Um país extremamente fácil de viajar, de um povo muito alegre, falador e comida maravilhosa. Culturalmente muito rico, e bastante acessível economicamente. A Turquia tem grande variedade de locais turísticos a serem visitados e foi difícil estabelecer um roteiro.

Entrei em contato pela internet com uma agencia local que organizou todos os nossos translados. Fiz reservas de hotéis pelo “booking”, e de resto foi por nossa conta mesmo.

Interessante foi a nossa estadia em Istambul.

Na época eu fazia parte de um site “Homeexchange”, e nesta viagem foi a minha primeira experiência de troca de casa. Primeira de poucas, porque não achei muito interessante não, e acabei me desvinculando alguns meses depois.

Ficamos alojados num moderno conjunto residencial composto de algumas torres, mas relativamente afastado do centro.

Foi difícil achar o local pois o bairro era novo e poucos motoristas conheciam.

Tivemos inclusive uma experiência bastante estressante com um motorista de taxi. Após dar voltas e voltas pela cidade, insistindo em dizer que sabia o caminho, mas que claramente estava fora, acabou nos largando no meio do nada num bairro qualquer depois de uma enorme briga.

Graças a ajuda de um senhor muito fofo, conseguimos voltar ao caminho correto.

Mas acabou sendo uma experiência interessante “viver” por alguns dias como um habitante local. O apartamento era ótimo!

Istambul é estupenda e iluminada.

A visão do estreito do Bósforo é maravilhosa. Vista de vários ângulos, pelo alto, a partir do Palácio Topikapi e ao longo da orla, dá a exata medida da movimentada vida da cidade.

No porto, próximo à saída do bazar de especiarias, ficam algumas embarcações atracadas vendendo sardinhas fritas, numa churrasqueira, no próprio deck do barco…

O lugar fica absolutamente lotado e dá para sentar nas embarcações e degustar um lanchinho ao ritmo do balanço da maré. Imperdível…

O local que mais me impressionou foi a Cisterna de Filoxeno em Sultanahmet.

Este antigo reservatório de água foi construído no sec V d.C. debaixo do palácio de mesmo nome. As 212 colunas são de mármore numa altura de 15 metros e a capacidade da cisterna era de 40000 m3 de água.

Tive a sorte de visitá-lo num momento de pouquíssimos turistas, então, a iluminação, mais a música de fundo, criou um ambiente etéreo que me tocou profundamente me levando às lágrimas.

A Hagia Sophia fazia parte dos monumentos que mais desejava conhecer na vida. Basicamente para conhecer a segunda maior cúpula do mundo depois do Vaticano. Foi inicialmente uma catedral bizantina, depois católica romana, mesquita e finalmente transformada num museu. No início deste ano de 2020 houve um decreto transformando-a em mesquita novamente. Sé espero que isto não prejudique a visitação.

Fiquei chocada na visita ao museu do tapete quando vi no pátio, do lado de fora, os carpetes sendo lavados com uma máquina “lava-jato”. Eu, que tinha tanto cuidado com meus tapetes, agora lavo da mesma forma sem prejuízo algum.

Favas contadas de que seria uma roubada, foi a nossa ida a uma leitora da borra de café no fundo da xícara. Foi difícil chegar até ela e tivemos que perguntar incansavelmente ao redor da praça de Taksim.

Acabamos encontrando uma mulher. Mas, chegou a ser engraçado de tanta “abobrinha” que ela falou, e saímos de lá rindo muito…

Depois da visita à todos os outros pontos turísticos da cidade, que são muitos, partimos de ônibus para a Capadoccia.

A Capadoccia é uma região central da Turquia que envolve várias cidadezinhas e vilas. Opta-se por um vilarejo como ponto de apoio, e a partir daí pode-se visitar os locais turísticos ao redor.

Ficamos alojados num hotel “caverna” onde nosso quarto era literalmente numa caverna troglodita. Não tem o conforto de um quarto de hotel, mas, valeu a experiência.

Fizemos o famoso passeio de balão, que honestamente, não achei que vale o preço que cobram, mas, todo mundo faz, e acabei indo também. Fiquei bastante tensa e só depois de um tempo comecei a aproveitar o visual, pois estava mais preocupada que meu balão não batesse em outro e caísse…

Outra evento legal, foi que, por coincidência, o agente que organizou nossa viagem tinha o casamento de um amigo naquela região, e insistiu que fossemos junto.

Num primeiro momento ficamos preocupados em não ter uma roupa adequada para a ocasião. Vesti o que tinha de melhor na mala, e foi mais que o suficiente…

 As pessoas estavam vestidas de maneira bem simples, e nos sentimos relativamente à vontade, apesar dos olhares estarem sempre voltados para nós.

Presenciamos a cerimonia, danças e comidas que servem nesta ocasião.

Houve uma tentativa de comunicação por parte dos convidados; mas não falavam inglês, e através de gestos e mimicas nos entendemos um pouco.

Foi bacana, pois os turcos são muito alegres e simpáticos e fomos muito bem recebidos na festa.

Seguimos então para Pamukkale, que é composta de uma série de piscinas termais de origem calcárea ao longo de uma colina, bem perto da cidadezinha de Denizli, onde ficamos hospedados.

O passeio é lindíssimos e já fomos de maiô para podermos nadar nas piscinas.

Aliás, toda a preocupação que se tem em países mulçumanos com relação a vestimenta, não faz sentido na Turquia. O país é supermoderno, e especialmente na capital, as mulheres se vestem de maneira bem informal inclusive usando shorts e ombro de fora.

E também, no banho turco que experimentamos, que era misto, ficamos de maiô ao lado de homens e mulheres sem constrangimento algum.

Lógico que, à medida que se viaja para o interior tende a ser mais conservador.

No mesmo parque visitamos Hierápolis, que são um conjunto de ruínas greco-romanas bastante interessante.

Nosso último destino na Turquia foi a visita à Efesus.

Ruínas muito bem conservadas de uma cidade grega antiga, que fica a 3 quilômetros de Selssuk, onde nos hospedamos.

Acordamos ao lindíssimo som do muezim chamando para a reza matutina e foi lá que comi a melhor baclava de minha vida.

Éfesus fica lotado de turistas pois é próximo também de Kussadasi, balneário onde aportam vários cruzeiros.

Fomos até Kussadasi para ter uma ideia do região costeira da Turquia. Demos uma volta pela orla e almoçamos na cidade, retornando depois para Selssuk. Foi bom.

E foi aí que terminou esta nossa viagem.

Penso que se tivesse mais tempo, ou, numa outra oportunidade gostaria de conhecer a região mais afastada do país em direção ao Oriente, até o monte Ararat.


Debora Patlajan Marcolin, médica, 62 anos, muito curiosa com relação a diversidade cultural do nosso planeta. Viajo desde que me conheço por gente e tudo me atrai. Desde a minha vizinhança pobre de Carapicuiba até as cerimonias fúnebres de Tana Toraja na Indonésia, passando por paraísos naturais como o pantanal mato-grossense e deserto do Jalapão. Já conheci por volta de 75 países e não paro de projetar novos destinos. Entendo que para se viajar é preciso estar de peito aberto e abandonar todo tipo de preconcepção, que com certeza, a viagem vai te provocar profundas mudanças internas e gosto pela vida. Autora do blog A Minha Viagem.