Ter noções básicas sobre informática nos dias de hoje, é quase comparado a ser alfabetizado. Porém, por falta de condições financeiras, muitas pessoas estão à margem das oportunidades oferecidas aos “letrados” digitais.
Com o pensamento em melhorar a vida desses indivíduos, um grupo de alunos da Escola Técnica (Etec) de Cotia desenvolveu um trabalho de conclusão de curso para reaproveitar equipamentos que iriam para o lixo e direcioná-los para a inclusão digital das pessoas.
“O projeto nasceu a partir da necessidade da escolha de um tema atual para o Trabalho de Conclusão de Curso, e nada mais atual como a sustentabilidade, e principalmente a conscientização das pessoas sobre o cuidado com o meio ambiente”, declara em seu endereço eletrônico o grupo de alunos formados por Flavio Domingues Vieira, Valdenei Faccioni, Paulo Henrique Barbosa, Ilor Kaltauskas Junior e Amilton Ribeiro.
Mas que recuperar computadores “antigos” para direcioná-los para o aprendizado de informática daria certo? Grandes empresas da região ligadas a este setor provaram que sim.
A Mercado Notebook, empresa de manutenção de equipamentos de informática e prestação de serviços na área de recolhimento de sucata eletroeletrônica, credenciada pela Cetesb prova que além de promover a inclusão digital, livra o meio ambiente de materiais pesado presentes nas placas de computadores.
“A defasagem que um computador leva em média cerca de dois anos. Se descartado pelo antigo proprietário por conta de algum defeito, após a sua manutenção é possível reutilizá-lo com a finalidade de aprendizado. Não é necessário um equipamento de ultima geração para aprender, mas os reutilizados abrem muitas portas para quem tem pouco”, declara Andresa Carvalho, proprietária da Mercado Notebook, que com os reutilizados já montou um laboratório completo para a Etec de Cotia e agora desenvolve uma sala de computadores para o Lar Criança Feliz.
“Disponibilizaremos 10 computadores para o Lar Criança Feliz, uma instituição beneficente com cerca de 20 crianças. Preferimos envolver ONGs e instituições, pois são agentes multiplicadores do conhecimento”, diz Andresa.
Para Regis Abdalla, sócio-proprietário da empresa Marco Zero, não é só a inclusão digital que compensa a realização do retrofit – termo que ele gosta de usar para o reaproveitamento – dos computadores, mas também a diminuição de resíduos.
“Com três computadores usados, com um retrofit fazemos um em ótimo estado, mas a grande recompensa é livrar o meio ambiente de até 45% dos resíduos”, diz Regis.
De acordo com o empresário, um computador que foi utilizado por três anos, com esta ‘reforma’, pode durar até dois anos mais.
Atualmente Regis tem em seus projetos terminar duas salas de computador em uma igreja localizada na Granja Viana para promover inclusão digital.
“E muitas vezes não é só para o aprendizado, mas também para procurar novas oportunidades de emprego ou enviar um currículo. É uma ação que facilitará a vida de muita gente”, diz.














