Formatura do Curso Técnico de Cozinha e…

Mestre da Gastronomia

Ela não sonha ser Chef, dona de um restaurante. Quer formar futuros chefes ou, simplesmente, bons cozinheiros. Pesquisar, estudar e ensinar gastronomia brasileira. Sonha viajar pelo Brasil garimpando boas receitas regionais e fazer cursos online de gastronomia regional. Aos 21 anos, a gastrônoma Letícia Mendes já está colocando os seus projetos em andamento mesmo na pandemia: seu primeiro curso online de gastronomia já está sendo preparado.

 

…na graduação em gastronomia.

Em 2017 ela entrou no Curso Técnico de Cozinha na Casa do Moinho, uma organização não governamental sem fins lucrativos que, desde 1998, trabalha para promover a dignidade humana por meio da formação cidadã, educacional e profissional de jovens – apenas meninas de 17 a 23 anos – em situação de vulnerabilidade social. Ela descobriu que tinha jeito para culinária quando começou a fazer bolos de potes para vender em um curso pré vestibular do qual estava participando. Inicialmente ela pensava em cursar Engenharia Civil.

A venda dos bolos era necessária para cobrir seus gastos de deslocamento até a USP, onde fazia o cursinho. “Meus bolos faziam muito sucesso, eu vendia tudo e o pessoal ainda ficava fazendo encomendas para o dia seguinte”, conta. Foi ai que ela começou a ter dúvidas. Aprender gastronomia também era um sonho, mas os cursos que conhecia eram muito caros.

Então soube da Casa do Moinho e passou no processo seletivo da instituição. A Casa do Moinho oferece até oportunidade de moradia no local para quem necessite. Como Letícia mora em Osasco, optou por ficar residente no projeto para não ter de se deslocar tanto todos os dias. Além disso, considerou que a experiência formativa morando na ONG seria mais intensa. E foi!

A rotina era pesada: foi um curso de um ano em horário integral onde as alunas alojadas estudam, trabalham e ainda recebem salário. “Foi a minha primeira experiência de ter meu próprio espaço, meu próprio dinheiro, foi muito bom”, conta. “Nós levantávamos as 8 horas da manhã, preparávamos o café da manhã, tomávamos o café juntas e fazíamos uma reunião onde dividíamos o trabalho da manhã”, conta. “Das 8h30 até as 10h45 a gente fazia a limpeza dos nossos próprios quartos, corredores, cozinha, banheiros e outras dependências como se estivéssemos cuidando de nossas próprias casas”, lembra. “Então tínhamos uma hora de descanso e depois começava o nosso estágio com as meninas não residentes, das 11h45 às 13hs, tirando, dentro desse tempo, 30 minutos de almoço”, conta.

Nesse estágio, as meninas do Técnico de Cozinha iam para a Cozinha, Confeitaria ou Copa, onde produziam tanto a própria comida como a comida dos hóspedes de um hotel escola mantido pelo projeto. Sempre o menu contemplava entrada, prato principal e sobremesa. Todas as meninas do curso técnico de cozinha produzem o café da manhã, almoço e jantar dos hóspedes do Hotel Escola. Já as meninas do curso de Hospedagem, cuidam da limpeza e organização dos quartos, da lavanderia, da recepção etc.

De tarde as alunas dos diferentes cursos tm aulas práticas e teóricas ou de cozinha ou de hospedagem, das 13 às 18 horas. No caso de cozinha, por exemplo, têm matérias com cozinha brasileira, internacional, confeitaria, panificação, cozinha contemporânea, antropologia, inglês, francês, espanhol, entre outras matérias. “Depois das 18hs a gente tinha uma hora e meia livre e depois começávamos a trabalhar no serviço de jantar do hotel escola e o nosso próprio jantar”, explica. As meninas residentes só paravam por volta das 21h30! Letícia conta que nem todas as alunas chegam ao final do curso porque a rotina é muito puxada mesmo, mas afirma que a experiência que teve lá dá de 10 a 0 no que aprendeu na faculdade de Gastronomia que cursou mais tarde. Além disso, ela destaca que foi lá que aprendeu a trabalhar em equipe. “Era muito trabalho, mas como fazíamos tudo juntas, era tudo muito rápido”, lembra.

Com o Chef Rodrigo Oliveira e um colega da equipe do Mocotó

Com o certificado de Técnica em Cozinha, Letícia conseguiu o seu primeiro emprego como auxiliar de cozinha com o Chef Anderson André Gonçalves no Hotel Meliá Paulista, que tinha um horário que dava para conciliar com a Faculdade de Gastronomia, que ela também começou a cursar. Ficou no Melia por um ano e só saiu de lá para partir para um outro sonho: trabalhar com o Chef Rodrigo Oliveira, do Balaio Mocotó, especializado em cozinha brasileira, onde ficou por 10 meses.

 

De lá foi para o restaurante francês Antonella Maison, nos Jardins, por indicação do próprio Rodrigo Oliveira e de lá para o Botanikafé, da Alameda Lorena, onde entrou para ajudar a montar o cardápio, como líder de setor, onde está até hoje.

Nesse momento de pandemia, ela está afastada recebendo parte do salário como um seguro desemprego porque o restaurante optou por trabalhar com uma empresa terceirizada especializada em cozinha industrial de alto risco, onde todos os funcionários são buscados em casa, tomam banho ao chegar no local de trabalho, uma cozinha monitorada, onde usam uniforme e máscaras especias para cozinhar, entre outros cuidados, seguindo o cardápio original do restaurante. “Eles optaram por isso para garantir a saúde dos funcionários e dos clientes”, explica.

Hoje, como contamos na abertura desta reportagem, além de cuidar da alimentação da própria família, do pai e da mãe e da irmãzinha de 10 anos, ela está produzindo um vídeo curso de gastronomia que é o que ela gosta mesmo de fazer. “O meu projeto  é viajar pelo Brasil montando cursos de culinária regional, mostrar pra todo mundo que a comida brasileira vai muito além da feijoada”, conta.

Filha de baiano com mineira, ela gosta tanto da culinária brasileira, que preparou duas receitas juninas tipicamente brasileiras para compartilhar com os leitores da Circuito. Aproveite!

Hospedagem e Gestão Hospitalar

Rafaela optou por hospedagem pelo amplo campo de trabalho.

Moradora de Votorantim, próximo de Sorocaba, Rafaela Ferreira de Melo tem 21 anos e também está fazendo um curso técnico na Casa do Moinho, na Granja Viana, como residente, mas ela optou pelo curso de Hospedagem por acreditar que o campo de atuação é muito grande. “Quem tem formação técnica em hospedagem pode trabalhar em hotéis, resortes, pousadas, moteis, hostels, hospitais e até em navios”, enumera.

Começou em janeiro, ficou hospedada lá até março, mas agora esta fazendo o curso online, à distante. “Hoje a parte prática a gente está aplicando nas nossas próprias casas”, conta. Quem adorou foi a mãe dela: agora tem a casa arrumadinha todo dia.

Aplicando o aprendizado em casa

“Em Hospedagem a gente aprende sobre limpeza, arrumação de ambiente, lavanderia, recepção de hotelaria, entre outras matérias como português, inglês, espanhol”, lembra. “Também aprendemos sobre hospitalidade e acho que a gente fica até mais simpática com as visitas”, conta. A rotina é semelhante à descrita acima por Letícia.

Quando terminar o curso, pretende buscar uma vaga em recepção de hotéis por gostar de ter contato com o público, mas seus sonhos vão além. Também pretende fazer uma faculdade de Gestão Hospitalar para um dia poder aplicar o que aprendeu nos dois cursos em um trabalho que hoje, mais do que nunca, mostra sua importância em nosso sociedade.

Rafaela com a turma de Hospedagem: a terceira da esquerda para a direita, sentada no banco.
Passeio pelas ruas históricas de Parati

Empreendedora do turismo

Uma viagem de formatura do Ensino Médio integrado ao técnico de Administração na ETEC de Cotia foi decisiva na vida de Carolina Menezes, hoje com 23 anos de idade. Ela tinha 17 anos na época e foi pela primeira vez com a turma para a cidade histórica de Parati, divisa do Rio de Janeiro com São Paulo.

Gostou tanto que no ano seguinte, já cursando RH no Centro Paula Sousa, em São Paulo, foi novamente para Parati com a turma da ETEC, que no ano anterior estava no 2º do ensino médio e agora se formava também.
Para Carol, o único defeito da viagem era o custo, um pouco elevado para o tipo de hospedagem em hostel – espécie de albergue com dormitórios compartilhados -, poucos dias e poucos passeios. Foi então que começou a pesquisar por conta própria sobre organização de viagens, hospedagens, custos, passeios, etc.

Carol (foto maior) e o grupo no Cachadaço, em Trindade, próximo de Parati.

 

 

 

 

 

 

Chegou a conclusão que conseguiria organizar uma viagem semelhante às que tinha feito, com mais passeios, por menos da metade do preço que havia pago.

Organizou a sua primeira “trip” aos 18 anos de idade, alugando um ônibus com motorista e reservando as vagas do hostel. Levou amigos e colegas de um curso de aprendiz que estava fazendo em uma ONG. Foi um sucesso e ela não parou mais de organizar viagens.

Campos do Jordão, SP.

Abriu sua própria empresa: a Carol Trips e trocou de faculdade. Hoje ela cursa Turismo na Fatec de São Roque. Além de Parati (RJ), levou grupos para Ubatuba (SP), Campos do Jordão (SP), Capitólio (MG), entre outros destinos.

 

 

 

 

 

Com as faculdades fechadas e viagens suspensas na pandemia, hoje Carolina está fazendo o curso de turismo à distância (EAD), mas não deixou de trabalhar com turismo: foi contratada no Parque Thermas da Mata para venda de títulos para sócios.

Assim que se formar, a jovem empreendedora pretende retomar as viagem e realizar seu sonho: juntar dinheiro para ter seu próprio hostel em Parati. “Eu acho que a cidade tem demanda de hostels mais acessíveis e confortáveis”, avalia Carol. Determinada, a empreendedora garante que pretende alcançar o sonho em 5 anos.
Boa sorte e boas viagens!

Craque da região

Morador do Jardim Boa Vista, próximo do Raposo Shopping. Gabriel Pereira dos Santos começou a brincar com a bola aos 5 anos de idade. Logo sua mãe o colocou na escolinha Chute Inicial, do Corinthians, nas proximidades de casa. Foi lá que ele conheceu o treinador Luis Fernando Leal, que anos mais tarde, quando já tinha 14 anos, o levou para treinar no Clube Pitangueiras, na Granja Viana.

O treinador viu no garoto uma promessa no esporte e o encaminhou para um teste no Guarani, de Campinas, mas a primeira experiência na peneira não foi boa. Ele não passou. Avaliação do técnico: Gabriel não estava dando tudo de si. Se quisesse se destacar, teria de se dedicar com seriedade. “Até então eu levava o esporte como zoeira, mas aquele papo com o Luís me abriu os olhos”, conta.

Treinando com seriedade, aos 14 anos veio um segundo teste e ele passou. Ficou dois anos morando no alojamento do Guarani, longe da mãe e dos irmãos mais novos. No início achou ótimo, uma experiência de autonomia, de liberdade, mas logo começou a sentir falta da família. Aos 17 anos surgiu uma nova oportunidade para fazer um teste no sub17 do Corinthians e ele passou.

Hoje o meia é o camisa 7 Sub20, tem sido muito elogiado na mídia especializada e é destaque na Copinha.  Já tem até salário e contrato assinado com o Timão com validade até 2022.  A multa do contrato para times do exterior é R$ 147 milhões! Se quiserem leva-lo terão de pagar isso. Gabriel ainda mora com a mãe, o irmão de 13 anos e uma irmãzinha de 5.

Antes da Pandemia, Gabriel ia de segunda à sábado de metrô até o Parque São Jorge, na Zona Leste para treinar e participar dos jogos de sua categoria. Agora, durante a pandemia, está recebendo os treinos pela web para não perder a forma e o condicionamento físico.

Como se imagina aos 20 anos? Jogando no profissional, fazendo o seu melhor, brilhando no esporte cada vez mais e assegurando um futuro confortável para os irmãos e para a mãe, que o criou sozinha.

Por Mônica Krausz

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