
Um estudo feito pela Workplace Analytics, consultoria focado no futuro do trabalho, mostrou que a quantidade de pessoas que trabalham remotamente cresceu 140% desde 2005 e, com a pandemia, aumentou quase 10 vezes mais. Um dado do IBGE chama atenção: a tecnologia permitiu que, com o distanciamento social, quase 9 milhões de pessoas trabalhassem em casa. Há um ano, pouco mais 1 milhão estava nessa condição. Por conta do efeito ‘home office’, o espaço começou a valer mais que localização em imóveis. “A dificuldade em ficar confinadas em suas casas fez com que as pessoas percebessem que elas precisam de uma casa maior e pronto”, ressalta Marco Antônio Garbuglio, sócio-diretor da G3i Imobiliária.
O desejo de morar perto do trabalho começa a dar lugar ao sonho de viver numa casa maior, com quintal, que pode até ser em outra cidade, sem precisar dar adeus ao emprego. Seguindo este raciocínio, a procura por imóveis aqui cresceu em torno de 70%, superando até mesmo a expectativa para o ano. “Pela tendência que temos acompanhado, a Granja Viana é sim a queridinha da vez”, pontua Vanessa Pontes, diretora da Leardi Granja Viana.
Com os novos formatos de trabalho remoto e horários mais flexíveis, não há mais o entrave da mobilidade que impedia a muitos de desfrutar do sonho de viver por aqui. “Mudanças no mercado imobiliário aconteceram rapidamente por conta do efeito home office. A necessidade de espaço se faz necessária, mas como ter mais espaço se os empreendimentos imobiliários situados em regiões centrais, ao longo dos anos foram diminuindo de tamanho? Por isso, em regiões mais afastadas do centro da capital, com acesso entre os eixos da Castelo Branco e Raposo Tavares, em especial a região da Granja Viana, os imóveis tiveram uma grande demanda”, justifica Marco Baroni, proprietário da MBaroni Imóveis, imobiliária fundadora da rede Secovi.
Se antes a tendência era a diminuição de espaços e de vivência em espaços compartilhados, a pandemia trouxe o oposto: espaços maiores e mais confortáveis. “A procura por imóveis residenciais que contemplam no projeto algum espaço destinado para escritório cresceu consideravelmente após o início da pandemia. Os clientes que buscam por imóveis na Granja Viana, além de optarem pela qualidade de vida que a região oferece, também estão buscando por ambientes dentro do imóvel que possam ser adaptados e convertidos em escritório. Dessa forma, aquela suíte a mais pode ser a solução ideal”, comenta William Venturi, sócio-proprietário da Imobiliária Terra.
Inicialmente, a procura foi maior por locações, a ponto de imóveis chegarem a ter de 2 a 3 pretendentes de uma única vez e serem alugados com muita rapidez. Daqui para frente, na expectativa das imobiliárias, aumentará a procura para compra de casas em condomínio, especialmente com todas as facilidades de financiamento de longo prazo e taxas de juros mais baixas.
A relação com a casa também mudou. “As pessoas estão enxergando os imóveis mais como qualidade de vida do que negócio. Elas investem em outra moeda: a da satisfação pessoal, cuja mensuração é diferente do dinheiro”, acredita Ricardo Silva, proprietário da Portal Raposo Imóveis.
Para Camila Bezerra, diretora de marketing da Casa Noble Negócios Imobiliários, a pandemia veio para ressignificar muitas coisas e uma delas, sem dúvidas foi o mercado imobiliário e o consumo das pessoas. “Muitas pessoas vinham para a região em busca de casas de veraneio, justamente para fugir da agitação de São Paulo pelo menos aos finais de semana e optavam por morar no centro da cidade durante a semana por darem preferência a uma localização melhor devido a dinâmica de trabalho. Então hoje, após quase 5 meses de pandemia e muitas empresas flexibilizando o home office, percebemos que a busca por imóveis em nossa região triplicou e a nova busca é por moradia e não mais lazer como era antes. Agora, quintal com piscina, churrasqueira e ambientes internos maiores ganham mais relevância”, pontua.
Maurício Azer, gerente comercial da RE/MAX CasaInveste, atesta: “O novo consumidor busca um conforto maior em seu lar para obter resultados satisfatórios em home office e harmonia total entre sua família”. E Luiza Fernandes, diretora comercial da Granja Negócios Imobiliários, completa: “com mais tempo em casa e menos no local de trabalho, o chamado home office, a casa tem que virar um lar, não apenas dormitório, com necessidades específicas como lares mais confortáveis e melhor equipados. É uma tendência que veio para ficar”.
Assim, conforme já pontuamos em junho, aqueles que almejavam um estilo de vida mais calmo em uma casa mais espaçosa e que já tinham planos de se mudar no futuro, encaixotaram suas coisas e fizeram as malas. E a nossa região tornou-se a queridinha da vez: clima bucólico e charmoso, ar puro e muita área verde trouxeram para cá os que estavam em busca de melhor qualidade de vida. “A região reúne qualidade de vida, espaço e localização, próximo de São Paulo”, finaliza Helio Alterman, diretor da Proinvest. Sim, o verde está mais valorizado do que nunca, assim como o espaço.
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Por Juliana Martins Machado



















