Terror no Mandú: Parte 4 – O bandeirante

Reza uma antiga lenda na cidade de Cotia, que o indivíduo que tiver coragem de permanecer até a meia-noite em uma casa bandeirista, localizada dentro do Sítio do Mandú, encontrará um bandeirante exímio conhecedor da região, que descerá do sótão do imóvel e orientará a destemida visita há um tesouro escondido.

Durante muito tempo esta história é difundida na cidade, e por falta de oportunidade, coragem ou simplesmente desinteresse, ninguém nunca teve a ousadia de permanecer na residência até o horário determinado.

Até que um dia, um grupo de amigos youtubers pretendiam potencializar o número de visitas em seu canal, e desmistificar esta lenda seria uma ótima forma de atrair visualização em seu endereço eletrônico.

“Cara, vai ser show passar a noite em uma casa assombrada. Além de fazer um vídeo ‘loco’, vamos beber muito”, disse um dos adolescentes que já planejava o que fariam até a meia-noite.

“Mas já pensou se esta história de bandeirante que ensina o caminho da grana for verdade mesmo. Paro de fazer vídeo e começo a fazer funk ostentação”, brinca o outro amigo.

Depois de planejarem alguns dias como seria a produção do novo vídeo, decidiram que finalmente seria a data de invadir o sítio e fazer um vídeo “irado”.

“Vai ser o novo Bruxa de Blair”, afirma um dos garotos enquanto conversavam e caminhavam em direção à casa do sítio.

Já conseguiam ver o imóvel, que por falta de preservação, estava em visível deterioração.

“O fantasma deveria pegar o ouro e reformar essa casa”, brincou um dos garotos, que se antecipou ao combinado e já se encontrava com fortes indícios de embriagues.

Com lanternas potentes e um pé de cabra mais potente ainda, destruíram a porta e entraram no primeiro cômodo da casa.

Fora o imenso barulho que fizeram ao entrar na casa, gritando palavrões, que segundo eles, iria atrair o fantasma bandeirante mais rápido, estava tudo muito quieto.

Entraram no segundo cômodo da casa, em que ficava uma escada que seguia para o sótão, estenderam uma grande toalha no chão e sentaram-se para esperar o horário da meia-noite.

Ligaram outras fortes lanternas para deixar o ambiente menos sombrio e turbinar a coragem, já que a ansiedade começou a produzir um pouco de medo nos quatro garotos, verificaram o equipamento de vídeo, e como combinado, começaram a beber.

Depois de muitas brincadeiras e barulhentas algazarras produzidas pelos jovens, enfim faltava apenas cinco minutos para meia-noite.

Apontaram as luzes para a porta do alto da escada com acesso ao sótão e esperam por um minuto, até que um dos garotos disse: “porquê não vamos lá em cima. Vai que o tesouro está lá!”, disse já em meio a gravação do vídeo.

“Eu não, se esse bandeirante vagabundo quiser, ele que desça”, disse outro garoto, que fez todos caírem no riso.

Trinta segundos para meia-noite.

Vinte segundos.

Dez segundos.

Cinco segundos… um segundo… nada…

“Té vendo, é tudo mentira”, grito o mais entusiasmado, terminando a frase com um palavrão.

“A gente é f3*a!”, gritou outro, “a gente não tem medo de nada nessa p@##%!”, se vangloriou o outro olhando para a lente de uma das câmeras.

Mas assim que ele terminou a frase, ouviram um barulho que vinha da parte de cima da casa, e um silencio amedrontador tomou conta daquele local.

Passos começaram a ser dados na parte superior da casa, e de repente a porta acima da escada se abriu.

Um homem alto, vestindo botas, calça e um colete de couro de anta, começou a descer as escadas.

Todos tentaram fugir, mas as portas daquele ambiente se fecharam, impedindo a fuga dos garotos.

Começaram a gritar e tentar correr. Nessa hora, a única coisa que a câmera, caída no chão, registrava, era os pés dos jovens chutando a porta para fugir dali.

Cada segundo para eles parecia uma eternidade, e o bandeirante andando, chegava cada vez mais perto.

Já bem próximo aos garotos o bandeirante retirou uma machadinha que estava em sua cintura e já desferiu o primeiro golpe na perna de um dos garotos, decepando-a.

Aquela cena produziu um desespero tão grande, que não foi possível o outro garoto desviar de um golpe que acertou a sua cabeça, que imediatamente o levou ao chão.

Sem esperar muito tempo, o bandeirante terminou o que inicio quando havia acertado o primeiro garoto na perna, e acertou o pescoço do mesmo.

Nesse momento, já não cabia mais palavrão na boca dos dois jovens vivos, e palavras de misericórdia e ajuda divina eram proferidas sem parcimônia.

O cenário de terror aumentou ainda mais quando o bandeirante acertou a barriga de um dos garotos, que o fez cair ao chão, junto com todos os seus órgãos internos.

O último jovem sobrevivente tentou fugir para o outro lado da sala, mas a piscina de sangue que havia no chão da sala o derrubou, cobrindo de vermelho todo o seu corpo.

Isso facilitou o trabalho do bandeirante, que decapitou o garoto e tornou a sala silenciosa outra vez.

No dia seguinte, os garotos foram encontrados pela polícia, que concluiu o caso como roubo seguido de morte, pois os pertences – entre eles, as imagens do massacre contidas nas câmeras – não foram encontrados.

Até este momento, esta história era pouco difundida… mas também pode ser apenas um boato, mas que tal descobrir se o Sítio do Mandú tem um bandeirante que oferece ouro aos corajosos que permanecem na casa até meia-noite. Você tem coragem?

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