre 2 e 15 anos.
De acordo com Flávia, fica mais fácil atrair apoio e incentivos quando se trabalha com a transparência que a legalização oferece.
Mas apesar de ajudar muito, também não é só com dinheiro que se constrói uma ONG, também é necessário algo mais precioso: tempo.
Sem tempo dos envolvidos para se dedicar a empreitada do terceiro setor – como também são denominadas as ONGs – nada é possível.
“Aqui temos diversos voluntários, que doam seu tempo e se dedicam com atividades que vão da limpeza do nosso espaço até a área administrativa da ONG”, declara Peter.
Mas e a recompensa de tanto esforço e dedicação? Tanto Flávia quanto Peter afirmam que desde o início da jornada, esta é uma das ações mais compensadores que existe.
“Estamos aqui para prestar um ótimo serviço social e se doar ao próximo, e ver as pessoas que passaram por aqui vencer na vida é compensador, como é caso do ator Fábio Neppo, que atualmente interpreta o personagem Kleiton na novela Cheias de Charme, da Rede Globo”, declara Flávia.
Aos 12 anos Fábio foi um dos primeiros educandos do Projeto Âncora onde iniciou seu contato com a dramatização por meio de aulas de teatro e atividades de circo.
O contato com as artes deu tão certo que, em 2003, foi indicado na categoria de melhor ator coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado, com o filme “De Passagem”, do diretor Ricardo Elias.
Fábio não só conquistou o prêmio como ofereceu a estatueta (Kikito de Ouro) ao Projeto Âncora, dedicando sua vitória à entidade.
“Recebi todo carinho e estrutura que fizeram de mim o que sou hoje”, declarou o ator ao site da instituição.











