Zagreb a capital da Croácia é pequena, quando pensamos em capitais europeias, mas bastante charmosa.

A grande vantagem de viajar no verão da Europa, além do clima, é obvio, é a quantidade de festivais, feiras, shows e festas que cruzamos pelo caminho.

É novamente obvio, pois o europeu fica trancafiado na escuridão do inverno, meses a fio, então quanto o sol e o calor aparecem têm que ser aproveitado ao máximo.

A cidade estava em festa, com um festival de danças folclóricas que ocupava vários palcos pelo centro da cidade.

E eu fico doidinha por eles…

Meu marido diz que eu não posso ver uma saia rodada, lencinho na cabeça, botinha nos pés que saio alucinada para assistir a dança.

Acho que é minha ascendência russa falando mais alto…

Imperdível é a doceira/padaria Dinara, bem na praça principal que tem os melhores pães e doces da Croácia.

Pães doces e outros, como rocamboles, com diversos recheios; mas o mais famoso é o recheado de nozes.

De Zagreb partimos para Buzet atrás das deliciosas trufas brancas que estava no auge da estação.

As trufas brancas não duram muito. Logo que são arrancadas da terra começam a perder agua, e em até 36 horas tem que estar na mesa do consumidor. Então é um privilégio poder experimentar esta iguaria.

Buzet é a região da Croácia onde ocorre a caça às trufas.

Caça, porque ela feita com cachorros e eventualmente porcos treinados para localizar o fungo debaixo da terra.

Almoçamos, no restaurante Vela Vrata, um espaguete com trufas de sabor indescritível de tão delicioso. Lógico que acompanhado de vinho branco croata geladinho. E arrematamos com sorvete também de trufas.

Logo em seguida, visitamos o museu da trufa, com direito a degustação, também acompanhado de vinho e mais outros tantos queijos croatas.

Foi extremamente interessante e posso dizer que experimentei a maioria das possibilidades gastronômicas com este fungo tão especial.

Depois deste “banho de trufas e vinho” estávamos bem alegrinhos e, como consequência, na visita seguinte à uma fábrica caseira de azeite (um delicioso azeite premiado) acabamos caindo num desnível do terreno com nosso carro alugado.

Sem condições de mover o carro, naquele montanhoso fim de mundo, ficamos sem saber o que fazer.

Mais que depressa aparece o dono da fábrica.

Um gigante croata, que sozinho levantou o carro pondo-o no trilho novamente sob o olhar pasmo do nosso grupo.

As cidades costeiras da Croácia têm uma arquitetura veneziana.

São lindíssimas!

Mas é bom lembrar que a maioria é vedada a entrada de carros; então, em todas elas tivemos que parar bem afastado do hotel e sair carregando as malas naquele paralelepípedo irregular.

Rovinj foi uma delas…mas felizmente o controlador da cancela nos deu alguns minutos para chegar com o carro ao nosso alojamento para descarregar as malas. Em outras cidades foi no muque mesmo.

Já havíamos saído do Brasil com indicação de um restaurante contemporâneo estrelado Michelin.

Chama-se Plavi Podrum na cidade de Opatija que estava no nosso caminho para o sul do país.

Foi lá que comi pela primeira vez espuminha de ouriço…

É um nada…mas extasiante de tão gostoso!

Visitamos o complexo de lagos Plitvice, que dizem ser um dos mais belos conjunto de lagos que existe.

Sobe-se até o alto da montanha com um micro-ônibus e depois vai-se descendo, a pé, passando por inúmeros lagos e cachoeiras que se sucedem até a base da montanha.

É um local bastante concorrido e lotado de turistas, então houve uma fila de espera até que chegasse a nossa vez de embarcar.

Mas tudo bem, sou adepta de pic-nics então tínhamos frutas, queijos, pães e frios à vontade. Sentamos numa das mesas disponíveis e aguardamos calmamente a nossa vez.

Saímos de forma algo apressada do parque pois queríamos chegar na cidade de Zadar a tempo de ouvir o “órgão no mar”.

O som se forma a partir do bate da maré nas pedras afuniladas do costão, produzindo um som bastante agradável.

Isto ocorre por alguns minutos, somente no fim da tarde, com a maré mais alta.

No dia seguinte a caminho de Split demos de cara com este restaurante de nome Marim que servia leitão assado em churrasqueiras na beira da estrada.

Nem estávamos com muita fome ainda, mas, frente a aquela visão não podíamos deixar passar… Lá fomos nós fazer um almoço mais cedo do que o esperado.

Esta viagem foi feita com um casal amigo, que, ele sendo chef de cozinha, estava muito atento as mais diversas experiências gastronômicas.

Sorte nossa, pudemos apreciar amplamente a cozinha croata, que talvez numa outra situação não estivéssemos tão ligados.

Passamos pela cidade de Trogir a caminho de Split onde pernoitamos. Após a visita desta cidade, cruzamos de barco para uma das ilhas do adriático chegando a cidade de Hvar que é famosa pela moçada e vida noturna.

O mar é absolutamente transparente e com muitas opções de hotéis e restaurantes.

Após dois dias de muito descanso seguimos então para Dubrovnik, mas antes passando por Mostar na Bosnia e Montenegro.

Estava muito curiosa para conhecer Dubrovnik e a cidade não me decepcionou.

Esta cidade data do século XVI, toda em pedra calcária, dando um aspecto uniforme branco/amarelado na cidade toda.

É cercada por uma belíssima muralha onde é possível fazer um passeio dando a volta toda nela, observando os imponentes edifícios góticos, barrocos e renascentistas.

É um lugar para se caminhar horas a fio. Com o cuidado de abstrair, isolando aquela multidão de turistas e observando detalhadamente os becos e construções, quando então é possível ver o estrago causado pela guerra na época da dissolução da Iugoslávia.

Guerras deixam marcas nas edificações e nas pessoas certamente também.

Este é um país que explodiu para o turismo de uma década para cá. Já não é tão barato, como logo após a queda da União Soviética.

Percorremos o país de norte a sul e visitamos a maioria dos locais turísticos e posso dizer que vale muito a pena conferir.

 


Debora Patlajan Marcolin, médica, 62 anos, muito curiosa com relação a diversidade cultural do nosso planeta. Viajo desde que me conheço por gente e tudo me atrai. Desde a minha vizinhança pobre de Carapicuiba até as cerimonias fúnebres de Tana Toraja na Indonésia, passando por paraísos naturais como o pantanal mato-grossense e deserto do Jalapão. Já conheci por volta de 75 países e não paro de projetar novos destinos. Entendo que para se viajar é preciso estar de peito aberto e abandonar todo tipo de preconcepção, que com certeza, a viagem vai te provocar profundas mudanças internas e gosto pela vida. Autora do blog A Minha Viagem.