Me agrada a ideia de visitar países majoritariamente budistas. Talvez pela influência da religião, são países tranquilinhos, e fáceis de viajar. Sri Lanka obedece esta regra. É um país com comunidades principalmente budistas, mas também muçulmanas e hinduístas. Eles nunca dizem “nosso país”, eles dizem “nossa ilha”. Porque a dimensão é de uma grande ilha mesmo.

Altamente turístico (especialmente europeus e agora russos e chineses), tem uma infraestrutura bem organizada. É extremamente barato, quando nos afastamos do circuito turístico. Porque nos monumentos históricos e parques que são gratuitos para os locais, para os turistas custam a partir de 25 dólares a entrada. Não acho errado este custo maior nos monumentos, pois o país é pobre e existe a necessidade de preservação dos locais.

Os passeios se dividem entre culturais e praias. Cada um tem uma população diferente de turistas. Nos culturais, são jovens europeus ou franceses e alemães mais idosos. Nas regiões praianas, o grosso é de russos escapando do frio soviético.

Contratamos um carro com motorista e focamos o passeio na região tradicional do país mas deixei 3 dias para as praias também.

O trânsito na nossa primeira parada em Kandy era infernal…deixou São Paulo (nos piores momentos) no chinelo. Acabou que limitou muito nosso passeio na cidade e nos deixou muito irritados. A visita principal desta parada foi o templo do dente, onde acredita-se está a relíquia que seria um dente do Buda.

Logo na entrada, um funcionário olha para gente e diz “sapato, sapato”, para que retirássemos o sapato antes de entrar no templo. Achei curioso e pensei: “nossa que cara esperto, logo viu que somos brasileiros e pediu em português para tirarmos o calçado…” kkk, que nada, sapato em cingalês, é sapato. A língua carrega algumas palavras em português devido a colonização portuguesa de alguns locais no século XVI.

Em Annuradhapura, mais ao norte, optamos em ficar numa “homestay”. Na verdade, este é o tipo de acomodação preferida pelos turistas. Fica-se alojado nas residências, então o contato com a população é muito próximo, com comida caseira e muito barato.

Nossa pousada era na beira de um tanque de água repleto de flores de lótus, onde pela manhã os garotos vinham com pequenos barcos colher as flores para vender na entrada dos templos.

Depois, visitamos as ruínas da cidade, que chegou a ser capital de civilizações e reinados antigos, datadas por volta do século V A.C. A visitação acontece num enorme parque e o percorrido leva quase o dia todo.

Outro passeio ao redor muito interessante é para Mihintale. Um belíssimo conjunto de templos, mas que vale a dica de levar uma meia, pois a visitação tem que ser feita descalça e o chão fica muito quente com o sol a pino.

No caminho de Sigyria, paramos no “Dambulla cave temple” que é mais uma joia de Sri Lanka. Cavernas com imagens esculpidas, majoritariamente de Budas, e algumas pinturas.

É considerado desrespeitoso dar as costas ao Buda, então é preciso atenção na hora de tirar fotos, para não levar uma bronca…

Sigyria é a principal atração turística do Sri Lanka. Uma enorme pedra que se ergue a 370 metros de altura no meio de um platô de selva totalmente preservada. É de tirar o folego.

É aconselhável chegar bem cedo, ou mais a tarde, pois com o sol quente a subida pelas escadarias se faz muito cansativa e também evita-se a horda de turistas chineses que são extremamente barulhentos…

No topo, por volta do século V, foi construído um palácio. Hoje em dia, é possível ver suas ruínas, bem como os jardins geométricos construídos na base da pedra.

Ao lado, tem outra pedra de menor importância chamada Pindurangala. Foi uma pena que não consegui subir, pois é extremamente cansativo subir as duas no mesmo dia, e não dispunha de tempo hábil para o dia seguinte.

Fomos, então, para Pollanawura, que é outro exemplo de cidade antiga com ruínas de templos e stupas.

Estávamos alojados num hotel bem legal no meio da selva. No entardecer do primeiro dia, fomos dar uma volta de bicicleta pelas estradinhas da região. Muito agradável, passamos por casinhas, campos de arroz e cruzamos com famílias de pavões.

Já na volta, nos ultrapassou um tuk-tuk. Ele parou logo na frente e nos alertou para que saíssemos da região, pois aquele era o momento do dia que elefantes selvagens se dirigiam para lá e que, às vezes, podiam ser bem agressivos… saímos correndo.

Vimos vários elefantes selvagens por onde passamos. Nos arrozais, pode-se ver umas casinhas no alto de umas varas de bambu, que é onde os proprietários fazem plantão à noite soltando rojões para afugentar os elefantes que, pisoteando, acabam com as plantações.

Terminado o percurso pela região histórica do país, queríamos experimentar o litoral de Sri Lanka.

Fomos para região de Galle. Esta região foi extremamente maltratada pelo Tsunami de 2004 e ainda é possível ver o estrago causado. Especialmente na vida marinha… Todo o recife de coral foi destruído e ainda hoje é possível ver montanhas de corais mortos pelas praias.

Fizemos um passeio de snorkling, mas apesar de que a água é super transparente, o visual é bem pobre… não valeu a pena.

Por sorte, o forte de Galle não foi atingido, pois ele se encontra acima do nível do mar.

Amei Galle… O forte foi construído inicialmente por portugueses, depois holandeses e finalmente ingleses. E é possível ver resquícios de todos períodos nas construções.

Hoje, a maioria das casas são ocupadas por lojinhas ou hoteizinhos, mas ainda assim pode-se ver que tem vida própria com escolas, igrejas, e mesquitas.

Deixamos o último dia para conhecer a capital, Colombo. Ela não tem nenhum atrativo maior, mas é bastante movimentada e com mega projetos chineses e árabes em andamento.

Valeu muito foi a ida ao restaurante “Ministry of crab”, que está localizado dentro de um antigo hospital holandês. É bem refinado, e é possível degustar caranguejos e camarões gigantes.

Sei que é muito longe do Brasil, mas viajar para o Sri Lanka é incrível. Para o jovem, ou o menos jovem, é possível fazer uma viagem extremamente barata. Movimentando-se em transporte público e alojando-se em pousadinhas, diria que não sai mais que 25 a 30 dólares por dia…vai lá!


Debora Patlajan Marcolin, médica, 62 anos, muito curiosa com relação a diversidade cultural do nosso planeta. Viajo desde que me conheço por gente e tudo me atrai. Desde a minha vizinhança pobre de Carapicuiba até as cerimonias fúnebres de Tana Toraja na Indonésia, passando por paraísos naturais como o pantanal mato-grossense e deserto do Jalapão. Já conheci por volta de 75 países e não paro de projetar novos destinos. Entendo que para se viajar é preciso estar de peito aberto e abandonar todo tipo de preconcepção, que com certeza, a viagem vai te provocar profundas mudanças internas e gosto pela vida. Autora do blog A Minha Viagem.