Bem, esse é um assunto controverso. Uns procuram “indicadores de qualidade” matemáticos, rankings, estatísticas. Outros preferem checar as instalações, o material didático, a formação dos docentes. Sim, tudo isso é importante mesmo, pois são bons indicadores. As famílias que os verificam estão, certamente, buscando o melhor para seus filhos. Entretanto, esses indicadores não definem se AQUELA ESCOLA é a melhor para O SEU FILHO. O que define isso, então? Vamos ver:

Em primeiríssimo lugar, é preciso lembrar que a escola é o local específico do aprendizado. Toda criança vai à escola para APRENDER. A partir dessa afirmação, podemos refletir sobre várias coisas. Aprender o quê? Como? E, mais que tudo, por quê?

Então, o que se aprende na escola? Ora, essa é fácil, não?

Português, matemática, as fórmulas necessárias para passar no ENEM… sim, isso tudo. E muito mais. Na escola aprendemos a viver em sociedade, a respeitar as regras, a fazer regras, a ter paciência, a dar opinião, a ouvir a opinião do outro.

Também aprendemos a fazer amigos, algumas vezes até aprendemos a amar. E ainda entram nessa lista uma infinidade de pequenas frustrações, que é quando aprendemos a perder, a errar e a melhorar para não errar mais. A lista não termina nunca. Em resumo, na escola vivemos os primórdios do que vamos ser na vida, mais tarde.

E como é que se aprende tudo isso, se naquele material tem tanto conteúdo que não dá nem pra respirar? Aí é que está o segredo das boas escolas. A maior parte desse aprendizado é observar o que os outros fazem, e seguir o exemplo. Então, para que o aluno aprenda tudo o que precisa, o professor, o pessoal da secretaria, a equipe da limpeza, as pessoas que recepcionam seu filho no portão, o diretor ou diretora, cada um deve ser muito especial, um modelo, alguém em quem se pode confiar os nossos maiores segredos, um amigo de verdade!

Nesse ponto se coloca uma outra reflexão: será que estas pessoas são bons exemplos para o meu filho? Isso dependerá, sempre, do que a família espera para o futuro do filho. E com isso chegamos a uma dica especial: sempre verifique se os valores pregados pela escola são os mesmos que você busca para a sua família! Caso contrário, os anos passados nesse local serão de confusão e dúvidas, e não de aprendizado.

A escola tem que refletir os valores da família, para que a criança acredite neles. E é por isso que existem tantos tipos de escolas para se escolher. Cada uma tem um perfil diferente, cujos princípios refletem os de determinados núcleos familiares. Quando a família se sente confortável naquele ambiente, quando aquilo que a escola oferece parece fazer completo sentido para todos, essa escola é uma boa candidata nessa escolha. Só depois que esse quesito foi preenchido, é que faz sentido verificar indicadores.

Deixamos para o final a questão mais importante: porque aprender? Há algum tempo, era comum que os pais escolhessem uma escola, “porque é forte para o vestibular de medicina”, por exemplo. Isso acontecia porque os pais desejavam um filho médico e já antecipavam esse sonho. Hoje isso não existe mais. Nem os pais escolhem a futura profissão dos filhos, nem os filhos sabem as profissões que existirão daqui a 5 anos, para que possam escolher. Nosso futuro, no século XXI, está mudando a cada dia. Já não é possível afirmar quais conhecimentos e quais habilidades serão necessários para o sucesso profissional!

Por conta disso, alguns educadores, bem antenados com a evolução do mundo, vem falando sobre a construção sócio-emocional na aprendizagem. Pois, se não há forma de dizer qual conhecimento será necessário, como é que a escola vai ensinar o conhecimento certo? Exatamente, não vai! Para preparar o futuro, é preciso mais que isso. É preciso ensinar a buscar conhecimento, e usá-lo com lógica e estratégia, tendo, como base, o conteúdo de cada disciplina. Em outras palavras, o professor usa a matemática, as ciências, as linguagens, para explicar ao aluno como aprender a descobrir o mundo à sua frente, e ir muito além.

No Colégio Santa Tereza costumamos dizer que o trabalho não termina quando o aluno passa no vestibular. Nossa alegria se completa quando um ex-aluno volta para nos visitar, e isso sempre acontece! Eles vêm, seja para contar que está trabalhando num grande projeto na ONU, seja para matricular seu filho, seja para matar as saudades da professora que lhe ensinou a ler, ou porque quer sentir de novo o cheiro do pátio… E assim, sentimos nossa missão cumprida! Depois de tanta reflexão, talvez possamos afirmar que a boa escola é aquela que se reflete no brilho dos olhos de cada aluno, por toda a vida!

 


Ligia Sanchez
Diretora do Colégio Santa Tereza