Setembro foi o mês em que mais se vendeu imóvel usado com financiamento de bancos na cidade de São Paulo este ano, segundo pesquisa feita com 302 imobiliárias da Capital pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). As casas e apartamentos vendidos por meio de crédito bancário somaram 57,47% do total, percentual que superou os 57,15% registrados em janeiro.
O aumento da participação dos empréstimos nas vendas de casas e apartamentos usados em setembro contrastou com uma queda de 2,96% no total de unidades vendidas em relação a agosto. O índice de vendas recuou de 0,2969 para 0,2881 de um mês para o outro.
A participação das vendas à vista em setembro foi de 40,23% do total de negócios fechados nas imobiliárias consultadas, distribuindo-se o restante entre as compras feitas por meio de consórcios imobiliários e com pagamento parcelado pelos donos dos imóveis, com 1,5% cada. Setembro foi também o mês com o segundo maior aumento dos preços médios do metro quadrado dos imóveis usados este ano – de 7,19% em relação a agosto. A maior alta foi em abril, de 17,89% sobre os preços médios de março.
“Apesar da crise, os imóveis usados têm mantido preço e vendas em alta porque continuam sendo alternativa de menor custo para os imóveis novos”, afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.Além do preço menor, ele ressalta que outra vantagem dos usados é o tamanho.
“Quem compara vê que se pode comprar mais espaço gastando menos e muitas vezes em uma localização melhor que a de um imóvel similar novo”, destaca.
Os preços dos imóveis usados acumulam alta de 14,46% nos últimos 12 meses até setembro – 5,98 pontos percentuais acima da inflação de 8,48% medida pelo IPCA do IBGE. E as vendas, mesmo com a queda em setembro, estão com crescimento acumulado de 81,30% nos nove primeiros meses deste ano.
Os mais vendidos
A pesquisa do Creci-SP com 302 imobiliárias revelou a preferência dos compradores em setembro pelos imóveis usados que custavam até R$ 700 mil. Casas e apartamentos nessa faixa concentraram 48,18% das vendas na Capital paulista. Diluindo-se o valor dos imóveis por faixas de preços, 61,82% deles custaram até R$ 9 mil o metro quadrado.
Os compradores desses imóveis conseguiram descontos sobre os preços originalmente fixados pelos proprietários que variaram de 4,2% em bairros da Zona B a 15% na Zona D. O maior aumento de preço em setembro – de 44,48% – foi na Zona B, onde estão bairros como Cerqueira César, Chácara Flora, Alto da Lapa. Apartamentos de padrão médio com até 7 anos de construção foram vendidos em média por R$ 11.805,56 o metro quadrado – o preço em agosto estava em R$ 8.171,01.
A contrapartida foi registrada no segmento das casas. Residências também de padrão médio com mais de 15 anos de construção e situadas em bairros da Zona D, como Itaberaba, Jaçanã e Jaguaré, foram vendidas em média por R$ 2.843,10 o metro quadrado. Esse preço é 19,8% menor que os R$ 3.545,03 registrados em agosto.
A maioria dos imóveis usados vendidos em setembro – 73,56% – era do padrão médio. Outros 13,79% eram do padrão luxo e 12,64% do padrão standard. As imobiliárias que o Creci-SP consultou venderam 74,71% em apartamentos e 25,29% em casas.
A Zona B concentrou 34,45% das vendas, seguida da Zona A (27,6%), Zona C (23,01%), Zona D (10,34%) e Zona E (4,59%). A pesquisa do Creci-SP também constatou que os imóveis usados de 2 dormitórios foram os mais vendidos nas Zonas B (20,69% do total), na Zona C (18,39%) e na Zona D (5,75%). Os de 3 dormitórios tiveram a preferência dos compradores nas Zonas A (16,09%) e B (9,20%).
A locação de casas e apartamentos caiu 8,64% em setembro na Capital em comparação com agosto, mas o volume de novas locações este ano está positivo em 20,96% segundo as pesquisas feitas mensalmente pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). A pesquisa de setembro foi feita com 302 imobiliárias. A queda no número de contratos puxou para baixo os valores médios dos aluguéis, que ficaram 0,67% menores do que os de agosto.
Foram alugados 52,52% do total em apartamentos e 47,48% em casas, a maioria com aluguel garantido por fiadores pessoas físicas (50,96%) em caso de inadimplência dos novos inquilinos. As demais formas de fiança foram o depósito de três meses do aluguel (23,44%), o seguro de fiança (15,14%), a caução de imóveis (6,97%), a locação sem garantia (1,92%) e a cessão fiduciária (1,56%).
Os imóveis com aluguéis mensais de até R$ 1.200,00 foram os preferidos de quem alugou casa ou apartamento em setembro – 55,05% estão enquadrados nessas faixas. Segundo a pesquisa do Creci-SP, os donos dos imóveis concederam descontos médios sobre os valores originalmente pedidos pelos aluguéis de 12,5% na Zona E, de 11,86% na Zona D, de 11,54% na Zona A, de 9,6% na Zona C e de 8,48% na Zona B.
O aluguel que mais subiu em setembro foi o de apartamentos de 4 dormitórios em bairros da Zona A, como os Jardins. O aluguel médio aumentou 28,21%, de R$ 3.900,00 em agosto para R$ 5.000,00 em setembro. Apartamentos menores, de 1 dormitório na Zona D, tiveram o aluguel médio reduzido em 21,6% – de R$ 996,54 em agosto para R$ 781,25 em setembro.
Como aconteceu em agosto, em setembro os bairros da Zona C concentraram a maioria das novas locações – 44,35% do total -, seguidos pelos da Zona B (18,27%), Zona D (17,31%), Zona E (15,26%) e Zona A (4,81%).
Devoluções crescem
As imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP na Capital acusaram novo crescimento no número de imóveis devolvidos por inquilinos. Em agosto, as devoluções ultrapassaram em 6,94% o total de novas locações e em setembro, esse índice subiu para 8,41%. A inadimplência, porém, foi menor, caindo de 6,11% do total de contratos em agosto para 4,89% em setembro – redução de 19,97%.
O número de ações judiciais propostas nos Fóruns da Capital em setembro – 2.188 – foi 2,05% maior que em agosto, quando foram ajuizadas 2.144 ações. As ações de rito sumário foram as que mais aumentaram – de 536 em agosto para 643 em setembro, alta de 19,96%. As ações ordinárias, que são as de despejo do inquilino, tiveram queda de 4,04% ao passar de 99 para 95.
As ações renovatórias, que são as propostas para renovação compulsória de contratos comerciais com prazo de cinco anos, caíram 3,75%, de 80 em agosto para 77 em setembro. Houve queda também no número de ações por falta de pagamento do aluguel – de 3,93%. Foram 1.415 em agosto e 1.369 em setembro. Já o número de ações consignatórias, que são as referentes a discordâncias sobre os valores de aluguéis ou encargos, com opção do inquilino pelo depósito em juízo, ficou estável, com 4 ações em setembro, mesmo número de agosto.















