DEPOIMENTOS
Ser pai solteiro, nos dias de hoje, é algo mais comum do que muitos imaginam. Encontrar pais que, seja por qual for o motivo, têm de desempenhar os papéis de mãe e pai e assumir a educação e criação dos filhos é uma situação que se tornou frequente na sociedade moderna em que vivemos.
Ao assumir cada vez mais essa nova função, o homem precisa reestruturar suas percepções, obter mais compreensão e participação na formação estrutural de seus filhos. E como recompensa por desempenhar ambos os papéis familiares ganha uma nova forma de enxergar a vida, e brota dessa proximidade a compaixão do amor gratuito e incondicional. Em homenagem ao Dia dos Pais, a REVISTA CIRCUITO foi descobrir o que cerca o universo dos pais solteiros da região.
Cesar Moraes pai de Marvin – 12 anos

“Após viver com a mãe durante anos, meu filho decidiu que queria morar comigo. Foi um choque! Ela me ligou e disse que precisava falar comigo; fui até lá e acabei voltando com ele. Viver sem vê-lo todos os dias era um grande martírio. Sou amoroso e apegado ao meu filho. Todo dia tornou-se marcante. As transformações físicas, intelectuais, os gostos, sonhos e desejos, tudo acontece em uma velocidade incrível. Às vezes, acho que sou muito rígido e sei que a presença materna seria um terno consolo. Tenho de ensinar valores, princípios e, ao mesmo tempo, lidar com a rebeldia da puberdade. Por isso, há momentos em que tenho de atuar em ambos os lados. Às vezes, dito as regras e, em outras, tenho de me permitir ser um terceiro observador dos lampejos e astúcias de um garoto, por vezes, desobediente. Andamos de bicicleta, jogamos videogame, tocamos guitarra, vamos ao cinema e ao teatro, acampamos no verão. Somos muito ligados! Vivemos num mundo mágico, onde todos os dias dizemos um “eu te amo”. O Marvin foi um sonho que virou realidade e de que não abro mão. Ele é tudo na minha vida. Sou o pai mais feliz do mundo!”
Pedro Machado pai de Pedrinho – 12 anos
“Cada época, cada idade da criança é uma nova fase, uma descoberta, um aprendizado. O que sempre passou por minha cabeça foi poder proporcionar ao meu filho tudo aquilo que desejamos de melhor a este ser que vai continuar nossa história. Adoro ser pai. A sensação é ótima, embora a responsabilidade aumente na medida em que os anos vão passando. Fui eu sozinho que tirei as fraldas do Pedrinho. Ter acompanhado toda a gestação, assistido ao parto e depois ter cuidado dele – fazia de tudo, menos amamentar – nos aproximou de maneira que o vínculo entre nós cresceu e ainda cresce. É difícil, entretanto, me acostumar com a ideia de que estamos criando nossos filhos para a vida, e não para a gente, de que eles não são nossa propriedade. Talvez esse seja o maior de safio de todos. Procuro aproveitar cada momento que estamos juntos, viajamos, passeamos, brincamos… Entretanto, não apenas por diversão, mas, principalmente para educar, formá-lo para a vida. De uma simples brincadeira podemos, se prestarmos atenção, tirar grandes e duradouras lições. Há momentos que ficam gravados, às vezes, para a vida inteira.”
Urias de Figueiredo Neto pai de
Bruno – 27 anos e Vitor – 13 anos
“Fui “pãe” duas vezes. Na separação do meu primeiro casamento, o Bruno, então com 8 anos, optou por morar comigo. Anos mais tarde, casei-me e tive o Vitor, que também, na separação, escolheu viver comigo. Hoje, o Bruno é casado e mora em Madri, portanto, somos apenas eu e o caçula. Não é fácil, pois é preciso abdicar de muita coisa, mas é algo que faço com muito prazer. Estou vivendo um momento único na minha vida. Sou para os meus filhos tudo aquilo que meu pai não foi para mim. Todo o meu tempo é para o Vitor. Esforço-me para estar presente em todas as situações boas e, principalmente, as ruins. O pai tem de se dedicar aos filhos. Jogamos paintball, futebol, pescamos e andamos de bicicleta juntos, estudo para as provas com ele, faço o café da manhã, dou conselhos, educo… Sou totalmente presente na vida do Vitor. Amor, respeito e um “obrigado” nunca faltaram. Dificuldades todos têm, mas tudo é muito irrelevante perto dos momentos de felicidade. O amor é um combustível para encarar as dificuldades. Isso tudo é muito especial, não abro mão de estar com meu filho por nada. Hoje o que me deixa mais feliz é ver meus filhos se orgulhar de mim.”

Samuel Peter Brandli pai de
Matheus – 10 anos e Yandara – 7 anos
“Minha esposa estava doente e as circunstâncias fizeram com que eu tivesse de ir me preparando psicologicamente. E, mesmo com tudo, foi muito difícil! Todo o resto virou segundo plano. Nós três nos aproximamos muito. Dedico-me ainda mais a eles. Meu tempo é meus filhos. Já era presente na vida deles, mas agora ficou ainda melhor. Viajamos juntos, praticamos esporte, andamos de bicicleta, estamos sempre em contato com a natureza. Para mim, o maior desafio foi e ainda é ter de tomar decisões sozinho. Antes, eu conversava muito com minha esposa, trocávamos ideias sobre educação, limites, sobre tudo. Tinha alguém para me apoiar, me ajudar e dividir a responsabilidade. Agora tudo se resume a mim. Mas, diante disso, a força que as crianças mostraram ter, um exemplo de maturidade. Alimento-me da superação das crianças. Aprendi que o ser humano arranja forças onde nem imagina, você não desiste e, de alguma forma, tudo dá certo no final. A missão da minha vida virou meus filhos.”












